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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

Análise Psicanalítica do Filme Cisne Negro

*por Henrique Trejgier

Um caso clássico de esquizofrenia.

“A mãe da moça, abandona a carreira de bailarina para cuidar dela quando nasce.

Mas, faz isso odiando esta decisão e joga a culpa na própria filha. (Chamamos isso de relação de duplo vínculo e gera esquizofrenia sim.)

A mãe controla e domina a filha forçando-a a ser bailarina para realizar seu sonho frustrado (chamado de ideal narcísico dos pais).

A filha, fica sem vida própria, e não suporta esta cisão entre mãe boa que cuidou dela e mãe má que obriga-a sofrer pelo enorme esforço de se tornar a melhor bailarina.

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Isto gera a cisão do ego em dois comportamentos antagônicos. As alucinações que a filha sofre, como na cena das pinturas se mexendo, ou na cena em que ela acha que mata a amiga com o pedaço do espelho, ou mesmo no pé se transformando em nadadeira, surgem devido a energia acumulada pela tensão do seu conflito interno que é deslocado para os sentidos, especialmente a visão e audição, sendo convertida em alucinações que para o esquizofrênico, são percebidas como reais. (Isto acontece porque o conflito emocional se dá no sistema límbico, onde cruzam os nervos ópticos e auditivos).

A filha é desprovida de personalidade própria, nem é a menina meiga e nem a malévola cisne negro,porque é apenas uma marionete da mãe.

Estes 2 comportamentos se alternam e são meras atuações do conflito interno e surgem diante do acúmulo de tensão conforme se aproxima de conseguir realizar o seu desejo real.

A filha deseja o amor da mãe, mas é frustrada porque percebe que não é amor que recebe, e sim que a mãe quer realizar o seu ideal narcísico as custas de sua vida própria. Então odeia isso.

Mas, a censura (superego) diz: não se pode odiar a mãe. Então a filha reprime este ódio no inconsciente.

Mas o ódio reprimido vai se acumulando e retorna gerando o conflito emocional entre amar e odiar a mãe.

Não sendo capaz de integrar estas duas emoções de igual força, a filha atua os 2 comportamentos, numa personalidade esquizóide (dividida), até começar a ter as alucinações (frenesi), que resulta no quadro de esquizofrenia.

A “amiga alucinatória” representa a própria mãe. É formada pelo desejo de ter uma mãe que a ensinasse ter a própria vida: a ser sociável, fazer amigos, gozar…

Assim como o coreógrafo representa o pai, que ela também odeia por ele ser ausente. (não me lembro de nada sobre o pai da moça, creio que foi uma relação casual da mãe.)

Veja como o ódio e a destrutividade reprimidos formam reativamente o aspecto virginal.

Por isso que eu sempre digo, se alguém é “muito bonzinho” preste atenção em dobro. Está escondendo muito ódio.

O desejo real da filha é ter o amor da mãe, (porque se a mãe a amasse, prevaleceria a mãe boa e a filha poderia integrar o seu ego ao invés de cindi-lo), mas o conflito interno evolui ao ponto que ela se fere mortalmente, durante um surto alucinatório, especialmente para representar a cena da morte do cisne, morrendo na realidade, mas com perfeição, atendendo ao desejo da sua mãe, de ser uma bailarina perfeita, para se sentir amada pela mãe.”

*Henrique Trejgier é psicanalista, advogado, mestre em coaching, mestre em PNL, terapeuta EFT, filósofo autodidata, engenheiro de áudio, músico e diretor do Centro de Desenvolvimento da Psiquê.  Acesse e saiba mais aqui: www.cdpsi.com.br

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

3 thoughts on “Análise Psicanalítica do Filme Cisne Negro

  1. Voces esqueceram de falar do narcisismo intenso da Mae, manipulacao da Mae. A filha era somente um objeto para essa Mae que nao queria enfrentar a sua propria vida. Com certeza tinha uma merda de “carreira”, engravidou de qualquer um e foi se escondendo atras dessa pobre moca. Essas narcissistas nao tem empatia. Impossivel. Ninguem eh sufficient bom para receber o amor e o afeto delas.
    Muitas vezes essas Maes enxergam as suas filhas como femeas rivais do seu proprio macho/ marido/namorado.

    Pra min o cisne negro era a p…..dessa “Mae”.

  2. Olá Ana, tudo bem? Texto muito interessante. As cenas frias desse filme chocou o público. Em alguns momentos sentimos dó da moça, em outros, perguntamos o porquê de tudo aquilo! E assim, as respostas aparecem: mãe frustrada, filha dependente, conflitos e manipulações enfim, tudo muito louco e paradoxalmente tudo muito lindo. Nada como um olhar psicanalítico para escrever dessa forma! Que venha o próximo filme. Gostei.

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