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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

Traição da confiança: uma história real

“Se ele percebesse que me traiu por todos os lados, saberia que definitivamente não tem volta.”

“Aninha, após ler diversas vezes a história daquele homem em Ela não vai aceitar parte I e parte II, resolvi também contar para o público do teu blog a minha história, afinal, acho que é algo mais comum do que se pode imaginar. Lembro até hoje que quando cheguei no teu consultório eu estava emocionalmente despedaçada, mas graças a ti e o teu trabalho com a psicanálise e a hipnose, hoje estou curada, feliz e tranquila.

a vida continua

Bem, sou e sempre fui uma mulher independente, dona do meu nariz. Comecei a trabalhar muito cedo porque com a minha família não tinha moleza. Sou do tipo pé no chão, mas nem por isso isenta da famosa carência afetiva. Na faculdade conheci um rapaz e na época ele tinha namorada. Uma olhada aqui, uma amizade colorida ali e logo depois começamos a namorar. Ele morava sozinho e eu dividia um apê com mais duas amigas, então depois de um certo tempo de namoro eu ficava mais na casa dele, até por uma questão de privacidade e maior liberdade.

Foram sete anos de convivência. Apesar da gente não morar junto oficialmente, eu tava sempre lá. Houve uma época que chegamos a fazer alguns trabalhos juntos, a gente tinha uma química fora do comum. Do início até mais ou menos a metade do nosso relacionamento era tudo de bom, eu tinha plena certeza de que havia encontrado a minha metade da laranja. Da metade em diante a coisa começou a degringolar.

Ele era um cara mais reservado, introspectivo e muito mais ciumento do ele mesmo demonstrava, e até do que eu poderia imaginar. Lembro nitidamente das vezes em que eu estava saindo do banho e o vi no meu computador conferindo o meu histórico da internet. Em uma das vezes ele ficou tão nervoso pela surpresa que ao invés de fechar a janela do histórico, apenas a minimizou! Eu nunca falei nada porque achei uma coisa tão boba, tão infantil, que resolvi passar por cima. Foi a pior coisa que fiz.

Um cara super inteligente, solitário, do mal e paranoico. Vivia desconfiado de que eu poderia aprontar alguma coisa pra ele. Bêbado, provocava discussões para vomitar em mim todo esse ciúme que existia somente na cabeça dele, e mais todas as frustrações que carregava em relação ao mundo. Ele se sentia meu dono, vivia preocupado com quem já me relacionei antes dele, tentava me controlar por todos os lados e quanto mais eu resistia, mais agressivo ele ficava. Uma vez, bêbado claro, do nada ele começou uma discussão por causa de um amigo de anos que tenho que volta e meia comentava minhas postagens no facebook. Esse cretino estava convicto de que eu e o meu amigo tínhamos um caso e queria eu admitisse isso. Não satisfeito com a minha ‘desobediência’, levantou a mão para me dar um tapa e acho que foi Deus que não permitiu.

Mesmo querendo, eu não conseguia me desvencilhar desse relacionamento, achava (não sei de onde) que eu tinha a obrigação de cuidar dele, que era um doente que precisava ser acolhido. Na terapia contigo descobri que, na verdade, eu é que queria era ser cuidada e me sentir protegida por alguém, e por isso me sujeitava a certas coisas que me machucavam. Da minha parte pelo menos já não era mais amor há tempos, e vi também na terapia que prevaleceu mesmo um sexo forte, quente e fogoso, um ‘amor’ por uma idealização que criei no meu maldito inconsciente (não me xinga Aninha, hoje sou amiga do meu inconsciente ahahaha) para fugir de algo que eu não admitia: minha carência afetiva, afinal, uma mulher como eu, adulta, independente, impetuosa, de personalidade forte jamais olharia para uma ‘fraqueza’ como essa. Ele, assim como Hitler, logo sacou onde estava o meu buraco e se aproveitou disso para saciar a sua paranoia.

Depois que terminamos comecei a descobrir a sua enxurrada de mentiras, inclusive de coisas que eu desconfiava, tinha praticamente certeza. Por exemplo, ele vivia de papo na internet com outras mulheres e chegou a sair com algumas delas, antes de me dar alguns presentes primeiro tentou vendê-los pra ganhar algum dinheiro, colocou um rastreador no meu celular, instalou um programa de monitoramento à distância no meu computador onde ele tinha acesso a absolutamente tudo o que eu fazia fosse na internet ou não, roubou material meu de trabalho para usar como se fosse dele, e por aí vai.

Resumindo, enquanto estávamos juntos ele me traiu por todos os lados. Traiu a intimidade, a cumplicidade e o companheirismo que construímos ao longo dos setes anos. Traiu o respeito e a confiança que eu depositei nele. Traiu a minha doação por inteiro nessa relação.

Chorei e remoí tudo o que podia. Fui morar sozinha e fazer terapia para me reencontrar e recomeçar minha vida. E deu certo. Um dia, quase um ano depois esse cara estava na porta do meu trabalho bêbado e para minha triste surpresa, também tomado pela cocaína (ele não cheirava quando namoramos porque sabia que eu detestava e jamais admitiria). Chorava se dizendo arrependido, que a sua vida não era mais a mesma sem mim, que a sua vida não andou como ele imaginava, que só depois viu o quanto me amava, que queria uma chance para me mostrar que seria tudo diferente. E eu, com a tranquilidade de um passado já enterrado e arquivado na minha memória como mais uma experiência de vida, nem se quer me comovi. Um cara que não se modificou em nada. Vi nos seus olhos a sua falsidade, porque o que ele queria mesmo era o seu saco de pancadas de volta, aquela idiota que estava sempre ali pra tudo o que precisasse. Só que não. Definitivamente não tem volta, pois aprendi a conviver da melhor forma possível com a minha carência e a me amar em primeiro lugar.

Olho para trás e vejo quanto tempo eu perdi com essa criatura. Tudo bem, o sexo era ótimo.. e só. Graças a terapia firmei um acordo comigo mesma de que mereço ser feliz e não há nada e nem ninguém capaz de quebrar esse compromisso. Obrigada Aninha, psicanálise e hipnose, sem vocês eu não estaria onde estou hoje: vivendo em paz.”

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

2 thoughts on “Traição da confiança: uma história real

  1. Ana, como sempre um resultado positivo da terapia. Imagino o desespero da nossa protagonista – mas quando se viu perdida, pediu ajuda. BINGO! Acredito também que tudo tem a sua hora, e ao reconhecer seus limites, determinou uma mudança. Que evolução maravilhosa! eu sempre comento: depois de uma grande turbulência vem o equilíbrio. E viva a saúde emocional. Um beijo pra você.

    1. Oi Raquel! Confesso que fiquei surpresa quando Ela me enviou um e-mail pedindo para publicar a sua história, porém acredito que esta, infelizmente, é uma situação muito comum atualmente. As vezes é necessário se chegar a certos limites, tomar a famosa “sacudida da vida” para acordar e pedir ajuda. Posso afirmar que Ela viveu uma história bem pesada, relatou apenas trechos. Agora a terapia só funcionou porque Ela tinha dentro de si uma vontade, um desejo absurdo de superar e e recomeçar a sua vida. Viva mesmo a saúde emocional! Sei que hoje Ela está muito bem, está namorando uma pessoa muito bacana que a valoriza como merece. Assim é a vida! Bjs querida!

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