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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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O pai também hein!

Tanto se fala na influência e valor da mãe na vida de um sujeito que às vezes parece até que se esquece da existência e importância do pai. E aí, cadê o pai nessa história?

A grande psicanalista e mestre em psicologia Glaucy Abdon afirma que ser pai e ser mãe não significa apenas conceber o filho, e sim, um desejo imaginário derivado da intersecção de um casal. Para isso, deve haver uma disponibilidade interna de ambos para “tornar-se” mãe e/ou pai. Há autores que defendem a ideia de que só há filiação propriamente dita se o filho for “adotado”, ou seja, se os pais realmente adotarem a ideia de serem pais. A importância se dá, então, no fato de “estar habilitado”, de ter uma “disponibilidade interna” para desenvolver tal condição. A função materna e paterna começa, portanto, antes mesmo do nascimento do filho.

A figura da mãe é indiscutivelmente importante, pois ela será a primeira referência de mundo para o bebê bem como um espelho para si. Considerada nosso primeiro objeto de amor, a mãe é aquela que naturalmente constitui a relação simbiótica com o filho suprindo suas necessidades enquanto o mesmo realiza o seu processo de aprendizagem. Traduzindo: a mãe é aquela que faz “tudo” pelo filho até que ele aprenda a fazer sozinho, sacou?

pai filho psicanálise

Mas o pai é a primeira figura diferente que o bebê conhecerá, onde através da sua presença se introduz um elemento de separação mãe-filho, limitação do processo simbiótico e identificação de elementos diferenciais entre homem e mulher, firmando-se nosso primeiro triângulo amoroso. O pai é aquele que, naturalmente equilibra toda essa relação, desde que este seja participativo, sintonizado e presente, ou seja, realmente “afim” de ser pai. Dica: os filhos olham o mundo através dos olhos dos pais.

Não é uma regra, mas é comum que, diante da ausência do pai – seja esta física ou emocional, o indivíduo apresente grandes dificuldades e até problemas sérios de relacionamentos amorosos futuros. Homens e mulheres poderão apresentar tendências ao homossexualismo, excessos de carência afetiva e insegurança, envolvimento em relações destrutivas, envolvimento com pessoas ausentes/distantes e/ou dominadoras/autoritárias, anulação de si mesmo em prol do outro, e até evitar compromissos e envolvimentos.

Deixo-os com a reflexão do meu querido amigo Carl Jung: “a imagem do pai possui um poder extraordinário. Ela influencia a vida psíquica da criança de maneira tão forte que convém perguntar se podemos atribuir tal força mágica a um simples ser humano. Obviamente ele a possui, mas a questão é se ela realmente é sua propriedade. O homem ‘possui’ muitas coisas que ele nunca adquiriu, mas herdou dos antepassados. Não nasceu tabula rasa, apenas nasceu inconsciente. Traz consigo sistemas organizados e que estão prontos a funcionar numa forma especificamente humana; e isto ele deve a milhões de anos de desenvolvimento humano.”

#Reflita.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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