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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Vingança

Ao contrário do ditado popular, vingança não é um prato que se come frio, e sim um prato que te come – e bem quente, por dentro.

A vingança nasce do desejo de reparação daquilo que foi interpretado e sentido como uma lesão grave e dolorosa, impulsionada por frustrações e emoções negativas como raiva e ódio. Trata-se, basicamente, do ato de ‘dar o troco’ que vai desde uma pequena maldade até grandes atos de barbáries. O sujeito rancoroso que a alimenta tem praticamente uma necessidade de retribuir a dor que lhe foi causada na mesma intensidade, a fim de compensar o dano provocado, buscando assim a sensação de alívio confundida com o senso de justiça.

Para a psicóloga Milena Frankfurt o desejo de se vingar é algo inerente do ser humano. Todos nós já imaginamos aquela pessoa que nos feriu se machucando de alguma maneira, mesmo que em fantasia. O ato de se vingar, e como se vingar é particular e específico de cada pessoa. Está bastante relacionado com a capacidade de perdoar que a pessoa exerce ou não durante a sua vida. Hoje em dia vivemos em uma sociedade em que é “proibido” se frustrar, e o sentimento de vingança está associado a retaliar as consequências de uma situação que provocou dor, raiva e ódio.

VINGANÇA

“Da mesma forma, aqueles que se sentem injustiçados normalmente exageram, engajado em fantasias extravagantes, quase sensuais, de vingança – destruir uma família, uma carreira, dançar sobre um túmulo. Pense no desejo de vingança como uma espécie de fome, uma luxúria, um déficit que o cérebro quer preencher e você vai entender por que as fantasias de vingança podem ser tão deliciosas. Todo ser humano nasce biologicamente equipado para retaliar quando se ressente de alguma ofensa ou agressão”. Michael E. McCullough, psicólogo americano da Universidade de Miami e autor do livro “Além da Vingança – A Evolução do Instinto do Perdão”.

É importante colocar que diante das tramas complexas do psiquismo, inconscientemente um sujeito pode vingar-se de uma pessoa através de outra. Vou explicar com um exemplo real: aquele que traz consigo mágoas e ressentimentos profundos para com os seus pais limita o seu desejo de vingança contra eles na esfera da fantasia, pois o Superego (o nosso grande juiz) nos impede de realizá-las, afinal, ele, o Superego, diz que se deve respeitá-los. No entanto, pela intensidade desses sentimentos, o indivíduo irá praticar seus atos vingativos com o seu companheiro, seu colega de trabalho, seus filhos. O seu emocional entende que é contra os pais, enquanto que, na realidade é contra aquele que nada tem a ver com os seus problemas.

Ter o sentimento de vingança faz parte da concepção humana, mas torna-se altamente nocivo quando gera prejuízos diversos (físicos, vivenciais, psicológicos, emocionais) para quem a realiza e quem a recebe.  Acredite, o preço que se paga pela busca incessante de ‘justiça e alívio’ é alto. E você só acreditará que vale a pena vingar-se pelo seu Ego infantil, egoísta, birrento, irracional e regredido, recheado de complexos mal resolvidos e de necessidade de chamar a atenção assim como você fazia com a sua mãe quando era criança.

Dica: despender libido (energia) para destruição seja para si e/ou para o outro, chama-se, popularmente de burrice. Está na hora de ser realmente inteligente.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

2 thoughts on “Vingança

  1. O texto é ótimo, perfeito, mas não é fácil superar uma decepção com alguém a ponto de não revidar. Uma coisa que aprendi com a frustração com outra pessoa é sobre o limite psicológico. Percebi que é muito fácil ultrapassar o limite da razão a ponto de cometer o ato da vingança. Nada justifica qualquer tipo de violência como revide, mas é muito fácil criticar aqueles que cometem um crime de vingança sem antes analisar o limite psicológico de quem foi severamente humilhado, prejudicado por outra pessoa. Hoje quando vejo na TV crimes de vingança, me coloco sempre no lugar de quem se vingou. Ninguém sabe o que se passou no seu psicológico para que ele perdesse a razão. É muito fácil cobrar a razão dos outros sem nunca ter passado por um trauma a ponto de perder os limites do bom senso, da razão. Nós somos críticos daqueles que se vingam, mas até passarmos pelo que ele passou. Por exemplo, eu sou contra a pena de morte, mas será que continuaria contra se alguém cometesse um crime contra alguém da minha família, se alguém estuprasse e matasse um filho meu? Certamente eu mudaria de opinião. O sentimento de vingança faz parte de nós, faz parte da nossa evolução humana. Está no nosso DNA. Não estou dizendo que devemos nos vingar de tudo e de todos, mas apenas gostaria de trazer a discussão o limite psicológico do ser humano. Nem todos tem o mesmo limite. Nem todos aguentam humilhação e nem por isso ele é pior do que eu ou qualquer outra pessoa. Ele apenas tem um limite diferente, mas isso não o torna pior do que eu, menos evoluído do que eu. Mas certamente a vingança é destrutiva para ambos os lados.

    1. Oi Valter! Muito obrigada pelo carinho para com o meu texto! Entendo perfeitamente o teu posicionamento, é um argumento com grande profundidade e coesão. O comportamento humano é algo complexo e fomenta essa troca de percepções. Grande abraço!

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