Loading…

ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

Vingança

Ao contrário do ditado popular, vingança não é um prato que se come frio, e sim um prato que te come – e bem quente, por dentro.

A vingança nasce do desejo de reparação daquilo que foi interpretado e sentido como uma lesão grave e dolorosa, impulsionada por frustrações e emoções negativas como raiva e ódio. Trata-se, basicamente, do ato de ‘dar o troco’ que vai desde uma pequena maldade até grandes atos de barbáries. O sujeito rancoroso que a alimenta tem praticamente uma necessidade de retribuir a dor que lhe foi causada na mesma intensidade, a fim de compensar o dano provocado, buscando assim a sensação de alívio confundida com o senso de justiça.

Para a psicóloga Milena Frankfurt o desejo de se vingar é algo inerente do ser humano. Todos nós já imaginamos aquela pessoa que nos feriu se machucando de alguma maneira, mesmo que em fantasia. O ato de se vingar, e como se vingar é particular e específico de cada pessoa. Está bastante relacionado com a capacidade de perdoar que a pessoa exerce ou não durante a sua vida. Hoje em dia vivemos em uma sociedade em que é “proibido” se frustrar, e o sentimento de vingança está associado a retaliar as consequências de uma situação que provocou dor, raiva e ódio.

VINGANÇA

“Da mesma forma, aqueles que se sentem injustiçados normalmente exageram, engajado em fantasias extravagantes, quase sensuais, de vingança – destruir uma família, uma carreira, dançar sobre um túmulo. Pense no desejo de vingança como uma espécie de fome, uma luxúria, um déficit que o cérebro quer preencher e você vai entender por que as fantasias de vingança podem ser tão deliciosas. Todo ser humano nasce biologicamente equipado para retaliar quando se ressente de alguma ofensa ou agressão”. Michael E. McCullough, psicólogo americano da Universidade de Miami e autor do livro “Além da Vingança – A Evolução do Instinto do Perdão”.

É importante colocar que diante das tramas complexas do psiquismo, inconscientemente um sujeito pode vingar-se de uma pessoa através de outra. Vou explicar com um exemplo real: aquele que traz consigo mágoas e ressentimentos profundos para com os seus pais limita o seu desejo de vingança contra eles na esfera da fantasia, pois o Superego (o nosso grande juiz) nos impede de realizá-las, afinal, ele, o Superego, diz que se deve respeitá-los. No entanto, pela intensidade desses sentimentos, o indivíduo irá praticar seus atos vingativos com o seu companheiro, seu colega de trabalho, seus filhos. O seu emocional entende que é contra os pais, enquanto que, na realidade é contra aquele que nada tem a ver com os seus problemas.

Ter o sentimento de vingança faz parte da concepção humana, mas torna-se altamente nocivo quando gera prejuízos diversos (físicos, vivenciais, psicológicos, emocionais) para quem a realiza e quem a recebe.  Acredite, o preço que se paga pela busca incessante de ‘justiça e alívio’ é alto. E você só acreditará que vale a pena vingar-se pelo seu Ego infantil, egoísta, birrento, irracional e regredido, recheado de complexos mal resolvidos e de necessidade de chamar a atenção assim como você fazia com a sua mãe quando era criança.

Dica: despender libido (energia) para destruição seja para si e/ou para o outro, chama-se, popularmente de burrice. Está na hora de ser realmente inteligente.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

Deixe o seu comentário