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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
seja bem-vindo

Jung e o inconsciente

“De modo teórico, é impossível fixar limites no campo da consciência, uma vez que ela pode estender-se indefinidamente.

De modo empírico, porém, ele sempre alcança seus limites ao atingir o desconhecido. Este último é constituído por tudo aquilo que ignoramos, por aquilo que não tem qualquer relação com o eu, centro dos campos de consciência. O desconhecido divide-se em dois grupos de objetos: os que são exteriores e os que seriam acessíveis pelos sentidos e pelos dados interiores, que seriam o objeto da experiência imediata. O primeiro grupo constitui o desconhecido do mundo exterior; o segundo, o do mundo interior. Chamamos de inconsciente a este último campo.

quien-fue-carl-gustav-jung-ana-cruzTudo o que conheço, mas não penso em um dado momento, tudo aquilo de que já tive consciência mas esqueci, tudo o que foi percebido por meus sentidos e meu espírito consciente não registrou, tudo o que involuntariamente e sem prestar atenção (isto é, inconscientemente), sinto, penso, relembro, desejo e faço, todo o futuro que se prepara em mim e que só mais tarde se tornará consciente, tudo isso é conteúdo do inconsciente.

A esses conteúdos se acrescentam as representações ou impressões penosas mais ou menos intencionalmente reprimidas. Chamo de inconsciente pessoal ao conjunto de todos esses conteúdos. Mas além disso encontramos também no inconsciente propriedades que não foram adquiridas individualmente; foram herdadas, assim como os instintos e os impulsos que levam à execução de ações comandadas por uma necessidade, mas não por uma motivação consciente… (nesta camada ‘mais profunda’ da psique encontramos os arquétipos). Os instintos e os arquétipos constituem, juntos, o inconsciente coletivo. Eu o chamo coletivo porque, ao contrário do inconsciente pessoal, não é constituído de conteúdos individuais, mais ou menos únicos e que não se repetem, mas de conteúdos que são universais e aparecem regularmente.

Os conteúdos do inconsciente pessoal são parte integrante da personalidade individual e poderiam, pois, ser conscientes. Os conteúdos do inconsciente coletivo constituem como que uma condição ou base da psique em si mesma, condição onipresente, imutável, idêntica a si própria em toda parte.

Quanto mais profundas forem as ‘camadas’ da psique, mais perdem sua originalidade individual. Quanto mais profundas, mais se aproximam dos sistemas funcionais autônomos, mais coletivas se tornam, e acabam por universalizar-se e extinguir-se na materialidade do corpo, isto é, nos corpos químicos. O carbono do corpo humano é simplesmente carbono; no mais profundo de si mesma, a psique é universo.”

Carl Jung em Memórias, sonhos e reflexões, página 372 e 373.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

2 thoughts on “Jung e o inconsciente

  1. Na minha limitação eu levo algum tempo para compreender certas coisas, à exemplo desse trecho […] “De modo empírico, porém, ele sempre alcança seus limites ao atingir o desconhecido. Este último é constituído por tudo aquilo que ignoramos, por aquilo que não tem qualquer relação com o eu, centro dos campos de consciência”

    O mais importante, aos pouquinhos eu vou aprendendo!
    Uma boa semana pra você. Abs,

    1. Oi Raquel! Às vezes, ler o texto mais de uma vez, porém, em momentos diferentes, traz uma nova compreensão. Comigo pelo menos, funciona.

      Obrigada! Boa semana para nós! Bjs

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