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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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A Sombra

Caso da mulher que agrediu um filhote de poodle em Porto Alegre deixou um questionamento comum, porque ela teria feito isso? Peraí, nem todo comportamento agressivo caracteriza obrigatoriamente uma patologia, pode ter sido a Sombra.

Carl Jung, um dos grandes mestres da psicanálise, definiu em seus estudos datados de 1945, algo que chamou de Sombra. Disse ele: “a Sombra é a coisa que uma pessoa não tem o desejo de ser.” Mas também é. Nesta simples afirmação estão incluídas as variadas e repetidas referências à Sombra como o lado negativo da personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder, o lado inferior, sem valor, e primitivo da natureza do homem, a “outra pessoa” em um indivíduo, seu próprio lado obscuro. Jung era perfeitamente consciente da realidade do mal na vida humana. (Dicionário Crítico de Análise Junguiana)

Basicamente, a Sombra reflete emoções, desejos, aspectos, entre outros, considerados imorais, agressivos, violentos e inaceitáveis; sendo o lado sombrio do nosso ego, independente de quem seja. São questões que não aceitamos em nós mesmos, certas vezes nos levando a determinados comportamentos que normalmente não teríamos, e/ou até rompantes fora de controle, como, por exemplo, atos de agressividade.

A sombra“A Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, porém sabemos que somos. Chama-se Sombra porque nos segue onde quer que formos. Ela determina muitas vezes como você se enxerga, mas não quer ver. Ela é a fonte de um dos conflitos humanos mais básicos. Todo mundo quer sentir que tem valor como indivíduo. No entanto, quando olhamos para dentro de nós, vemos a Sombra e sentimos vergonha. Nossa reação imediata é desviar o olhar.” Phil Stutz e Barry Michels, psicanalistas americanos da atualidade.

Mas se a Sombra nos acompanha e está dentro de nós, como se livrar dela? Bem, na verdade, ‘fugimos’ da Sombra através do mecanismo de projeção onde atribuímos a suportes como pessoas e situações, algo que é nosso, mas não admitimos, negamos. Logo também existe certa sensação de alívio e libertação da culpa. Por exemplo, se você diz que não cresce no seu trabalho por   ‘culpa’ do mala do seu colega ou então que todos os seus relacionamentos não dão certo por ‘culpa’ do outro, você está projetando algo da sua Sombra – a sua parcela de responsabilidade, em outrem. Fica uma dica: “tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos.” Carl Jung

Considerando esta argumentação, em tese, a mulher que não só agrediu o filhote de poodle bem como instigou o seu próprio filho a também fazer, pode ter projetado no animal, no filho e na situação de violência em si, algo da sua Sombra (o que não diminui a gravidade do fato). Afinal, como disse no início deste texto, nem todo comportamento agressivo caracteriza obrigatoriamente uma patologia.

Meu amigo Carl Jung também disse “não somos anjos ou demônios, somos os dois.”

E você, já sabe qual é a sua Sombra? Pense nisso.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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