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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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A mentira e o “não fui eu”

Aquele momento em que você sabe que o que está fazendo é errado e/ou proibido, mesmo assim faz, e diante da descoberta mente, de modo consciente, alegando que não foi você.

Basicamente mentir é afirmar algo que não é verdadeiro. Agora se você pensa que é 100% ‘verdadeiro’ engana-se, pois, a mentira – seja ela na proporção que for, faz parte da vida de todos e pelos mais variados motivos, como por exemplo, a fim de evitar conflitos. Afinal, se falássemos somente a verdade provavelmente a convivência social como um todo estaria comprometida. Imagine você dizer para o seu chefe que na verdade ele é nota dez no quesito chatice. Ou então falar para a sua namorada que ela está gordinha. Cai a casa. Diante do receio do que possa vir, você não fala a verdade.

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Dentre os seus diversos aspectos, há um ponto específico que abordo aqui: a mentira consciente, isto é, quando o sujeito sabe que fez algo errado e mente conscientemente com o famoso “não fui eu”. Esta é uma prática muito presente na realização de delitos, crimes e também em vários atos de perversidade e selvageria. De acordo com o psicólogo Cesar Borella, o medo da punição é provavelmente a causa mais comum para as mentiras. “Após fazer algo que o indivíduo julga ser reprovável ou passível de castigo a mentira surge como uma forma de evitar a penalidade” afirma ele.

Uma condição muito comum que se vê consiste no sujeito que tem a crença de que será amparado e ‘protegido’ de qualquer forma, estrutura esta que geralmente é delineada no seio familiar, e também acompanhado do sentimento de onipotência, permeia sua conduta comportamental fixada no seu egocentrismo, isto é, na realização dos seus próprios desejos e necessidades. Esta certeza de proteção tanto pode ser verdadeira como imaginária, mas para o indivíduo o que interessa mesmo é fazer o que lhe interessa e ponto. “Não dá nada, eu sei que o pai/mãe/vó/fulano/beltrano segura a onda. Eu sempre dou um jeito. Eu sei o que eu estou fazendo. E qualquer coisa depois, é só dizer que não fui eu.”

#DicaDaTitia: pessoas orgulhosas e prepotentes beiram a incapacidade de admitir uma mentira objetivando afastar de si a angústia frenética diante do seu erro, mascarando muitas vezes o autojulgamento de inferioridade, e assim, conscientemente seguem sustentando uma mentira até onde for possível.

Borella coloca muito bem que existem pessoas que criam mentiras que tem a intenção deliberada de enganar os outros, a fim de obter vantagens, sejam elas quais forem; e que estas pessoas provavelmente sofrem de algum desvio de caráter e não descarta a hipótese de serem portadoras de alguma doença. Um exemplo de patologia é a pseudolalia ou mitomania, que consiste na mentira compulsiva, no vício em mentir.

#DicaDaTitia2: salvo as exceções, ninguém foge do superego e dos dissabores da culpa, independentemente de você admitir que foi você ou não. Isto irá consumi-lo por dentro pouco a pouco a cada dia, e com certeza, de alguma forma, você responderá pelos seus atos, é só esperar.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

3 thoughts on “A mentira e o “não fui eu”

  1. Ana, que interessante […] provavelmente sofrem de algum desvio de caráter e não descarta a hipótese de serem portadoras de alguma doença. Um exemplo de patologia é a pseudolalia ou mitomania, que consiste na mentira compulsiva, no vício em mentir.

    Uma situação: Trabalhei com uma moça que mentia sobre tudo. Eu não imaginava que podia ser uma doença.

    Pense numa situação boba (a boca suja de chocolate) alguém pergunta, você comeu o meu chocolate e ela respondia “NÃO” “NÃO FUI EU”. 99% das vezes a situação estava na mão, no rosto e nos olhos dela, tudo isso com direito a cena!

    Imagina perguntar: se você não comeu o chocolate por que o pacote está na sua mão? eram coisas até infantis. Mania? de onde vem a mania?

    Mas enfim, se isso pode ser uma doença, tem tratamento? Abs,

    1. Oi Raquel! Situação delicada desta moça com quem tu trabalhaste. Vai saber se não era patológico. Difícil definir uma origem específica para a mania, cada caso é um caso. A mania (do grego, loucura), basicamente, implica em: larga alteração comportamental + fixação em algo específico = prejuízos em geral. 😉

      Bjs

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