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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Tinder – o aplicativo para relacionamentos

Participei do planeta Tinder a fim de realizar uma análise comportamental de quem o habita.

Não tenho e nunca tive medo de experiências. E de tanto ouvir falar do Tinder resolvi vivenciá-lo, digamos assim, a fim observar o comportamento das pessoas que o procuram. Bem, para quem não conhece, o Tinder é um aplicativo de celular cujo o objetivo é promover o interesse entre os seus participantes visando relacionamento amoroso sério (?).

tinder-logo-ana-cruz-psicanalista

Usei informações reais a meu respeito. Meu perfil dizia: Ana, 36 anos, psicanalista clínica, blogueira e apaixonada pelo comportamento humano. Amo meu cachorro, não vivo sem música e só funciono depois de um bom café preto. Sou ligada em 220v, durmo 5h por noite, não perco tempo com bobagem e o simples me cativa. Meu instagram – @anacruzoficial. Ocultei apenas o meu status, afirmava ser solteira e disponível.

Iniciei no período do carnaval e encerrei logo após a páscoa. Seguindo a dinâmica do aplicativo, estabeleci o seguinte critério de interesse: homens, num raio de 50 km, faixa etária entre 28 e 38 anos, e após um mês mudei a faixa etária para 38 e 48 anos. Dei um ‘match’ – o equivalente ao ‘like’ do facebook, em vários. Porém, você só pode interagir caso o sujeito também dê um match no seu perfil, sacou.

Segui uma espécie de roteiro padrão: meia dúzia de conversas pelo próprio Tinder, depois mais papo pelo whats, e por fim (com poucos) o encontro pessoal. Não, não ‘peguei’ ninguém. O que pude observar foi:

  • Há uma boa parcela de homens na faixa etária entre 28 e 38 anos que são comprometidos (namorando, noivos e casados) que buscam apenas o sexo casual e que não jogam limpo, isto é, vendem a ideia de que são solteiros, e lá pelas tantas admitem ser comprometidos;
  • Também nesta faixa etária há uma boa parcela de garotos de programa que o utilizam enquanto uma ferramenta de propaganda do seu trabalho e visam captar clientes;
  • Ainda neste target há aqueles que não se contentam e se emburram quando percebem que não rola nem um beijo sequer no primeiro encontro, e demonstram claramente, de modos diversos, sua insatisfação diante do desejo não realizado;
  • Já na faixa etária entre 38 e 48 anos, há boa parcela que é sincera ao afirmar ser solteiro e até deseja sim ter um compromisso sério, porém, demonstram grande insegurança e se perdem completamente na hora do encontro pessoal;
  • Também nesta faixa etária há uma boa parcela emocionalmente desequilibrada e frustrada por relacionamentos anteriores, que passam certo tempo idealizando a ‘mulher ideal’ que seria correspondente ao perfil (meu) apresentado, o da mulher independente e dona do seu nariz, porém, diante da concretização da idealização, simplesmente não sabem o que fazer;
  • Entre os 28 e 48 anos, há boa parcela que ministra com excelência a arte da auto-sabotagem e expurgam isso buscando coisas mínimas e bestas até para justificar – para si mesmos, o porquê de não levar adiante;
  • Entre os 28 e 48 anos, há também uma boa parcela de adultos adolescentes;
  • Entre os 28 e 48 anos, há grandes assassinos da língua portuguesa e não percebem o quanto isso é brochante;
  • Entre os 28 e 48 anos, ainda há resquícios intrínsecos do bicho homem, de modo implícito, que tremem as pernas diante do tal “mulherão” (mulherão este que falarei no próximo texto, aguardem!) que necessitam ter o domínio e controle da situação e sentem-se com o seu reinado ameaçado diante da possibilidade irreal de que isto não ocorra.

Sim, há aqueles homens que valem a pena. Não, não sei onde estão. Talvez abafados pela maioria dos seus ‘companheiros de luta’. O fato é que na realidade da vida, homens e mulheres, ambos portadores de desejos, carências, necessidades, estão mesmo é praticando o desencontro.

E você, teve alguma experiência no Tinder? Comente!

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

12 thoughts on “Tinder – o aplicativo para relacionamentos

  1. Somos os seres desejantes de sempre, e inventamos modos de nos encontrar, de saciar vontades, idealizadas ou não. A tecnologia só facilita encontros de quem sempre fomos com quem sempre desejamos que sejam.

  2. Muito interessante a análise.
    Diria até que é uma boa notícia para alguns homens, pois as mulheres já dizem que esta faltando homem no mercado e agora se sabe que a concorrência também está fraca.
    Mas homens que procuram a tal “mulher que vale a pena”, assim como aquelas que procuram o tal “homem que vale a pena”, também encontram muita lebre dizendo que é gata.
    Gostei do texto, parabéns e até mais.

    1. Oi Leandro! Muito obrigada! Gostei da tua perspectiva, de que a concorrência masculina está fraca. E também concordo contigo, há muitas mulheres por aí que são furada. Publiquei certa vez no meu facebook o seguinte: pessoas excessivamente carentes não se apaixonam, fazem reféns, então, fuja para as montanhas.
      Grande abraço!

  3. Oi Ana, tudo bem?
    Acho que não sou desse planeta rsrsr. Não conheço esse aplicativo mas diante do tema, eu penso que a dificuldade das pessoas não está no encontro mas sim, na suposta exigência do ideal. Tem muita gente acreditando que o mundo virtual faz “HOMENS e MULHERES PERFEITOS” não é? Abs,

    1. Oi Raquel! Acredito que é mais ou menos por aí, idealizações irreais projetadas no mundo virtual. O resultado: mais e mais frustrações. Olha, com certeza eu tb não sou desse planeta kkkkkkk.

      1. Ana, esse texto é para despertar!

        Eu acredito que o mundo precisa de pessoas como nós, nada modesta né? isso significa que somos reais e imperfeitas. Que maravilha! rsrsrs

        Uma boa semana pra você. Bjs.

  4. Olá! Muito legal seu comentário sobre o Tinder, entre outros. Li todos, muito proveitosos. No mês de maio, vou pedir para trocarem meu dia de folga, e marcar outro encontro no consultório. Andei tendo altos e baixos, mas os altos venceram os baixos.

    Um abraço.

  5. Boa tarde.

    Tenho algumas (muitas) impressões sobre o Tinder.

    Em primeiro lugar, é mundo extremamente idealizado, onde 90% das mulheres são lindas, chiques, elegantes, sinceras. Acredito que o lindas e chiques fiquem um tanto por conta de ser um app que não roda em qualquer celular e termina por fazer uma seleção econômica das participantes… fica fácil ser linda e chique com renda acima de 10 salários mínimos.

    Depois, percebo que muitas esperam um “príncipe encantado”, num estereótipo de “homem” muito em desacordo com as, tão em voga, lutas feministas. Elas dão o “like” e esperam que o homem articule toda a conversa, conduza tudo, respondendo tristes “aham… uhum… pois é”. Até entendo que muita gente seja pouco articulada e sem assunto, mas não acredito que esse mundo de lindas e loiras seja tão repleto de gente incapaz de uma simples conversa. Essas, jamais me verão ao vivo.

    Além disso, há aquelas que dizem na descrição que querem relacionamento sério, entretanto, na realidade, só querem sexo. O caso não é um julgamento moral, mas sim o quanto as mulheres ainda escondem seus desejos. E não é o caso de me conhecerem e desistirem de relacionamento, porque algumas já expõe isso no mundo virtual.

    E excetuando-se tudo isso, há carentes, chorosas, que ficam contando sobre experiências pregressas, que “arrastam correntes”, como se fossem as maiores vítimas que o mundo já viu. Somadas a muitas casadas, enroladas, namoradas, que querem viver aventuras… ou ter um homem extra, para o caso do que estiverem vivendo fracassar. Ou seja, elas não acreditam nem no que tem no real, como acreditariam em algo novo e virtual?

    Assim, nesse mar de vazio, futilidade e papo ruim, raras foram experiências no Tinder que, ao menos no início, parecessem promissoras.

    Enfim, conceituo o Tinder como um app para sexo… não mais que isso. E relacionamentos reais, sérios, nascidos lá, devem ser grande raridade.

      1. Oi Ana! Gostei muito do seu texto sobre o TINDER, para mim veio em boa hora, encontrei por acaso e adorei, há dias atrás não tinha conhecimento dele, mas de tanto ouvir as meninas mais jovens falarem fiquei curiosa. Mas confesso, fiquei desapontada, (mais uma vez). Estava com esperança de que fosse algo diferente de todos estes sites de relacionamento que tem por ai, dos quais muitos eu já conheço! Tenho tido muita dificuldade em encontrar um parceiro para um relacionamento que adoraria fosse sério! Atribuo à isso o fato de eu ser uma mulher madura com meus 58 anos bem vividos, sou viúva, mãe, experiente, bem sucedida, culta, elegante e reservada e também dizem que ainda sou muito bonita! Mas de nada valem esses atributos, pois os homens da faixa etária que busco, 48 à 65 anos, ou estão casados, ou já morreram, e os restantes buscam garotas beeeem mais jovens, as “lebres” à que o Leandro se refere, e também não lhes interessa mais um relacionamento com compromisso, só querem curtir! Compartilho da opinião do Régis quando diz ter muito pouca gente articulada e com assunto por ai, e isso vale para eles e elas. Porém ouço muitas queixas dos homens que as mulheres só sabem murmurar um “eh, ahã, é mesmo?”..Mas quanto ao comentário do Régis, infelizmente percebi um certo preconceito nas suas palavras sobre as loiras, nivelou por baixo todas as que por ai andam! Também sou uma delas! com muita honra!.. linda loira e diáfana, enfim, um mulherão como diz a Ana!…Mas algo estranho anda acontecendo com os homens e mulheres, tanto no real como no virtual! Não consigo entender!
        Obrigada Ana Cruz mais uma vez, com seu texto brilhante evitou que mais uma vez eu entre em uma roubada, não vale à pena!
        Valeu!…
        Abraço!

      2. Minha querida xará, adorei o teu comentário, super rico, muito obrigada! Fico feliz em saber que te ajudei de alguma forma. Continua acompanhando o blog! Ah, adoro sugestões de temas, quando pensares em algo, me envia!

        Grande abraço!

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