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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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“Perversão é a forma erótica do ódio”

Como não pensar em perversão diante de tantos atos de maldade que acontecem por aí a fora. Recentemente tivemos, por exemplo, o caso daquele indiana que cruelmente sofreu um estupro coletivo. Revoltante? Claro. A questão é: por quê?

A palavra perversão deriva do verbo latino pervertere e significa tornar-se perverso, corromper, desmoralizar, depravar. No entanto é necessário considerar elementos como cultura,  costumes e padrões, pois engloba comportamento, práticas e fantasias correlacionados à normas sociais.

Costumo dizer que nossas emoções nunca andam sozinhas, e com a perversão não seria diferente. Ela é “muito bem acompanhada” de sentimentos como  vingança, vitória, ódio, dominação, prazer a fim de, muitas vezes, criar uma defesa contra um trauma, porém em uma dinâmica inconsciente, retratada, em certos casos, como uma representação fantasiosa.

perversão
“Os desejos imperecíveis e reprimidos da infância têm suprido sozinhos o poder de formar sintomas, e sem eles a reação a traumas recentes teria sido uma trajetória diferente.” FREUD, 1905.

Em “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” Freud (1905), onde traça uma conexão expressiva e direta entre a sexualidade e a infância, pela primeira vez surge o conceito de perversão enquanto aberração e inversão sexual. Ele também afirma que “a predisposição para as perversões tampouco constitui um traço excepcional, mas é um elemento do que se tem na conta de uma constituição normal” e conclui que “a neurose é o negativo da perversão”.

Joyce McDougall, membra da Sociedade Psicanalítica de Paris e da Sociedade Psicanalítica de Nova Iorque afirma que a palavra “perversão” tem uma conotação pejorativa, na medida em que lembra perversidade, uma tendência para o mal, e sugere que o termo se reserve a certas formas de relações, com destaque para relações sexuais impostas por um indivíduo a outro, em sua maioria exemplificadas por abusos sexuais de menores, estupro, entre outros. (Dicionário Internacional de Psicanálise, 2005)

Particularmente, me chama a atenção a afirmação do médico psiquiatra Robert Stoller, em seu livro clássico ‘Perversão: a Forma Erótica do Ódio’ de 1975 onde define perversão como “a forma erótica do ódio, a todo ato sexual em que o sujeito procura intencionalmente fazer mal ao outro.” O perverso sabe o que quer, sabe o foco do seu desejo, ora negando ora considerando realidade, onde prevalece o seu próprio desejo.

Conforme aprendemos com Freud, somos necessariamente seres sexuais, transferindo, recalcando, liberando nossa libido, e variando inclusive nosso objeto de interesse ao longo da vida, estando ele dentro da perversão, ou não. (fonte: Psicologados – artigos de psicologia e psicanálise)

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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