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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Redes sociais, alta exposição e vulnerabilidade

A busca desenfreada por atenção, likes e seguidores pode colocar a sua vida em risco e você nem percebe.

Então você possui conta, pelo menos, nas principais redes sociais da atualidade – facebook, instagram e twitter – e publica absolutamente tudo a seu respeito: onde está e/ou onde estará, o que está fazendo e/ou fará, o que gosta de comer, ouvir, sua cor favorita, seu chororô, seus dissabores em relacionamentos anteriores, suas necessidades, desejos, sonhos, diariamente e nos sete dias da semana.

redes sociaisAs causas são inúmeras, porém, eis alguns perfis comportamentais mais comuns observados que levam o sujeito a esta prática de utilização das mídias sociais: os que não se dão conta e ‘vão na onda da galera’; os que afirmam que ‘o perfil é seu e publica o que quiser’; os que competem entre si dentro do seu nicho; os desesperados pelos seus ‘cinco minutos de fama’; os excessivamente carentes por qualquer tipo de atenção; e também os que de modo totalmente fantasioso acreditam no seu imaginário estarem dando uma ‘forcinha’ ao destino e assim que o seu príncipe ou princesa o encontre.

A perversão e seus desdobramentos está para todo e qualquer ser humano. Exemplificando: erroneamente se tem a ideia de que um psicopata é um sujeito que come criancinhas, tortura qualquer um tipo no filme ‘Jogos Mortais’ e comete crimes a revelia. Nem todo psicopata tem perfil e conduta criminosa, pelo contrário, são pessoas comuns, encontradas facilmente no trabalho, nas amizades, nas festas, e também se fazem presentes nas redes sociais.

Hoje em dia é muito importante o aspecto da criminologia, o papel da vítima na questão criminal. Geralmente o criminoso bem como o sujeito com propensão a prática de maldades e também aquele portador de fragilidade nos freios inibitórios no nível moral – a questão do caráter, está à procura de uma brecha, uma barreira, na situação de vigilância da vítima. O crime não é a tônica do cotidiano, ele acontece em patamares menores do que razoabilidade, isso graças aos mecanismos de defesa, de proteção da própria vítima. A contrapartida disso é quando ela adota uma posição de vulnerabilidade, expondo-se em demasia nas mídias sociais, compartilhando e confiando em pessoas as quais ela não conhece. No cotidiano isso acontece muito principalmente com as mulheres.

Onde há oportunidade – no caso, a vulnerabilidade, há risco. Logo, quem tem cautela, não desperta o interesse. Geralmente as pessoas-alvo são as muito carentes, independente do gênero, preferência e opção sexual. O chacal se traveste no perfil ideal para o outro fazendo com ele se iluda e assim vendendo a ideia do príncipe/princesa que preencherá seus vazios. E a mídia social aberta propicia muito isso a partir do instante em que tu não dá a tua cara num primeiro momento, tudo está mascarado atrás de uma tela onde o mentir e ocultar pode se tornar a regra do jogo. Qualquer um pode ser o que quiser.

É saudável e muito bacana conhecer pessoas de diversos lugares diferentes, trocar informações, conhecimento, vivências, experiências, porém, o bom uso das redes sociais se dá basicamente através da prudência. Apenas cuide-se para ali na frente não se tornar uma vítima da sua própria conduta.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista e Bolívar Llantada – delegado e chefe do GOE do Rio Grande do Sul

3 thoughts on “Redes sociais, alta exposição e vulnerabilidade

  1. Para além disso, as redes sociais emburrecem, de certa forma.

    Já que seu nível de contato é raso e rápido, ela condiciona os sujeitos a lidarem com a vida de maneira rasa e rápida. Não se tem mais paciência para ler um livro de 200 páginas, só tweets de 140 caracteres.

    Isso, óbvio, não está descolado de nossa época. A liquidez das relações atuais são fonte de inúmeras questões e angústias. Como saber se vale à pena ou não se expor no facebook? Como deixar de se expor se a exposição é a regra?

    Enfim, eu cheguei até a falar sobre isso aqui: https://colunastortas.wordpress.com/2013/07/22/modernidade-liquida-o-que-e/

    Há, inclusive, diversas outras características que são tipicamente da modernidade líquida e ainda achamos serem nossa salvação.

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