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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

A polícia no divã

Você já parou para analisar friamente quem é o sujeito que tem por obrigação nos proteger? Se você acha que todo policial usa a “capa da imunidade” diante de problemas psicológico-emocionais, está redondamente enganado. Eles sofrem sim, e muito.

Para ingressar na polícia, seja civil ou militar, é necessário ser aprovado em todas as etapas de um concurso público, incluindo a avaliação psicológica. No entanto, o sujeito que entra na corporação com o ‘perfil psicológico adequado para a função’ nem sempre será o mesmo durante o decorrer da sua carreira. Todo ser humano carrega consigo questões psicoemocionais em aberto e obscuras, muitas vezes recalcadas no inconsciente apenas aguardando um gatilho certeiro para se lançarem no mundo real. Já dizia Carl Jung, grande mestre do comportamento humano: “não somos anjos ou demônios, somos os dois.” No caso de policiais, lidar com sobrecarga de trabalho, exposição constante à violência, situações de estresse e risco extremo, corrupção e assédio moral, adrenalina constantemente à flor da pele, desgaste físico e emocional, desvalorização da carreira, entre outros, sem o suporte devido, podem ocasionar em problemáticas e até doenças psíquicas graves, que irão impactar direta e negativamente na vida pessoal bem como na atividade profissional do indivíduo. É claro que a gravidade e intensidade dos danos variam de pessoa para pessoa, mas o fato é que existem, e isso é ponto pacífico. Porém, este ambiente pode funcionar muito bem como o tal gatilho citado.

“Os sintomas têm algum sentido, mesmo que estes sejam ignorados pelo próprio doente.” Sigmund Freud – pai da psicanálise

Os sintomas (psíquicos) são manifestações daquilo que está reprimido, mal resolvido e incomodando, relacionadas com as experiências do sujeito, acarretando prejuízos ao seu funcionamento comportamental e/ou refletindo no corpo físico. Ou seja, onde há sintomas, há problemas a se resolver (urgente!). Veja os principais sintomas apresentados por policiais em exercício:

homem deprimido policial civil
Trecho do relato que recebi pelo facebook de um policial civil

Dificuldades de relacionamentos em geral (familiar, afetivo, etc), impotência sexual, oscilação de humor, agressividade, insônia, taquicardia, abuso de álcool, uso de drogas ilícitas, transtorno de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, excesso ou redução de peso, depressão, AVC, síndrome do pânico, tentativa de suicídio e/ ou consumação do ato.

De acordo com um artigo científico produzido pela Acadepol/MG, há basicamente três fatores que influenciam nas condições de saúde de um policial: falta de equipamentos, falta de apoio do poder público e descontinuidade das políticas governamentais (leia o artigo completo aqui). Pelo grau de responsabilidades e obrigações de um policial, faz-se necessário o acompanhamento psicológico, desde a formação na Acadepol até ao longo do exercício da profissão. Tanto pelo caráter preventivo quanto pelo suporte quando algo não está bem. O Estado tem este dever para com a sociedade.

A psicanálise é um excelente procedimento para estes fins. Trata-se de uma ciência que consiste no conjunto sistemático de conhecimentos sobre o funcionamento da vida psíquica, investigação dos processos mentais, identificação das causas e tratamento de distúrbios diversos. Não se trata de milagre e sim, de um procedimento psicoterapêutico funcional seriamente desenvolvido visando resultados, pautado pela dialética interpretativa.

A você policial, peço que preste atenção nos sintomas descritos e busque ajuda profissional o quanto antes, afinal, você não é o “Super Homem” ou a “Mulher Maravilha” dos desenhos animados. Deixe de lado a teimosia, a arrogância e, principalmente, a vergonha. Missão dada é missão cumprida. Sua saúde emocional agradece. E o seu trabalho também. #ficadica

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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