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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Pedofilia

“O pedófilo parece estar convencido do que seja o verdadeiro amor paterno e, por isso, é alguém que sinceramente se dedica a querer fazer o bem da criança por meio de relações sensuais, amorosas e sexuais.” Mario Fleig – psicanalista.

Basicamente,  pedofilia se caracteriza pelo desejo e construção de fantasias sexuais de um sujeito adulto para com crianças, não implicando somente no ato em si. Meu amigo Freud considerou a pedofilia enquanto a perversão de indivíduos fracos e impotentes.

O psicanalista e filósofo Mario Fleig aprofunda um pouco mais sobre este tema em entrevista concedida a revista do IHU (Instituto Humanitas Unisinos). Mario Fleig é professor do curso de pós-graduação em Filosofia da Unisinos e membro da Associação Lacaniana Internacional. Graduado em Psicologia pela Unisinos, e em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, é mestre em Filosofia pela UFRGS, doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, e pós-doutor  em Ética e Psicanálise pela Université de Paris XIII (Paris-Nord), França. É autor de O desejo perverso (Porto Alegre: CMC, 2008) e um dos organizadores de O futuro do ódio (Porto Alegre: CMC, 2008). Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

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IHU  – Qual é a definição psicanalítica para a pedofilia? É uma doença? Um desvio? Uma perversão?

Mario Fleig – A pedofilia se define como o amor pelas crianças, segundo o sentido literal da palavra: paidos+filia, e consiste na perversão que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças. […] Em geral, um pedófilo não se interessa por atos de violação, pois seu discurso pressupõe a situação em que a criança consinta nas relações que tem com ele, e até mesmo que ela queira isso. Por isso, a importância das formas de aproximação do pedófilo, que visam cativar a criança, assegurando-lhe que é admirada e amada. […] Parece ser muito relevante para o pedófilo que a criança se apresente em uma espécie de sexualidade natural, expressão do desejo de gozar, oposta à sexualidade reprimida e deformada do mundo adulto.  Por isso, a presença de atos de força, de não-consentimento e de violação repugna ao procedimento comum dos pedófilos. […] É raro que um pedófilo abuse de seus próprios filhos, e acontece frequentemente de serem bons pais e terem filhos que não seguem o caminho da perversão. Certa vez, procurou-me, para tratamento, um pedófilo, tomado pelo temor de que poderia abusar de sua filha. Este temor já indicava uma das faces de seu drama subjetivo, evidenciando o conflito em que se encontrava e que não estava bem em sua tendência sexual.

IHU On-Line – Desse ponto de vista, o pedófilo tem “cura”? Existe um tratamento?

Mario Fleig – Um bom indício do tratamento possível do sujeito pedófilo ocorre quando este conserva o sentido do pecado ou da falta moral, pois isso mostra que a dimensão do outro ainda está presente. […] Deste modo, a questão preliminar a todo tratamento psicanalítico possível do sujeito pedófilo consiste, inicialmente, em pressupor que ele não está fora do campo da transferência, ou seja, de certo endereçamento a um Outro no qual suponha um saber sobre seu drama subjetivo. […]

IHU On-Line – Quais são os elementos que caracterizam a personalidade de um pedófilo?

Mario Fleig – O pedófilo é alguém que busca realizar um ideal de amor que teria acontecido na infância, de modo que esta se eterniza. […] O pedófilo visa reeditar o mito da completude natural na qual o desejo se harmonizaria em um gozo sem falhas. […] o desejo do pedófilo é de manter a criança no lugar de inocência que viria encobrir o insuportável da castração e da diferença sexual.

Leia a entrevista completa aqui.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

6 thoughts on “Pedofilia

  1. Tem cura.Morte cadeira eletrica.Pedofilia não é amor coisa nenhuma é crime deve paga crianças sáo inocentes não sabem nem pra que serve os orgaos genitais. Nem vo fala mais se não eu escreveria um texto aqui.

  2. Boa noite.

    A mim, parece que, realmente, o pedófilo tem mais do que um simples desvio de caráter. Ele não é um “sem vergonha”.

    Parece que nele existe uma distorção de visão de mundo, onde ele nem sabe ao certo se está errado ou errando.

    Claro que a sexualidade é coisa muito diversa e cada caso deve ser um caso, mas a maioria dos relatos me passa essa impressão.

    Ótimo blog, sempre.

  3. Ana, assunto delicado hein! […] “O pedófilo é alguém que busca realizar um ideal de amor que teria acontecido na infância” só um especialista preparado para argumentar sobre um tema tão polêmico. Imagino que deve ser uma análise muito complexa. Pra mim, que sou uma simples mortal, o raciocínio é muito dificil de acompanhar. Abs,

    1. Oi Raquel! Pois é, como tu bem disseste, é um tema bem delicado. Até para nós profissionais trata-se de uma analise muito complexa. Confesso que até o presente momento não tive nenhum caso clínico de pedofilia, mas adoraria pelo desafio que é.

      Grande abraço querida!

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