Loading…

PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
seja bem-vindo

O amor romântico e os conflitos nos relacionamentos

Dentre os mais de cem emails que recebo, em média, diariamente, o quesito conflitos nos relacionamentos amorosos desponta em primeiro lugar e existe um fator que percebo nitidamente: o choque entre o real e o imaginário. Calma, eu explico, vem comigo.
Certo dia vi no twitter a seguinte colocação da psicanalista Regina Navarro Lins “no amor romântico não se percebe a pessoal real como ela é, e a paixão é pela imagem que se constrói dela, pelo que se gostaria que ela fosse.” Senhoras e senhores, aqui nasce as conturbações e batalhas entre diversos casais.


No amor romântico prevalece o elemento imaginário construído a partir das projeções dos nossos desejos e necessidades, sejam eles quais forem. Assim, ilustramos o outro de acordo com o espectro fantasioso do nosso eu. Um ponto chave é a crença de que tudo é e continuará sendo lindo, maravilhoso, colorido e incrivelmente ‘perfeito’.
Para que você meu querido leitor possa entender melhor, vou citar um caso clínico real: uma moça me procurou certa vez, pois estava esgotada com o cenário de guerra que havia se formado com o seu namorado. Ela era bem pequena quando seu pai abandonou a família. Passou a sua vida fantasiando aquela figura de pai que se vê nos filmes, atencioso, amoroso e dedicado. Tudo muito romântico. Em todos os seus namorados ela projetava essa necessidade emocional de cuidados paternos irreal, e com o último não foi diferente. Exigia dele de modo exessivo amor, cuidado e atenção quase exclusivos. Sufocava e não percebia. Suas brigas começaram quando com o passar do tempo havia a incompatibilidade entre o real e o imaginário. O rapaz era boa pessoa, gostava dela, era carinhoso, mas ao seu jeito de ser, diferente do que ela fantasiava e gostaria que fosse.
Quando nos apaixonamos, naturalmente há certa dose de idealização de finalmente ter encontrado a tampa da panela. Mas lembre-se que a principal diferença entre o remédio e o veneno está na dose.
No amor maduro prevalece o elemento real construído a partir de fatores concretos, e há o fortalecimento do vínculo afetivo através de bases sólidas como a tolerância e o respeito. Não há espaço para disputas porque se compreende e se aceita o outro exatamente como ele é. Existe a liberdade de escolha de estar com o outro, e não a necessidade. O ponto forte é a crença de que a tal perfeição não existe, que há também o cinza, que o lindo e maravilhoso do início da relação se transforma e se reinventa. O amor maduro dispensa o comportamento impositivo, o orgulho e a arrogância, alimentando-se de empenho mútuo. E é uma porta aberta para o que posso chamar de plenitude.

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

4 thoughts on “O amor romântico e os conflitos nos relacionamentos

  1. Muito bom! […] O amor maduro dispensa o comportamento impositivo, o orgulho e a arrogância, alimentando-se de empenho mútuo. E é uma porta aberta para o que posso chamar de plenitude.

Deixe o seu comentário