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THERAPIST ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Ah, o medo

O grande psicanalista Henrique Senhorini traz uma reflexão muito interessante acerca do medo: amigo ou inimigo? Leia e descubra!

Tenho grande admiração pelo trabalho do colega *Henrique Senhorini. Confesso que o seu blog Cine Freudiano foi um dos que me inspirou a ter o meu.

Neste texto apresentado na “Jornada Mal-Estar na Cultura: O Medo”, realizada nos dias 31 de agosto e 01 de setembro de 2012, ele nos traz uma reflexão muito interessante acerca do medo a partir da sua experiência pessoal. Pasmem todos aqueles que até então acreditavam que psicanalistas são seres mágicos e iluminados, que ‘não sentem essas coisas’.

Abaixo, segue parte deste rico material:

medo-ana-cruz“O que me levou a fazer essa reflexão foi o medo. Eu explico: a oportunidade de produzir um texto para publicação suscitou, em mim, uma sensação de surpresa, seguida por uma satisfação – misto de felicidade, reconhecimento, honra e lisonjeio. Mas isso durou muito pouco, porque após aceitar o desafio, assumir compromisso, e cair a ficha da real dimensão desse feito, da importância da publicação e o que ela representa em termos de transmissão, um frio congelante percorreu a minha espinha, de ponta a ponta.

Era disso que se tratava: o medo.

E, por um bom tempo, ele me causou certa paralisia, bloqueando o surgimento de um mínimo de organização na elaboração daquilo que me propus a fazer (o medo causa isso?).

Bem, a questão que não se calava era: como abordar o tema “Medo” sem cair na vala da Fobia e nem na do Pânico?

Dias seguiam e nada desse medo ir embora, ao contrário, na medida em que o tempo avançava – e eu não produzindo nada – a impressão era que ele aumentava.

Mas, medo de quê? Questionava. Medo de não conseguir me expressar de forma inteligível? Medo de fracassar? Medo de decepcionar? De não dar conta de minha frustração caso não conseguisse? Afinal, era medo de falar sobre o Medo?

Mas de repente não mais que de repente – lembrando o poeta Vinicius de Moraes –, a chamada “paralisia” foi dando lugar a um movimento. Não é que o medo em decepcionar, que poderia me fixar numa posição de nada fazer, de nada saber e de nada querer, promoveu justamente o oposto, me colocando em atividade mental e física? – (seria esse os dois lados da moeda do medo?).

Bem, aqui estou, porém nada tenho a ensinar, mas tenho algo a dizer: O Medo – Amigo ou Inimigo? E por que o medo surge e responde de forma diferente para cada um de nós? Por que para uns paralisa e para outros mobiliza? Freud nos ensina que o tipo da resposta de nossas escolhas depende da especificidade de cada sujeito e da singularidade da interação entre constituição psíquica e circunstâncias do ambiente e da história de cada um.

E vocês têm de medo de quê?

Na clínica, na minha clínica, o que aparece muito são pessoas que procuram entrar num processo de análise sem saber direito o que as levam até lá. Apresentam uma causa, mas na maioria das vezes e sem conhecimento prévio disso, é outra. Não raro, surge a questão do medo, mas ele vem disfarçado.

Bem, trata-se do medo da falta do amor do Outro. Medo de não sentir amor. Medo do desamor. Medo da perda do amor. Da perda do objeto de amor. Medo de não se fazer objeto de amor para Outro. E esse outro, esse grande Outro pode ser o Outro primordial (geralmente a mãe), o pai, o esposo/esposa, a sociedade, o capital, e outros, que vão ocupando esse lugar de suposta importância no decorrer da vida.

E, também, aparece na forma de medo em não ser reconhecido pelos colegas, pelos pares, pelo pai, pela mãe, como o melhor dos filhos, como o mais sociável, como o mais articulado, o mais clicado pelo facebook (Outro?), e por aí vai. Além desses, tem também um tipo de medo, esse talvez um pouco mais acentuado, que é o medo de descobrirem as nossas faltas, os nossos buracos, as nossas falhas, os nossos erros e enganos, e aquele bem escondido nosso lado obscuro, nosso Lado B, nosso lado Darth Vader.”

Leia o texto completo aqui.

*Henrique Senhorini é psicanalista, psicólogo clínico, supervisor clínico, palestrante, debatedor, ministrador de cursos breves e fundador do blog referência no tema cinema e psicanálise, Cine Freudiano. Conheça o seu trabalho aqui.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

3 thoughts on “Ah, o medo

  1. Também tem me feito questão esse significante medo. Faço uma analogia com o instinto e penso no animal com medo que para se preservar ataca. Se levarmos isso para o humano/ falante/ pulsional … o medo, o ataque, a violência… não quero dar mais sentido a esse real no momento mas algo está “fazendo barulho” por aí…

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