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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Cuidando da vida alheia

Quem cuida mais da vida do outro ao invés da sua é…
É interessante observar a proporção da conduta do Eu diante da força do desejo do indivíduo somado, claro, a outros elementos como caráter, traços comportamentais e personalidade, por exemplo. Há de se considerar também a distorção de valores praticadas com maior veemência nos últimos tempos e de grande influência coletiva pela indústria do entretenimento onde é ‘legal’, ‘bacana’, ‘divertido’ invadir a privacidade e acompanhar a vida alheia.

O encontro desequilibrado entre o individual (o Eu e os seus recursos interiores) e o coletivo (o global e recursos exteriores) resulta em tornar a vida alheia quase em primeiro plano, ultrapassando os limites do que se pode considerar o normal.  Projeções e mais projeções do Eu perdido em seu meio respingando no outro que nada tem a ver.

snooping

No cotidiano impera cada vez mais interesses pessoais de mãos dadas com a presunção de pessoas emocionalmente pobres e ocas onde também engloba os fofoqueiros. Se faz plantão nas redes sociais, usa-se (ou pelo menos tenta) programas espião no computador e grampo telefônico – atuações criminosas, vizinhos, secretárias; é um tal de ‘vale tudo’ e ausência de limites  que por vezes dá vontade de fugir para Nárnia.

Quem cuida mais da vida do outro ao invés da sua é, em essência, um sujeito frustrado que traz consigo o subdesenvolvimento psicológico. É alguém incapaz de gerenciar o todo da sua própria vida. Que vive um mundo totalmente irreal e fantasioso onde ‘tudo posso’ a fim de ofuscar para si a sua própria escuridão. Nega a realidade, abraça-se na soberba e beija com furor a inveja.

Meu amigo Fritz Perls já tinha cantado a pedra que na projeção (citada acima) deslocamos a barreira entre nós e o resto do mundo exageradamente a nosso favor, de modo que seja possível negar e não aceitar as partes da nossa personalidade que consideramos difíceis, ou ofensivas ou sem atrativos. Por exemplo, indigentes afetivos cuidam mais do outro numa tentativa de eliminar os vazios que lhe preenchem e manter o seu objeto de afeto voltado exclusivamente para si. Pessoas controladoras cuidam mais da vida do outro para ter a falsa certeza de que tudo ocorrerá de acordo com a sua verdade, afinal, com a sua própria vida está tudo correto. Megalomaníacos cuidam da vida alheia diante do desejo excessivo de poder, de glória e também por um sentimento ilusório ligado à crença na onipotência. Ressentidos cuidam mais da vida do outro por não superarem suas mágoas.

Note que o eixo comum é o Eu e suas necessidades primitivas. Note também que a função do outro é de coadjuvante aos comprometimentos psicoemocionais daquele que é o personagem central do enredo.

#Fato: a vida do outro torna-se mais importante do que a sua porque no fundo, a sua é desinteressante para si mesmo.
#Fato: o que você faz com o outro, com certeza, em algum momento, há alguém que fez ou está fazendo o mesmo com você.
#Fato: cuidar da sua própria vida faz um bem danado para você mesmo. Liberte-se. 😉

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

2 thoughts on “Cuidando da vida alheia

  1. Merece ser compartilhado! […] Quem cuida mais da vida do outro ao invés da sua é, em essência, um sujeito frustrado que traz consigo o subdesenvolvimento psicológico. É alguém incapaz de gerenciar o todo da sua própria vida. Que vive um mundo totalmente irreal e fantasioso onde ‘tudo posso’ a fim de ofuscar para si a sua própria escuridão. Nega a realidade, abraça-se na soberba e beija com furor a inveja. […] #Fato: a vida do outro torna-se mais importante do que a sua porque no fundo, a sua é desinteressante para si mesmo.

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