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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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O filho nasceu, a libido morreu!

5 perguntas sobre casamento, o primeiro filho e a falta de sexo entre o casal. É você?

Por mais desejado que seja, o primeiro filho mexe com o casal, pois há uma grande diferença entre o que se idealizou ao longo da gestação e como as coisas realmente são na prática. É comum o surgimento de conflitos que até então não existiam, impactando diretamente no alto índice de separação em até os cinco anos após a vinda do bebê. Uma das queixas mais comuns está centrada na insatisfação sexual do casal. E para falar sobre este assunto entrevistei a psicóloga clínica Juliana Carvalho Azevedo que gentilmente aceitou o meu convite (obrigada! =D). Confira abaixo 5 perguntas sobre casamento, o primeiro filho e a falta de sexo entre o casal. É você?

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Ana Cruz: a chegada do primeiro filho pode influenciar diretamente na ausência de sexo entre o casal. Por quê?

Juliana: quando nasce um bebê, este é totalmente vulnerável e necessita de atenção integral para seu desenvolvimento, e isso significa um dia inteiro voltado apenas ao bebê. Partindo dessa lógica, o pai, que colabora parcialmente, continua com foco em outras áreas, e uma delas que para os homens é extremamente necessária é a sexual. A falta de sexo nesse período causa muito estresse para o homem. Segundo o psicanalista Mário Corso, assim que nascem seus filhos, as mães entram numa espécie de bolha com seu bebê, porém, como bem pontua, esse período deve ser transitório, senão será prejudicial tanto para mãe, quanto para o pai e consequentemente, para o filho.

Ana Cruz: quais são as principais ‘reclamações’ em relação a vida sexual?

Juliana: muitas vezes, sem consciência, o homem começa a disputar a atenção da esposa com o filho. As reclamações são de toda natureza, inclusive, “fui trocado”. Além disso, muitos, pela falta de experiência e falta de conhecimento, chegam a pensar que o amor que a esposa dizia sentir, acabou. Alguns alegam “ela não me procura mais, acho que deixei de ser interessante”, ou seja, pegam para si a situação como se fosse pessoal, mas não é. Os discursos das esposas são quase sempre o mesmo: “não sinto vontade transar, é muita coisa para dar conta nesse momento, e isso me cansa”. A maioria das mulheres inventam desculpas de todas as naturezas, para fugir dessa “obrigação”, como pontuam. Essa é uma questão bem interessante de se destacar, quando o sexo já não é mais busca de prazer e passa a ser tratado como obrigação. Como podemos observar, são inúmeros, os fatores que se influenciam nesse processo.

Ana Cruz: por que muitas mulheres acabam apresentando uma baixa considerável na sua libido sexual, certas vezes chegando até a perder totalmente o interesse por sexo com o seu parceiro?

Juliana: libido é energia e toda energia que a mulher disponibiliza ela direciona para o bebê. Nesse momento, do nascimento, o comprometimento com o bebê é absoluto, pois a mãe busca defender seu filho de todo mal, além de tentar lhe prover tudo que tem de melhor; é nesse momento que o vínculo psicológico se estabelece. Psicologicamente falando, a mulher se sente mais maternal do que erotizada. O cansaço é um ponto inevitável, pois a rotina se torna bem cansativa, afetando para diminuição do desejo sexual. Além da rotina, os hormônios se modificam muito. Existe um aumento da prolactina para a produção do leite e paralelamente, inibição da ação dos hormônios femininos produzidos pelo ovário, o que causa, por exemplo, ressecamento vaginal. Essas alterações hormonais estão presentes com maior intensidade nos seis primeiros meses. Após esse período o casal deve estar atento para o restabelecimento normal da vida sexual, pois os hormônios estarão normalizados e a partir desse momento, a questão já não é mais física e sim psicológica.

 Ana Cruz: é natural o homem ter (e demonstrar) mais desejo sexual do que a mulher após o nascimento do primeiro filho?

Juliana: após o nascimento do filho, o homem não possui alterações hormonais, como a mulher. Além disso, o homem continuará com sua rotina e dinâmica de vida quase que intocável, ou seja, nada disso lhes afeta para falta de desejo sexual.

Ana Cruz: é correto afirmar que ‘se não há sexo no casamento, o melhor é buscar fora, afinal, é só sexo’?

Juliana: é muito mais fácil buscar sexo fora de casa do que tentar manter um bom diálogo com a parceira. Independente de qualquer coisa, tenho observado que o diálogo quase não existe entre os casais, eis aí o segmento de uma tradição muito antiga, onde a mulher só obedecia seu marido, sem questioná-lo e sem “atormentá-lo”. Ao buscar sexo fora do casamento, existe o rompimento da confiança e do contrato estabelecido inicialmente entre ambos, podendo gerar uma grande crise na relação. É importante que ambos, principalmente o homem, saibam tolerar esse período complexo.

Ana Cruz: como reacender o apetite sexual entre o casal?

Juliana: lembrando que sexo é algo muito importante entre o casal e a falta do mesmo fará que ambos tenham relação de irmãos, prejudicando muito na interatividade da família e podendo levar à separação. No início, logo após o parto, o marido deve tolerar esse período de bolha, tendo em mente que é um período necessário e transitório, posteriormente, o pai deve ajudar a mãe na tarefa de separação do filho, ou seja, o corte. Aos poucos, essa criança começará a perceber que essa mãe não é mais só dele, mas também do pai e de si mesma. Para tolerar esse período é necessário muito diálogo honesto entre o casal. Ambos precisam enfrentar a situação juntos, e não apenas cada um tentando dar conta à sua maneira: “mulher dando desculpas e os homens, procurando sexo na rua”. O homem pode contribuir com os afazeres domésticos, assim como a cuidar do filho, isso alivia muito o cansaço, possibilitando mais disposição para a mulher. Se houver esse diálogo, se houver o carinho, aos poucos a vida sexual voltará à tona. Independente do período, é importante que ambos não deixem que a vida sexual se torne uma rotina; uma boa dose de criatividade ajuda muito nesse momento. Se não consegue pensar no que fazer, dê uma passadinha num sexshop ou busque matérias a respeito do assunto; só não deixe que acabe, pois isso depende de cada um de nós. Além de colaborar com os afazeres, o homem também pode contribuir, fazendo elogios, convidando a mulher para sair, para ficarem a sós, etc.

Juliana Carvalho Azevedo é psicóloga clínica, formada pela Universidade de Taubaté. Criadora e administrado do grupo “psicosex” no facebook, voltado à discussões sobre sexualidade partindo da perspectiva psicológica. Atende na cidade de Taubaté/SP e seu telefone para contato é o (12) 3026-6949/ 98847-2265 Whatsapp. E-mail: azevedo.julianacarvalho@yahoo.com.br

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

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