Loading…

ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
seja bem-vindo

O corpo em terapia: a abordagem corporal na psicoterapia junguiana

*Lilian Marin Zuchelli e Marcela Alice Bianco

“Muitas das pessoas que nos procuram para um tratamento psicoterápico trazem, além das questões emocionais e comportamentais, relatos de sintomas de ordem física, como:

dores diversas (cefaléias, dores musculares, etc.), problemas gastrointestinais, cansaço, tensāo, desânimo, alterações do sono, do apetite, da memória, da concentração, da imagem corporal, entre muitos outros.

Também é notável que problemas como estresse, ansiedade, depressão e doenças em geral sempre apresentam sintomatologia física e psíquica associadas.

o corpo em terapia

Assim, este artigo pretende, de maneira simples e acessível ao entendimento do público geral, trazer alguns esclarecimentos sobre o uso de psicoterapias que utilizam a abordagem corporal como recurso terapêutico.

Em uma abordagem integrativa não podemos conceber a psique e o corpo como entidades separadas e isoladas. É preciso perceber o ser humano em todas as suas facetas e compreendê-lo como uma unidade integrada.

Nossos sistemas psíquico, neurológico, endócrino e imunológico estão totalmente interligados. E por isso, corpo e psique estão em constante inter-relação. O que acontece em um aspecto repercute no outro concomitantemente.

Assim, quando ficamos ansiosos, percebemos imediatamente uma alteração dos nossos padrões corporais. Eleva-se o ritmo cardíaco e respiratório, apresentamos sudorese e vários outros sintomas relacionados. Quando conseguimos, por meio de exercícios de respiração e relaxamento, equalizar o ritmo respiratório e cardíaco conseguimos amenizar também os sintomas ansiosos. Esse é um exemplo simples dessa inter-relação corpo-psique.

Além disso, também podemos levar em conta que o corpo é um arquivo de memórias. Nele estão gravadas e “impressas” todas as nossas experiências de vida, conscientes ou inconscientes e todas elas carregadas de afeto. Por meio do corpo revivemos e reexperimentamos sensações, emoções e sentimentos de experiências confortáveis ou traumáticas. Nossas memórias formam o tom básico pelo qual percebemos a nós mesmos e o mundo.

Muitos pacientes que sofreram traumas e abusos, por exemplo, relatam sensações corporais relacionadas a esses eventos mesmo após haver decorrido muito tempo. O corpo manteve o registro do acontecimento que, muitas vezes, é insuportável para a consciência reviver.

Por conta de toda essa complexidade, uma psicoterapia capaz de atentar também para as questões corporais pode ser um diferencial no tratamento. Nesse modelo é possível considerar a totalidade do ser humano e corpo-psique como uma unidade indissociável.

Através de técnicas específicas (como os toques sutis, a calatonia, técnicas de relaxamento, percepção corporal, movimentos expressivos, entre outras) o corpo, uma vez tocado e mobilizado, pode produzir efeitos fisio-psíquicos, como sensação de relaxamento e conforto, além de experiências sensitivas diversas como: memórias, imagens, emoções e sentimentos que podem ser verbalizados e elaborados trazendo clareza e possibilitando maior integração.

De acordo com Sandor Petho,

“o relaxamento… pela comutação dos processos fisiológicos, de suas autoregulações, ritmos, ‘memórias’, reagibilidades e coordenações, retroage sobre a afetividade, alterando de modo intenso, também as reações da personalidade. O resultado será, além do ‘descanso’, o ‘desatar’ interno, a introspecção e a reprodução construtiva de antigas vivências, atingindo-se assim, novas coordenações e estruturação psicobiológicas” (1982, p.6).

Por permitir um rebaixamento do nível de consciência e facilitar o acesso as camadas mais profundas da psique, as técnicas de relaxamento como a calatonia e os toques sutis, permitem que o material inconsciente venha à tona, podendo ser expresso e conscientizado pelo indivíduo. O contato com o próprio corpo e com a psique de uma maneira mais abrangente e profunda permite o descondicionamento de padrões egóicos que o indivíduo está acostumado. Surgem então, novos caminhos e recondicionamentos que auxiliam a pessoa reequilibrar suas potencialidades.

Através de uma relação de confiança, ética e respeitosa é possível fornecer uma nova mensagem ao corpo ferido e traumatizado. É possível criar memórias de conforto que possam se sobrepor as anteriores e com isso, alcançar uma nova forma de perceber e ser no mundo.

Esse diálogo entre corpo e consciência pode auxiliar de maneira ímpar na dissolução de sintomas, reorganizando a psique. Assim, é possível trazer um novo equilíbrio para o indivíduo e promover saúde física e emocional.”

Lilian Marin Zuchelli – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana pela PUC-SP. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Institiuto Sedes Sapientiae.

Marcela Alice Bianco – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae.

Via contioutra.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

6 thoughts on “O corpo em terapia: a abordagem corporal na psicoterapia junguiana

  1. Olá Ana,

    Lembrei de uma situação – eu comentava com a terapeuta: quando eu estava estressada bastava uma sessão de shiatsu que todos os problemas ficavam para trás. Em 20 minutos eu estava bem. Alegre, disposta, cheia de ideias enfim, eu saía da sessão outra pessoa. Eu sempre tive uma reação positiva diante de um shiatsu. Hoje eu entendo o porquê!

    Outro ponto: Também fui descobrindo os porquês das reações físicas e esse entendimento só surgiu depois de algumas sessões de análise e com isso, uma vida melhor!

    Por fim, continuo acompanhando seu blog – aqui eu sempre encontro temas relevantes. Um grande abraço,

    1. Raquel querida! O shiatsu é uma maravilha mesmo, já fiz. Muito bem, é isso aí, nosso maior compromisso é com a gente mesmo e precisamos investir em soluções. Muito obrigada pelo carinho, continue acompanhando! Ah, e podes me enviar sugestão de tema, adoro recebê-los dos meus leitores 🙂

  2. Excelente explicação. Se o corpo humano é composto de: corpo, alma/psiquê e espírito, todos se desequílibram igualmente, então, nesse caso, todos necessitam ser avaliados. Gostei!

Deixe o seu comentário