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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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Especial: #luto

Na condição de um dos mais respeitados estudiosos do luto do mundo, o psiquiatra inglês Colin Murray Parkes afirma que o luto é o preço que se paga pelo amor.

Em 2005, Parkes foi chamado pelo governo britânico para dar assistência psicológica a vítimas do tsunami que atingiu vários países banhados pelo Oceano Índico, matando um total de 225 000 pessoas. (leia uma entrevista que ele concedeu para a revista Veja).

Perder alguém que se ama nestas condições as quais foram a tragédia que abalou Santa Maria é algo que fica difícil expressar em palavras. A dor do sofrimento facilmente chega a se tornar físico. E pela ordem natural da vida, não são os pais que enterram os filhos, logo, quando isto acontece passa a existir um buraco sem fundo diante de tamanho atropelo. Porém, emocionalmente falando, acredite: lidamos melhor com más notícias do que com a falta delas.luto santa maria psicanálise

O luto é…

Para Freud (1916) “luto é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade, o ideal de alguém e assim por diante”. Para a Psicanálise, o luto, desde que seja superado, não é considerado uma condição patológica, mesmo que traga consigo mudanças temporárias no estilo de vida de quem o vivencia, tal como a perda de interesse por atividades do cotidiano e pelo convívio social. (leia mais sobre este artigo no Psicologados)

O comportamento junto ao luto varia de acordo com cada ser humano. No entanto, é possível identificar algumas etapas comuns. O choque é a primeira das 5 etapas do processo do luto, as seguintes são:

  • Negação: mecanismo de defesa da pessoa onde apresenta descrença (o sujeito não acredita no que aconteceu e, muitas vezes, tem a sensação de que o ente querido irá chegar a qualquer momento), ou não quer acreditar no que aconteceu.
  • Culpa: sentimento bastante comum e certas vezes, intenso (geralmente, as pessoas começam a pensar em tudo o que poderiam ter dito ou feito para impedir essa morte).
  • Desalento: onde acontecem mudanças  no comportamento como crises de choro, momentos depressivos, raiva, desespero. (pode ocorrer também perda de prazer e interesse por certas atividades).
  •  Aceitação: quando a pessoa começa a ter consciência do que aconteceu e se prepara para seguir a vida. (a dor começa a dar espaço para a lembrança).

A melhor forma de ajudar alguém que sofre o luto é, antes de mais nada, não reprimi-la. Jamais diga coisas do tipo “não fica assim, vai passar” e jamais force-a para retornar à sua rotina. Lembre-se de que cada um tem o seu tempo. Ofereça sempre conforto, desde um sincero abraço até o simples – e não menos importante, “eu te entendo”. A verdade é que infelizmente não existe um remédio milagroso que nos auxilie a superar uma perda, o melhor caminho é enfrentá-la com muito tato e paciência, e aos poucos construir uma nova história, liberto de culpa ou remorso. Afinal, a vida continua.

“A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe.” Allá Bozarth-Campbell

Conte comigo,

Ana Cruz – psicanalista

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