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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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A Zona de Conforto

Evitar a dor não seria um problema se fizéssemos isso uma ou duas vezes por ano. Porém, para a maioria de nós, é um hábito profundamente arraigado. Ficamos atrás de um muro invisível, entrincheirados, e não nos aventuramos a sair de trás dele porque além do muro está a dor. Esse espaço seguro é a Zona de Conforto. No caso mais extremo, a pessoa se esconde atrás das paredes reais de sua casa, com medo de se aventurar no mundo lá fora. Isso é o que significa ser agorafóbico. Contudo, para a maioria de nós, a Zona de Conforto não é um lugar físico, é um estilo de vida que evita qualquer coisa que possa ser dolorosa.

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Por mais estranho que pareça, meramente escapar da dor não é o suficiente para nós. Insistimos em substituir a dor pelo prazer.
Fazemos isso com um conjunto interminável de atividades viciantes: navegar na internet, drogas e álcool, comidas gostosas. Até apostas e compras compulsivas são tipos de prazer. Todos esses comportamentos são generalizados – todos nós fazemos parte de uma cultura em busca de sua Zona de Conforto.
A sensação proporcionada por esse mundo alternativo é como um banho morno, agradável e reconfortante, como se, por um momento, você estivesse de volta ao útero materno. Essas atividades “banho morno” só fazem nos debilitar ainda mais. Quanto mais você se esconde no banho morno, menos disposto se torna a lidar com a ducha fria da realidade.
Pergunte a si mesmo quais são suas atividades ‘banho morno”. Quanto mais frequentemente você cede a um determinado impulso, maior a probabilidade de que o esteja usando para criar uma Zona de Conforto.
Não importa do que consiste sua Zona de Conforto; você paga um preço alto por ela. A vida oferece infinitas possibilidades, mas junto com elas vem a dor. Se você for incapaz de tolerar a dor, será incapaz de viver plenamente.
A suposta finalidade da Zona de Conforto é manter sua vida segura, mas o que realmente faz é manter a sua vida limitada. Ainda assim, apesar do terrível preço que pagamos, não deixamos a Zona de Conforto. Por que não? Porque somos mantidos lá pela fraqueza moderna por excelência: a necessidade de gratificação imediata. A Zona de Conforto nos faz sentir bem no momento. Quem se importa com qual será o castigo futuro? Porém o castigo vem, trazendo consigo a pior das dores: saber que você desperdiçou a sua vida.
Somos uma sociedade treinada para esperar, até mesmo exigir, gratificação imediata. E temos uma capacidade extraordinária de racionalizar essa fraqueza. Acabamos com uma visão de mundo distorcida, que faz com que a fuga pareça a coisa certa a se fazer, até mesmo corajosa e idealista. Este é o pior de todos os pecados: mentir para nós mesmos. Ele faz com que a mudança se torne impossível.
Alguns poucos indivíduos se recusam a viver vidas limitadas. Passam por enormes quantidades de dor – desde rejeições e fracassos até momentos mais breves de constrangimento e ansiedade. Eles têm algo que lhes dá a força necessária para suportar a dor: um senso de propósito. O que fazem no presente, não importa quão doloroso seja tem um significado em termos do que querem para o futuro. Quem foge da dor só se preocupa com a gratificação imediata; não assume responsabilidade por seu futuro.
Quando você se esconde na Zona de Conforto, a vida se torna um buraco negro, consumindo-se em si mesmo.

Baseado no livro The Tools, escrito pelos psicanalistas americanos Phil Stutz e Barry Michels, considerados referência mundial na atualidade, e uma das bases de desenvolvimento do meu trabalho.

Grande abraço
Ana Cruz – psicanalista

10 thoughts on “A Zona de Conforto

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