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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
seja bem-vindo

“Minha vida está passando pela janela.”

“Oi Ana : meu nome é T. e espero que não pense que seja uma besteira o que vou escrever , mas como vivo sozinha aqui na Itália, deixei todos meus amigos, família, em Porto Alegre, a pessoa que achei que poderia me ajudar dando algum tipo de conselho seria tu. Bem , o problema que rola no momento é:

Meu marido não faz nada em casa, não me ajuda, passa o dia no computador, se eu não peço pra ele fazer as coisas ele não levanta a bunda do sofá, ele trabalha fora da Itália como mananger export, por isto acha que quando está em casa, é férias .. As coisas esfriaram , junto com o inverno. E por fim acabei conhecendo uma outra pessoa, e estamos saindo e curtindo desde agosto de 2012. Ele se chama Mauro, tem duas filhas gêmeas e é separado, faz dois anos. Já teve uma namorada brasileira (de Sampa), mas não deu certo porque ele descobriu que ela traiu ele. O problema é que com meu marido funciona como: eu em casa com as filhas, limpando, passando, cozinhando, sempre dentro de casa.

Minha vida está passando pela janela.

E esse cara sabe como funciona aqui, e está fazendo ao contrário, só que ele quer que eu vá embora, viver com ele. Conheço ele a poucos meses, e ele agora começou a me dar pressão pra deixar meu marido e ir embora com ele.

O CASO PRINCIPAL:

Ele tem aquela coisa de querer brigar o tempo todo, criar caso, pra ter um bate boca e depois transar, só que isto me está cansando e penso que ele é um pouco desequilibrado por fazer este tipo de coisa, principalmente porque ele é muito grudado, quer saber tudo que acontece, mas ele não fala o que acontece no cotidiano dele, quando eu não respondo o telefone é um problema. Quando ele não responde, está ocupado com o trabalho, não á um problema, entende ? Se precisar de mais informaçoes me responde , mas me diz alguma coisa por favor . Estou com 29 anos e não sei o que fazer. Beijos!”

triangulo

Querida T., analisando friamente, como diria Jack, “vamos por partes”:

  1. A divisão de tarefas domésticas está gerando conflitos, pois você “espera que ele tenha um clique”. Já aviso que isso não funcionará. É necessário considerar as referências que o seu marido teve, desde a cultura local até a sua família. Por exemplo: se o seu marido vivenciou em casa a situação de que a mãe é do lar e o pai o suporte financeiro, logo, assim ele aprendeu e assim o fará com a sua esposa, sacou? Portanto, não basta pedir para que ele o ajude, e sim, realmente ensiná-lo, mostrar que é necessário (e possível) ser diferente. E outra coisa, atenção com a forma como você coloca suas insatisfações para ele. Dica: “chilique” e “gritaria” não resolvem nada. Seja racional e estratégica.
  2.  Quanto à dobradinha brigas/sexo não me parece um desequilíbrio, mas sim uma forma de mostrar e reafirmar que é ele quem manda na situação. O que fecha muito bem com o perfil controlador que apresenta (querer saber tudo o que acontece, o grude, etc). Seu marido me parece uma pessoa mais bruta ao passo que você espera que ele seja amável. Volto a dizer, preste atenção na cultura local. Italianos são diferentes de brasileiros, que são diferentes de japoneses, que são diferentes de americanos e assim por diante. Talvez seja a sua forma de cuidar de você, afinal, sabe-se bem que mulheres brasileiras fazem “sucesso” com europeus.
  3. Se você sente que sua vida está passando pela janela, o que você está de fato fazendo para mudar e começar a vivê-la? Comece desde já a mudar seus hábitos e sua rotina. Estude, trabalhe fora, faça trabalho voluntário, faça novos amigos, enfim, busque novas atividades e dê uma boa sacudida! Sinto que você apenas “reside” na Itália, mas no fundo não absorveu totalmente esta nova vida. Ainda falta adaptação. Ah, e você se colocou em uma situação de dependência do seu marido, não se esqueça disso.
  4. Bem, você tem hoje uma carência bem expressiva, afinal, como disse, deixou tudo aqui no Brasil (família, amigos) e sente-se muito sozinha, é natural. Mas o fato é que não está sabendo lidar com isso. Você criou a expectativa de que na Itália tudo seria lindo e colorido, e agora como as coisas estão cinza e não saíram como você queria, está assustada, insatisfeita e sem saber para onde correr. Ou melhor, correu para o Mauro e levou contigo esta mesma expectativa de que com ele tudo seria vivo, já que com o seu marido você se sente “morta”. Ou seja, você está buscando fora do seu casamento uma solução para os seus problemas, um conforto para o ego, um carinho para o emocional, um colo afetuoso que não tem da família pela distância, e também uma maneira de, inconscientemente mostrar para o seu marido o que ele está perdendo. É como se você estivesse dizendo “viu palhaço, me trouxe pra Itália e não deu valor, agora tem outro que me dá”. Ocorre que você não tem bem certeza do que quer, tanto que não cedeu a pressão de se separar. É insegura, tem 29 anos, é mãe, mas uma “menina grande”. Aliás, muito cuidado com o Mauro. Este caso é prazeroso pois não há compromisso, e sim o tesão do proibido e a satisfação da carência de ambos! E ele, pelo visto também é italiano, logo, você pode estar trocando 6 por meia dúzia, sacou?
  5. Para concluir, sugiro que faça uma profunda reflexão (fria, por favor!) sobre você mesma. Enquanto você não resolver suas inseguranças e carências emocionais, continuará buscando em outros homens, atualmente o Mauro, a fórmula mágica para a sua vida e isto não existe. Sua satisfação e bem-estar dependem de você mesma. Você é feliz consigo mesma ou precisa desesperadamente de alguém para ser feliz? Às vezes o óbvio requer um novo olhar, uma nova perspectiva.

“As pessoas sofrem por ideias. Conseguindo fazer algumas mudanças nas suas ideias, elas se libertam” – James Hillman, psicólogo junguiano e considerado o último discípulo direto de Carl Jung. #pensenisso

#Se você também tem dúvidas ou gostaria apenas de um conselho, um caminho, me escreva! Mande um email para anacruz@anacruzoficial.com com seu nome, idade e a pergunta. Não se preocupe, seus dados não serão divulgados. Você terá sua resposta aqui no blog.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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