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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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Eu tava bêbado

Se você fez alguma coisa que considera errada enquanto estava bêbado, acredite, a culpa é toda sua. O álcool não possui esse poder mágico de criar algo que não existe. Eu explico.

Tenho até pena do álcool. O coitado é usado à revelia enquanto uma desculpa fácil e gratuita para camuflar as “cacas” realizadas pelo sujeito. E pior, não tem nem como se defender da enxurrada de infâmias que ouve. É usado e abusado. Considerado praticamente um ser de outro mundo com dons sobrenaturais.

Deixemos de lado a questão do vício em álcool, da doença propriamente dita – e esta sim, é devastadora, que falarei em um outro texto futuro. Abordo aqui o outro lado do consumo da bebida alcólica. Daquele ‘pilequinho’ que leva alguém a fazer uma burrada e se arrepender (ou não).

Freud eu tava bêbado

Antes disto, é importante explicar uma coisa: diferentemente do que diz Valesca Popozuda, recalque não é inveja, e este consiste no processo de eliminar do plano consciente todo e qualquer material representativo (desejo, emoção, sentimento, experiência, etc) que seja considerado inaceitável por algum motivo. Assim, a fim de evitar o sofrimento da angústia enquanto uma penalidade imposta pelo Superego (o cara do nosso aparelho psíquico responsável pelo senso de certo e errado, valores, entre outros) o sujeito faz de tudo para manter estas representações em nível inconsciente. Preste bem atenção: algo estar em nível inconsciente não significa que não exista e tudo o que está recalcado no inconsciente sairá de alguma forma, mesmo que “torta”, sacou?

Voltando ao ‘pilequinho’… o álcool funciona como uma espécie de instrumento facilitador para a liberação de algo que está recalcado, pois condiciona o sujeito a uma situação emocional de alta vulnerabilidade que ele não tem controle. Deste modo, no seu inconsciente existe o “quero, mas não posso”, “quero, mas não tenho coragem” e o álcool atuará como uma via de passagem sem fronteiras, porém, juntamente com o que está recalcado passará também todas as demais características que você possui de modo, certas vezes, descompassado.

Portanto, há certo fundo de verdade no que se diz e/ou no que se faz quando se está de ‘pilequinho’. E volto a dizer, dentro deste cenário, tenho até pena do álcool. E “sucesso” pro seu recalque.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

5 thoughts on “Eu tava bêbado

  1. Todo mundo que bebe faz essas reflexões de “quero, mas não posso”.

    E ao beber, desde o primeiro gole, já se fazem as imaginações acerca do que se fará.

    Beber, dependendo do local, situação ou companhia, é exatamente o primeiro passo para o ato que já vem sendo idealizado faz tempo.

    O “proibido” sempre costuma precisar de uma via facilitadora.

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