Loading…

PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
seja bem-vindo

11 perguntas de um leitor do blog para mim

E se você, leitor do meu blog, tivesse a oportunidade de me entrevistar, o que perguntaria?

Em janeiro de 2016 meu blog completará três anos. Até aqui são mais de 160 mil visitas distribuídas em quase 100 países diferentes. Para mim, um puta motivo de orgulho. Meu blog, um filho. No entanto estes dados só existem graças a vocês leitores. A fim de agradecer o carinho de todos resolvi fazer algo diferente, convidei uma das tantas pessoas que me acompanha desde o início e com quem mantenho contato direto através das minhas redes sociais para me entrevistar. Ela se chama Annie, é uma figuraça que gosto muito e topou na hora. Poderia perguntar o que quisesse de qualquer área da minha vida. Confira abaixo como foi:

Ana Cruz entrevista

Annie – Quando você decidiu que seria psicóloga?

Só esclarecendo, não sou psicóloga, e sim psicanalista. É interessante como muitos confundem, mesmo que sem querer. Viva o inconsciente kkkkk. Bem, decidi ser psicanalista quando estava em processo de estudos sobre o comportamento humano – sou especialista em comportamento humano de consumo, e em paralelo atravessava uma crise existencial na minha vida profissional. Não estava feliz e muito menos satisfeita com a minha atividade anterior. E quando me deparei com a psicanálise com um pouco mais de propriedade, me apaixonei e disse para mim mesma: é isso que eu quero. A partir deste dia fui atrás do tripé psicanalítico (terapia, teoria e supervisão) e não parei mais. Me encontrei totalmente, quero praticá-la até meu último suspiro.

Annie – Sua formação é em que base, pois dentro da psicologia sabemos que existem várias ramificações?

Minha formação base é em marketing e trabalhei anos nesta área, incluindo uma multinacional. É importante colocar que não há pré-requisitos de conhecimentos específicos para realizar a formação em psicanálise, desde que seja nível superior, pois é uma especialização, pós-graduação, enfim. Vejo a psicologia e a psicanálise como primas-irmãs que se dão muito bem, o homem é que vez ou outra é que as colocam em conflito.

Annie – Você já lidou com situações difíceis em consultório que você sentiu dificuldade em não se envolver com problema do paciente ou sofreu junto?

Sim, principalmente no início do atendimento clínico onde há aquela dose de euforia e adrenalina naturais de quem quer ver e colocar em prática o que tem em teoria. Tive uma paciente que vivia um relacionamento destrutivo seríssimo do qual não conseguia se desvencilhar onde me vi exatamente com grande dificuldade de não me envolver emocionalmente. Mais do que nunca a supervisão é primordial, pois é um outro profissional com uma percepção de fora e que ajuda a dar o ‘molde’. Com o tempo e a prática, se aprende a não se envolver. Sigo a linha de Jung, mais humana, por identificação, agora ser humano em atendimento não significa sofrer junto e/ou tomar o problema para si.

Annie – Você já pegou algum caso de alguém com algum transtorno grave tipo um pedófilo, um psicopata, etc?

Boa! Um dos meus cinco primeiros pacientes foi um sujeito com tendências a psicopatia. Lembro até hoje quando levei o caso para o meu supervisor na época. Ao terminar minha exposição, a primeira coisa que ele me perguntou foi: “o prédio do teu consultório é seguro? Se acontecer alguma coisa em sessão tu tens como pedir ajuda?” Perversos são desafiadores enquanto tratamento e sei de colegas que por livre arbítrio não os atende. Eu atendo numa boa e aprendo muito com eles sobre as mais diversas complexidades que o ser humano é capaz de desenvolver.

Annie – Você utiliza o que você sabe na sua profissão para se proteger na sua vida pessoal? (por exemplo você logo percebe determinados padrões que uma pessoa sem seu conhecimento não saberia identificar na fisionomia, jeito de falar, agir etc).

No início da atividade eu me cobrava muito sobre isso, achava que não era correto usar na minha vida pessoal os meus conhecimentos profissionais. Mas com o tempo e principalmente após um determinado evento negativo que sofri passei a, digamos, observar as pessoas da minha vida pessoal com um olhar um pouco mais aguçado para me preservar e também ser muito mais seletiva do que era anteriormente. Não, não passo 24 horas analisando as pessoas até porque ficaria louca e isolada socialmente, porém passei a dar mais vez e voz para o meu potencial intuitivo que ficou mais aguçado com a prática profissional. Vide Jung e a intuição.

Annie – Você alguma vez se tornou amiga de algum paciente, o que você acha dessa relação de ética, amizade entre profissional e paciente?

Interessante esta pergunta. A questão é o que se compreende por amizade? Bem, dentro do meu conceito – onde em resumo há troca de informações diversas um sobre o outro, e também o convívio – não. Sinceramente acredito que deve se ter muito tato, mas acho algo perfeitamente natural que possa acontecer, desde que não exista mais a terapia. Se há aqueles que se apaixonam mutuamente e namoram, então, porque não a amizade.

Annie – Na sua vida pessoal muitas pessoas vêm te pedir conselhos?

Não, acredita! Pouquíssimas pessoas me pedem conselhos, pelo menos nas minhas relações pessoais. Agora muitas pessoas que não conheço me pedem a famosa ‘luz’. Recebo em média entre 80 e 100 e-mails por dia com as mais diversas histórias que tu possas imaginar. Leio, respondo e deleto para preservar a confiança que me depositam.

Annie – Você já errou bastante e sofreu apesar de tudo que você sabe e estuda?

Não deixei de errar porque não deixei de ser humana. Pratico a autoanálise, desenvolvi este hábito e posso afirmar que não repito erros velhos, apenas novos. Muito do que publico aqui no blog, eu pratico na minha vida. Agora, não acredito na perfeição.

Annie – Você faz terapia?

Fiz terapia mais de uma vez na minha vida e tive alta do meu último processo por ter alcançado o objetivo que desejava. Sou muito consciente da necessidade de manter a minha saúde psicoemocional em ordem em função do meu trabalho, logo, não me faço de rogada, se sinto que há necessidade, prendo o grito.

Annie – Você tem medos e fobias?

A questão não é ter medo, e sim como se reage a ele. Tenho medos diversos, de assalto, por exemplo, no entanto, tenho o controle sobre ele. É um exercício mental importante e necessário. Aquilo que tu não tens controle, te controla sacou. Mas tenho fobia a altura. Chega ser engraçado, porque amo viajar. Se é uma viagem de avião, faço todo um trabalho psicológico comigo mesma antes da data, como se fosse um preparo emocional. É toda uma função kkkkkkkkk

Annie – Qual foi sua intenção ao criar o blog e hoje depois desse tempo todo o que você acha que conseguiu através dele? Você espera daqui pra frente o que com ele e o que ele te trouxe que você não tem preço?

Adorei esta pergunta! Criei o blog para dividir a teoria com quem quisesse ler, afinal, acredito que conhecimento não é propriedade privada, pelo contrário, é algo coletivo e que deve ser compartilhado, por isso utilizo uma linguagem simples e descomplicada para que todos possam entender. Escrevo para o público leigo. Queria também que fosse um recurso útil para que as pessoas de modo geral pudessem entender determinadas questões das suas vidas sem a necessidade de uma consulta, ou até para que fosse o pontapé inicial para buscar um profissional. E sempre amei escrever, desde guria, nunca gostei de diário e sim da escrita livre. Lembro até hoje quando olhei as estatísticas do blog e vi que tinha batido 50 visualizações, dava pulos de alegria. O blog foi além do que eu imaginava, ser lida em diversos países atualmente é uma realização incrível. É por causa dele que recebo tamanha quantidade de e-mails e adoro essa troca que ele me proporciona, isso não tem preço. Sou apaixonada pelo comportamento humano. Desejo que ele continue sendo uma fonte benéfica de informações, de esclarecimento, de auxílio, de apoio. Ele é um dos meios que tenho de contribuição para a sociedade e isto ninguém me tira.

Annie querida, #gratidão!

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

4 thoughts on “11 perguntas de um leitor do blog para mim

  1. Obrigada Raquel e Ana!
    Adoro o blog e sempre me ajuda em questões pessoais, Ana vc tb é mto importante pra mim e acho que vc não faz ideia!

    Bjos pras vcs!

  2. Olá Ana,
    Que bacana! perguntas inteligentes com respostas elegantes. É bom saber que tudo na vida exige ousadia e determinação. Muita gente precisa ler esse texto!

    Com relação ao seu blog:
    Sempre o enxerguei com positividade e costumo dizer, nesse universo virtual onde muitas coisas são sem noção, podemos encontrar a “Ana Cruz” que dá uma lição de vida em cada tema que publica. Parabéns pelo trabalho.

    Um abraço fraterno e um ótimo final de semana,
    Raquel

    1. Raquel querida! Muito obrigada pelo carinho! A Annie é uma pessoa incrível, adorei conhece-la e, principalmente, ter e manter contato com ela. Pois é, e como diz aquele velho ditado, nada é de graça nessa vida. Confesso que fiquei sem palavras em relação ao meu trabalho/blog, GRATIDÃO! Tu és um exemplo do que me motiva a mantê-lo, ainda que atualmente com a frequência de publicações abaixo do que desejo em função do meu volume de atividades que tenho.

      Um bj grande no teu coração!

Deixe o seu comentário