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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

Chegou a hora de crescer emocionalmente

*por Olga Tessari

Sempre é tempo para crescer. Mas chega um momento da vida que não dá mais para ter atitudes infantis ou enxergar os fatos somente pela ótica do “nosso mundinho”.

Já falei aqui no blog sobre a (i) maturidade no texto “O adulto adolescente”. E acredito que este é um tema tão constantemente atual que merece ser explorado novamente.

Em uma entrevista concedida ao Caderno Bem Estar do jornal Diário de São José do Rio Preto, a psicóloga clínica Olga Tessari fala sobre os obstáculos que enfrentamos para amadurecer e o quanto essa guinada na vida pode nos ajudar a ser mais felizes. E para quem acha que já amadureceu o suficiente, vai um recado: a vida é feita de constantes transformações, por isso invista no autoconhecimento e aprenda algo novo todos os dias. Confira abaixo alguns trechos dessa entrevista:

maturidade

Bem-Estar – O que é maturidade emocional e a que está relacionada?

Olga Tessari – Maturidade emocional é a habilidade que a pessoa tem de se relacionar com outras da melhor forma possível para si mesma. É evitar que problemas pessoais interfiram no desempenho profissional. É a capacidade de ver a vida por um ângulo mais positivo. É ser simpático com os outros mesmo diante de contrariedades. É a aceitação de si mesmo. É ter respeito para consigo e com os outros. É ser paciente, objetivo e ter capacidade de lidar com adversidades sem se deixar abater totalmente. Sem se indignar ou sofrer sem motivos suficientes e reais. É conhecer os próprios limites e respeitar os dos demais. É saber fazer escolhas e arcar com as conseqüências delas. A pessoa emocionalmente madura tem bom domínio sobre as próprias emoções e é capaz de rir de si mesma, por conta de seu bom senso de humor. A maturidade emocional também é aceitar a responsabilidade pelas conseqüências de seus atos, tomar decisões baseadas em critérios e valores pessoais, ter independência financeira, ser menos egoísta e ter mais consideração pelos outros.

Bem- Estar – Por que emocionalmente muitos adultos não acompanham sua idade cronológica?

Olga Tessari – Há pessoas que passam a vida toda numa eterna infância/adolescência porque a base da maturidade é a capacidade de tolerar a frustração. Algo que a criança aprende com o passar do tempo: nasce egoísta e com sensação de onipotência, uma vez que, na barriga da mãe sempre tem todas suas necessidades satisfeitas; mas, na medida em que cresce, percebe que nem tudo é como ela gostaria, nem sempre suas necessidades e desejos são satisfeitos. Infelizmente, muitos pais mimam demais os filhos, o que os leva a crescer com a falsa sensação de que podem tudo o que desejam e isso os impede de chegar à maturidade emocional, mesmo adultos na idade cronológica. Pesquisas revelam que nem mesmo o fato da pessoa concluir uma faculdade ou casar e ter filhos é garantia de maturidade emocional, pois esta é definida não pela passagem por eventos tradicionais adultos, mas pela mudança na personalidade e no comportamento.

Bem-Estar – Há como saber qual nossa “idade emocional”?

Olga Tessari – Existem fases distintas na vida de uma pessoa: a infância, a adolescência e a vida adulta, época em que se supõe chegar à maturidade emocional. Uma pessoa infantil é aquela que age no sentido de ter todas suas necessidades satisfeitas e que não lida com a frustração de forma alguma. É o caso da criança que chora e faz escândalo quando não consegue o que quer. A adolescência é uma fase intermediária, em que o jovem aprende que nem tudo é como gostaria, mas ainda tem alguns acessos infantis quando é contrariado. O adulto, por sua vez, é aquele que tem a capacidade de tolerar a frustração, pois ela permite distinguir a fantasia da realidade, ou seja, discernir o que é possível ou não de se conseguir. Além disso, na maturidade emocional a pessoa sabe perdoar e ser humilde para reconhecer seus erros, dificuldades e rir de si mesmo.

Bem-Estar – É possível ter atitudes maduras em determinadas áreas da vida, como na financeira ou profissional, e ser imaturo em outras, como na familiar e afetiva? O que é mais comum acontecer?

Olga Tessari – Sim, porque são áreas diferentes da vida que requerem aprendizado único em cada uma delas. Em outras palavras, cada uma dessas áreas precisa de uma vivência e experiência específica para que a pessoa chegue à maturidade. É comum a pessoa ser madura na área financeira ou profissional porque são áreas em que há objetividade, em que a pessoa deve executar sua tarefa e ponto. Não há muitos sentimentos envolvidos e o sucesso depende exclusivamente do próprio empenho e esforço. Na área familiar e afetiva, ao contrário, existe uma dependência do desejo do outro, em que o que se quer está condicionado ao outro e nem sempre o outro é capaz de corresponder à sua expectativa ou deseja ceder e satisfazer seu desejo e anseio. E é nessas áreas que observamos se a pessoa tem maturidade emocional ou não, justamente porque quem é maduro é capaz de lidar com o “não” sem fazer drama ou se sentir prejudicado, sabendo respeitar a decisão do outro. É óbvio que a pessoa vai ficar triste por não ver seu desejo satisfeito, mas não deixará sua vida de lado, muito menos paralisar diante disso.

Bem-Estar – Como a pessoa pode se avaliar quanto a sua maturidade emocional? Quem é imaturo consegue perceber isso? Há como mudar?

Olga Tessari – Uma pessoa imatura, em geral, não tem consciência da sua imaturidade. Pelo contrário, muitas vezes age no sentido de tentar provar para outras pessoas que é madura. Mas, na medida em que se relaciona com as pessoas, em um determinado momento ela sente uma necessidade de modificar seu comportamento para evitar o sofrimento que advém de sua própria imaturidade. Muitas pessoas tentam, em vão, atingir o estado de maturidade e só vão encontrá-lo por meio de tratamento psicológico. Vale dizer que o tratamento psicológico é o caminho para atingir a maturidade mais rapidamente porque a pessoa passa a conhecer seus próprios limites, aprende a respeitar a si mesma e aos demais sem criar muitas expectativas irreais com relação aos outros.

Bem-Estar – Como lidar com quem não tem maturidade emocional? E quem costuma ter mais maturidade emocional: o homem ou a mulher? De que isso depende?

Olga Tessari – Infelizmente os homens têm menos maturidade emocional pela própria educação machista que a mulher ainda mantém ao criar seus filhos. A maioria cria os filhos para ser dependentes da mulher. Tanto que um homem dificilmente consegue viver sozinho e ser autossuficiente. Geralmente, é dependente da esposa, mãe, ou na falta delas, de uma empregada para cuidar dele. Por outro lado, em geral, os homens são muito mais maduros do que as mulheres na área do trabalho, até porque são lançados nele mais precocemente: é a própria necessidade de sustento que os leva ao amadurecimento emocional na área profissional. Mas, vale dizer que a própria educação familiar faz a mulher crescer com a consciência de que é frágil e dependente do homem. Mas, aos poucos, esta situação está mudando e os pais têm percebido a necessidade de educar seus filhos para o mundo, para se tornarem autossuficientes, para aprenderem a lidar com as frustrações e assumir a conseqüência de seus atos.

Leia a entrevista completa aqui.

*Olga Inês Tessari é psicóloga clínica, perita, escritora, palestrante, consultora comportamental e coach. É autora dos livros “Dirija a sua vida sem medo” e “Amor X Dor”. Conheça melhor o seu trabalho aqui: www.olgatessari.com

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

2 thoughts on “Chegou a hora de crescer emocionalmente

  1. Olá Ana, Tudo bem?
    Mais uma lição que aprendi […] “Há pessoas que passam a vida toda numa eterna infância/adolescência porque a base da maturidade é a capacidade de tolerar a frustração”

    Bom, esperamos que 2015 seja um ano de mudanças certo? Um grande abraço e um lindo Natal pra você. Feliz 2015.

    1. Oi Raquel! Pois é, este é o ser humano! Que assim seja, um dos grandes benefícios da vida é a capacidade de transformação e mudança, pena que esta não seja uma verdade mais pulverizada. Grande abraço querida! Te desejo o mesmo em dobro!

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