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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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Sem limites: uma história real

Uma mulher, o seu marido e uma amante que ela tinha ‘certeza’ que existia. E passou dos limites para ter ‘tudo resolvido’.
Certo dia fui procurada por uma colega aqui de Porto Alegre pois tinha uma paciente sua que adorava o meu blog e, inspirada em outras reais que já publiquei, resolveu contar a sua história a fim contribuir para uma grande reflexão. O seu caso é muito mais comum do que se pode imaginar. Os nomes verdadeiros de todos serão preservados a fim de se manter a privacidade. Confira abaixo a íntegra do texto escrito por Camila:

sem limites - uma história real
“Resolvi contar a minha história no blog da Ana Cruz porque gosto muito do seu trabalho e acho que ajudaria outras pessoas. A dra. Maria minha terapeuta também concordou e a procurou num primeiro momento. Bem, eu me chamo Camila e tive dois filhos com o Cláudio meu ex-marido. Ficamos juntos por onze anos. Eu sempre fui a famosa mulher de personalidade forte, já o Cláudio mais passivo. Vivemos muita coisa juntos. Altos e baixos como qualquer casal. Mas a nossa relação começou mesmo a desandar depois que veio o primeiro filho e em seguinda tive o segundo, dois guris. Perdi o tesão sexual, estava sempre cansada. O Cláudio era muito compreensivo. Chegou uma época que ele não me procurava mais e de início não dei bola, mas depois comecei a me atucanar.
A gente morava no quinto andar de um edifício e tinha uma vizinha do segundo andar que era toda bonitona, simpática, magra. Logo que nos mudamos fizemos amizade com ela, tomamos chimarrão algumas vezes. O Cláudio também sempre foi muito simpático, muito ‘dado’ como se diz. Depois do primeiro filho tudo passou a incomodar, inclusive essa vizinha. Engravidei do segundo logo em seguida. Eu já sofria de ansiedade crônica e voltei a ter crises com frequência. Tudo me irritava. Um dia me irritei com o Cláudio porque ele a elogiou, a tal vizinha. Fiquei com uma pulga atrás da orelha. Afinal, ele tinha que passar pelo andar dela para chegar no nosso apartamento e o prédio não tinha elevador.
Eu jamais iria admitir uma traição, mas o que realmente me incomodava na época era outras coisas, eu nunca aceitaria uma separação porque a família dele nunca gostou de mim e isto seria perder para eles. Eu tinha que manter a pose e estava disposta a fazer o que fosse necessário para manter o meu casamento. A primeira coisa era confirmar se os dois estavam mesmo tendo ‘lance’. Procurei uma cartomante que um amigo me indicou. Paguei né, não foi de graça. Eu estava tão cega de ódio, raiva que não me toquei que a tal cartomante me passou a perna, me disse só o que eu queria ouvir, que sim, que o Cláudio estava me traindo e me deu uma descrição generalizada de uma mulher qualquer que eu acabei deduzindo que era a vizinha bonitona. A tal cartomante disse que seria necessário mais alguns encontros (pagos) para afastá-los, blá, blá, blá. Saí de lá pensando como eu faria para ter uma prova concreta.
Bingo! Lembrei da Roberta, uma vizinha que morava bem lado da vizinha bonitona. A gente nunca teve proximidade, mas o que eu queria era uma prova do caso dos dois pra esfregar na cara deles que eram canalhas. Foi mais fácil do que eu imaginava. Alguns papos no hall do prédio, encontros no supermercado, nos adicionamos no whatsapp e meu plano era perfeito. O papel da Roberta era ficar de olho em tudo o que a vizinha bonitona fazia pra depois eu dar um flagrante no Cláudio.
Prédio novo tem parede fina e então era fácil da Roberta ouvir e me falar as coisas. Eu queria acabar com a vida da bonitona porque eu acreditava que ela era a culpada pela crise no meu casamento. Meses se passaram e nada que comprovasse o caso do Cláudio com ela. A bonitona tinha uma vida muito discreta, na dela. E sexo entre nós, nada. Eu mexi algumas vezes no celular e no computador do Cláudio quando ele estava no banho ou dormindo, e também não encontrava nada. Mas eu ainda acreditava naquela cartomante.
O meu plano se arrastou por quase um ano. Fiz o que estava ao meu alcance para que ela se irritasse, para que ela ‘pagasse de louca’, desequilibrada e no meio de um chilique abrisse a boca. Nada funcionou. Um dia a Roberta me falou que a vizinha bonitona tinha um cara, só não sabia se era namorado, marido, namorido, sei lá o que. Pensei na hora ‘tá, mas e o meu marido??’. Uma semana depois disto rolou uma festa da empresa do Cláudio e aí veio a bomba. Um colega seu bêbado acabou falando demais e entregou o jogo, que há tempos estava rolando um ‘clima forte’ entre o Cláudio e uma outra colega de trabalho deles. Quase morri, lembrei da cartomante na hora! Eu conhecia essa colega e ela e a vizinha tinham as mesmas características físicas. Fiz tudo errado.
O que eu não esperava é que a vizinha bonitona já estava desconfiada que a estavam vigiando. Assim como foi fácil pra mim, foi fácil pra ela e quem entregou o jogo… a Roberta. O caso foi parar na polícia e na justiça. Perdi meu marido e ele conseguiu a guarda dos nossos filhos. E assim cheguei na dra. Maria. Tudo isso aconteceu já faz um certo tempo e ainda me dói. Ver o preço que paguei por minha causa. O problema não era a cartomante, a vizinha bonitona, era eu o tempo todo. Não foi fácil escrever este texto, mas toda vez que vejo no facebook e no intagram gente postando fotos tentando passar uma imagem de que ‘tá tudo bem, tudo lindo’ lembro que eu fazia a mesma coisa e por trás dessa máscara passei totalmente dos limites, e não gostaria que outros filhos vivenciassem o sofrimento que os meu filhos passaram. Mulheres, quando vocês tiverem algum problema no seu relacionamento, lembrem de mim e procurem uma terapia. Se eu tivesse feito isso talvez conseguisse ter superado a crise no meu casamento e não teria causado tantos problemas. Me arrependo e não tem volta.”

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

3 thoughts on “Sem limites: uma história real

  1. Infelizmente muita gente só busca ajuda depois de chegar no limite do desespero, eis aqui o maior dos aprendizados “buscar ajuda no meio do caos”. Não é uma tarefa fácil mas é uma tarefa possível. Melhor recomeço: Uma terapia – Uma análise. Nada melhor do que aprender a conhecer a si mesmo.

    1. Concordo contigo! O caso desta moça ilustra o quanto muitas vezes se segue pelo caminho mais tortuoso e o quanto de prejuízo se provoca. Reconhecer a necessidade de ajuda profissional e conhecer-se é o sem dúvida o mais assertivo.

  2. Sempre tem volta, quando existe o amor! Leia abaixo:
    “1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

    2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

    3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

    4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

    5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

    6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

    7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

    8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

    9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

    10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

    11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

    12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

    13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” 1 Co 13.1-13.

    Se vc o ama, irá superar tudo! O primeiro passo é reconhecer o seu erro e pedir perdão por tudo o que fez. Perdão está relacionado com mudar de atitudes! Então, além de pedir perdão, mude a sua atitude!

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