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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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O serial killer

Caso do rapaz Luan Barcelos da Silva de 21 anos, assassino confesso de seis taxistas entre Porto Alegre e Santana do Livramento no Rio Grande do Sul, deixou uma dúvida: como um ser humano chega a este ponto? Eu explico.

O que é um serial killer? É um sujeito que comete uma sequência de pelo menos três crimes, com intervalo de tempo (seja de horas, dias, meses e até anos) e que apresenta algum tipo de padrão de atuação focado em um perfil específico que (no seu emocional) o causou algum dano grave. No caso de Porto Alegre e Santana do Livramento o padrão implicava em taxistas, com uso de arma de fogo calibre 22 e tiro à queima-roupa na cabeça das vítimas. Luan pegava um táxi, como um passageiro qualquer e, após certo tempo, simplesmente matava o motorista. O avô deste rapaz era um taxista aposentado.

Através da psicanálise é possível salientar que os crimes cometidos por um serial killer causam alta descarga de prazer no ato de matar, gerando certa sensação de orgasmo, semelhantemente ao ato sexual. Assim como, dependendo do seu transtorno e perfil patológico, atuam na tentativa de se livrar de um processo de ansiedade e angústia geradas pelas suas fantasias obsessivas no seu imaginário em detrimento do seu alívio. Há também prazer em controlar o seu objeto de desejo, no caso, suas vítimas. O ‘tchan’ não está na violência em si, mas sim no jogo de envolvimento/persuasão/manipulação. Características principais: mentira, desonestidade, consciência de que seus atos são proibidos, ódio pela lei e regras em geral, frieza, ausência de culpa, descaso pelo outro, crença de que está acima da lei, inteligência, simpatia ou introversão, sadismo e perversão sexual.

crimes

Geralmente os serial killers demonstram três comportamentos pontuais durante a infância, conhecidos como a tríade MacDonald: enurese noturna (urinar na cama), grande apreço por fogo – vezes até causando incêndios e crueldade com animais. A origem de tudo: pode-se afirmar que este sujeito reflete, enquanto consequência, famílias desestruturadas caracterizadas por separação traumática dos pais, sofrimento de abusos físicos, sexuais e emocionais, bem como negligências e/ou excessos dos seus principais referenciais.  Isto não é uma regra, apenas dados estatísticos. Pela teoria psicanalítica, a influência de um ambiente consideravelmente problemático implicaria diretamente em um descompasso na formação do indivíduo. Logo aqueles que tiveram interferência ou até mesmo interrupção em determinadas fases naturais de sua vida, portanto, teriam sua formação comprometida em certo grau de desequilíbrio. No caso dos assassinos em série, o seu histórico familiar exerce atuação direta na sua personalidade e conduta criminosa. Duvida? Então te convido a assistir o documentário “A Ira de um anjo” gratuitamente no youtube e entenderá como isto acontece na prática.

Resumindo: a criatura não se torna um assassino em série em um passe de mágica ou por apenas ter mudado a fase da lua. É algo que se constrói ao longo de todo um período e se você exerce o papel de pai e mãe, por favor, reflita profundamente no perfil de criação que você pratica. Não há regras, modelos prontos e muito menos um “manual prática de como educar os seus filhos”, no entanto, há diversas maneiras de se buscar apoio para se delinear o melhor o caminho possível. Esta é uma responsabilidade muito grande que exige diversos elementos como, por exemplo, a ausência de ‘achismos’. #Pensenisso.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

6 thoughts on “O serial killer

  1. O ambiente familiar influencia muito na educação, mas não é resposta para um distúrbio tão desastroso como esse. Se assim fosse, 70% da população seria de serial killer, uma vez que a pobreza excessiva desestrutura muitas familias, a corrupção dos governantes gerando revoltas, o fator educação em todos os setores deixando a desejar e por ai vai.
    O problema é o aparato psiquico que o individuo trás. Para explicar esse assunto com toda propriedade , nada melhor que o Dr. Sergio Felipe da USP.
    Esse negócio de blá, blá, blá não resolve o problema, só teoriza, e teoria não quer dizer wue seja verdade.

    1. Oi Maria! O meu texto está cunhado sob o caráter explicativo e em linhas gerais, pois cada caso é um caso. Teorias são, basicamente, perspectivas acerca de algo. E verdade é um elemento relativo. Reflita sobre as tuas palavras.

      Abraço!

  2. Olá Ana Cruz!

    Muito prazer!

    Como vai?

    Aqui quem se dirige é Reinaldo Müller.

    Muito bom seu texto. A narrativa é bem delineada. Tem riqueza de detalhes. Obedece a uma historiografia (apoiada na Psicanálise) com consistência e fundamentos.

    Há um filme (não me ocorre neste momento o título) sobre o assunto, estrelado por Kevin Costner que protagoniza um serial killer tendo por coadjuvante (alterego) William Hurt. A película, retrata, também, esta patologia.

    “Serial killer” é um nome midiático, não é? Clinicamente, em termos de diagnóstico psiquiátrico é uma perversão. Contrariando, propositadamente, o DSM – IV, eu prefiro o antigo nome de “personalidade psicopática” (as chamadas “PP’s”). Ausência de remorso — de Culpa — ou piedade.

    É meio cinematográfico dizer que os “psicopatas” têm um grau elevado de inteligência… rs. Isto não é uma regra. Penso que a questão é mais de uma “deformação de caráter” mesmo. Condições ambientais — vivências traumáticas na infância podem precipitar este quadro.

    Em toda a literatura psi da qual tive conhecimento, não verifiquei nenhum registro de uma cura comprovada desta psicopatologia.

    Em minha opinião, a psicanálise não tem alcance eficaz para este distúrbio psíquico. Até mesmo porque não há demanda por tratamento pelo portador — que não confessa sofrimento emocional — arrependimento ou angústia.

    É isto.

    Meus cumprimentos,

    Reinaldo Müller

      1. Olá Ana cruz

        Meu Nome é Thiago

        Você vez uma analise muito boa sobre o assunto, porém olhando pelo seu ponto de vista, de um total de 90 milhões de brasileiros teríamos desse total uns 60 milhões de serial killers só no Brasil. e não é bem assim, colocar a culpa só na criação de uma criança é muito simples, vc ja ouviu falar em Ted Bundy? Ted Bundy teve uma infância bastante média, se saiu bem na escola sem nenhum abuso ocorrido ou documentado. vivemos em um pais que é movido pela corrupção e pobreza, grade parte dos pequenos moradores de favelas, e regiões não muito favoráveis segundo o seu ponto de vista são futuros serial killers. e Dra. teoria é uma hipótese e hipótese não é uma certeza é uma suposição.
        correto?

      2. Oi Thiago! Gostei muito do teu comentário! Os meus textos seguem uma linha de abordagem generalizada sobre os temas, logo, demais elementos de profundidade quanto à serial killers cabem a outras fontes. Em momento algum falei sobre culpa, e sim, sobre origem, e diferente. Sim, estudei o caso do Ted Bundy, muito interessante por sinal. Quanto a conexão que tu fizeste entre as condições socio-culturais do nosso país – as quais concordo, e a formação de futuros serial killers, trata-se da tua percepção e interpretação do meu texto, e não corresponde a minha perspectiva. Esclareço que não sou dra. Falaste correto, hipótese não é certeza.

        Grande abraço!

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