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Os 4 i’s do ciúme doentio

Os 4 i’s do ciúme doentio

Um dos grandes motores de um relacionamento destrutivo é, com certeza, o ciúme. Mas cuidado, ele é traiçoeiro e até uma doença. Queridos leitores, apresento a vocês cinco fatores que sustentam o ciúme doentio.

O que é um relacionamento destrutivo: é toda relação abusiva que gera lesões físicas, emocionais e psicológicas em ambos os parceiros ou no sujeito mais vulnerável. (todo casal tem as suas brigas e desentendimentos, o ponto crítico é quando este padrão passar a reger a relação). Porque isso acontece: por refletir determinadas características dos indivíduos. Ocorre por diversos motivos, dentre eles o ciúme.

Enquanto isso, o ciúme…

O ciúme é uma reação natural do ser humano e consiste em um conjunto de emoções diante de uma ameaça (real ou imaginária) ou medo da perda (real ou imaginária). Se o que está por trás é o intuito de cuidar, zelar, tudo bem. A questão é quando o que o sustenta é o sentimento de posse (egoísmo) e depreciação, ‘mui’ amigos de um cara chamado delírio, primo da paranoia.

Senhoras e senhores, aqui nasce o ciúme patológico

O ciúme patológico ou doentio é um ciúme extremamente potencializado caracterizado por comportamento excessivo, irracional, obsessivo e invasivo. A maioria dos ciumentos patológicos são pessoas normais, sem traços de doença psicótica. Geralmente não aceitam que tem um problema. Veja os quatro fatores que sustentam a personalidade do ciumento patológico:

Insegurança: implica na falta de confiança no outro e/ou em si próprio, de forma constante e intensa. Também entram no ‘pacote’ a baixa autoestima e a desqualificação de si mesmo.

Internalização: implica no processo absorver, incorporar inconscientemente padrões, ideias, atitudes de outrem como sendo seu. Estas influências podem vir de familiares, amigos próximos, e até de personagens fictícios, desde que exista admiração e identificação.

Incerteza: implica na falta de capacidade de diferenciar fantasia de realidade. Tudo é real no seu imaginário e toma forças diante de uma dúvida, de modo que o sujeito trava uma luta contínua e incansável para reafirmar a sua (falsa) certeza. Quanto mais dúvidas, mais certezas e assim por diante. Inconscientemente.

Imaturidade: implica no processo incompleto de formação emocional necessária para o equilíbrio entre o saudável e o doentio onde o sujeito apresenta um comportamento incoerente diante do outro e dos fatos.

ciúme doentio

Principais características do comportamento do ciumento doentio:

  1. Grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamento do companheiro;
  2. Preocupação excessiva com relacionamentos afetivos anteriores (o passado) do companheiro;
  3. Desconfiança excessiva e infundada do companheiro;
  4. Frequentes questionamentos opressivos junto ao companheiro;
  5. Busca frenética por confirmações da sua desconfiança;
  6. Pensamentos repetitivos de receio, ressentimento culpa e acusação;
  7. Reações físicas, espontâneas ou frequentes, como dores pelo corpo, taquicardia, dor de cabeça, sudorese e tremedeira;
  8. Ciclo vicioso: dúvida-desconfiança-chilique-culpa-carinho-“eu vou mudar”.

Uma pessoa se submete a este tipo de relação por diversos motivos, entre eles, baixa autoestima, dependência emocional, ausência de referência de amor, culpa, emoções fantasiosas, falta de amor próprio, inferioridade… a lista é grande, diferencia-se pelas particularidades de cada ser humano.

Procure ajuda profissional, independente se você é o ciumento ou sofre com o ciúme do seu parceiro. São problemáticas sérias que você não conseguirá se livrar sozinho, acredite. Mas há luz no fim do túnel e se chama psicanálise.

Resolva-se e seja feliz.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

14 Replies to “Os 4 i’s do ciúme doentio”

  1. Eu estou sucumbindo com meu ciúmes doentio…. E já tenho 46 anos! Não sei como me livrar disso, sem perder a pessoa que eu amo!!!!

  2. Olá Ana, me interessei muito pelo seu trabalho e gostaria de saber mais informações sobre o seu atendimento no Skype. Obrigada!

  3. Bom dia, Ana. Gostaria muito de entrar em contato contigo para saber como funcionam teus atendimentos pelo Skype. Te agradeço se puderes me dar um retorno.
    Abraço!

  4. Sei que estou atrasado para esse comentário, todavia estou passando por uma instabilidade (particular) no meu casamento (de 10 anos) … de repente comecei a desconfiar de tudo e todos, creio que sem motivo algum, e isso se potencializou agora que minha mulher começou a fazer faculdade; Você acha que preciso realmente procurar um (a) especialista ou acha que isso deve passar da mesma forma, inesperada, que começou?

    1. Oi Jeremias! Imagina, atrasado nada! Diante do teu relato, eu acredito que seja interessante conversar com um profissional. Se quiseres marcar um horário comigo, estou à disposição. Grande abraço!

  5. Olá Ana!! Eu li seu texto assim como tenho lido ultimamente vários outros artigos sobre o assunto. Eu namoro há quase 2 anos, e me identifiquei com quase tudo que você disse. Eu tenho muito ciume do meu namorado, mas ele NUNCA me deu motivos para tal pensamento e desconfiança. Mas mesmo assim, insisto em fazer coisas sem sentido como: Duvidar de quando ele diz que vai sair com os amigos, ou que não pode me ver em uma determinada data pois tem compromisso. Sem ele saber, verifico as redes sociais em busca de alguma pista que confirme tal “traição”. Já cheguei a olhar objetos pessoais dele em busca de algo que não existe. Ou encher ele de perguntas como: O que fez hoje? Se saiu: Com quem foi? Etc. Eu estou muito incomodada com minha atitude!! Todas as brigas que temos são por minha causa. E isso está me atrapalhando muito. Tem dias que não me concentro no trabalho, nos estudos entre outros. Pois fico meramente imaginando o que ele estaria fazendo ou o que? Enfim, não sei se estou com a auto estima muito baixa, mas reconheço o meu problema… E queria uma solução. Você poderia me ajudar? Se eu procurar a ajuda de um profissional. Devo procurar um psicologo? E que tipo de tratamento uma pessoa com essa tal “Síndrome de Otelo” recebe?

    1. Oi Tallyta! Primeiramente parabéns pela coragem de contar abertamente a tua história, isto não é para qualquer um. O primeiro e grande passo foi dado, que consiste em reconhecer que há um problema e que precisa de ajuda. O segundo passo é sim procurar um profissional, psicólogo ou psicanalista e iniciar o processo. O tratamento dado depende de cada profissional de acordo com a abordagem que ele segue. Posso falar por mim, psicanalista, e afirmar que uma questão importante é investigar a causa, o que provoca este teu comportamento, entende. Caso queira marcar um horário comigo, realizo atendimento clínico online via skype e também pessoal no meu consultório. Dá uma olhada aqui no blog na página “faça terapia comigo”. Te cuida, abração! 🙂

  6. Nossa eu me vi externamente na maioria dos sinais explicados neste site. Tenho consciencia do meu ciume que está se tornando doentio. Qualquer proposta carinhosa, ou uma ação, já me provoca um filme na cabeça, pensando se ela já fez isso com outros, não consigo me controlar, por mais que eu tente, até eu perguntar, me dá ansias de vômito, tô ficando mal, ao encontrar fotos no perfil dele(ex) com ela nas redes sociais, mesmo datando 03 anos atras, me provoca um ódio, e um sentimento ruim com relação a isso. Chego a sonhar com isso e acordar mais puto ainda, sei que a magoo muito com minhas perguntas e temperamento.
    O que eu faço?

    1. Oi Paulo! Primeiramente parabéns pela tua atitude de reconhecer e admitir, este já é um grande passo. O melhor a fazer é procurar ajuda profissional o quanto antes. E acredite, há luz no fim do túnel. Grande abraço.

  7. “Internalização: implica no processo absorver, incorporar inconscientemente padrões, ideias, atitudes de outrem como sendo seu. Estas influências podem vir de familiares, amigos próximos, e até de personagens fictícios, desde que exista admiração e identificação.”

    Mas, virtualmente TODOS os nossos pensamentos, padrões e atitudes são incorporados a partir dos outros. Até mesmo a linguagem, que é a forma de nos expressarmos, é socialmente condicionada.

    Afirmar o contrário seria afirmar que temos algo essencial, algo inato, um “eu” estruturado a priori, antes do processo de socialização – o que é absurdo, metafísico, e nada tem de psicanalítico, muito menos de científico.

    1. Oi Pedro! A maioria do público do meu blog é leiga, logo, os meus textos explicam para os mesmos como funcionam processos diversos inerentes à vida, incluindo sim a internalização.

      Esta é apenas a tua perspectiva. Se tu tens esta compreensão, ok, porém, afirmar que isto ‘nada tem de psicanalítico’ é no mínimo arrogante da tua parte. Sugiro que reflita melhor à respeito.

      Abraço.

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