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ANA CRUZ PSICANALISTA

“Tudo flui quando sentimos bem-estar mental. Aprenda que tudo é possível.” Fritz Perls – psicanalista
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Violência doméstica e o dia internacional da mulher

A luta mais expressiva das mulheres por respeito iniciou-se no final do século XIX, perdura-se até hoje e pelo andar da carruagem seguirá ainda por um bom tempo. Em cada período histórico, um propósito diferente no entanto, o elemento comum é o respeito. Lá atrás gritava-se por melhores condições de trabalho, direito ao voto, maior participação na sociedade. Ou seja, respeito.


A mulher seguiu de cabeça erguida, tornou-se chefe de família, ocupou posto de trabalho até então pertencente somente aos homens, entre outras conquistas, mas o tal do respeito pela figura feminina ainda é questionável. Um bom exemplo disto é o amargo cenário da violência doméstica, não apenas no Brasil, e sim em nível mundial atualmente. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), sete em cada dez mulheres já foi ou será vítima de algum tipo de violência – uma em cada três de violência conjugal.
A violência doméstica consiste em todo ato de agressividade e abuso intencional onde utiliza-se da força física ou posição de poder, ameaças (reais ou imaginárias) sobre o outro, que resulte em lesão, prejuízos. Ela pode ser: violência física – é a ação ou omissão que coloque em risco ou cause danos à integridade física; violência psicológica – é a prática de tortura, terrorismo, humilhação, chantagem, isolamento ou qualquer outra conduta que implique em prejuízo à saúde psicológica, à autoestima e ao desenvolvimento pessoal; violência sexual – consiste em toda ação que obrigue uma pessoa a manter relação sexual (estupro), ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal.
Diante dos mais diversos tipos de desestruturação familiar que vejo, há algo que me sempre chamou a atenção: o quanto a prática, a conduta real de respeito às mulheres ainda engatinha. Certa vez ouvi um sujeito falar em tom de convicção que não permitiria que seu filho ‘estragasse’ sua vida por causa de uma ‘bobagem de 15 minutos’ e que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para manter as coisas ‘em ordem’. A tal ‘bobagem de 15 minutos’ tratava-se de um estupro. Seu filho havia estuprado uma moça em uma festa da faculdade porque ele quis dar um beijo, ela disse não e ele furioso fez o que fez.
Para se ter uma noção, aqui na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, uma mulher pode levar até seis horas para conseguir registrar um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher. Um verdadeiro descaso do governo por não ofertar a estrutura necessária.
Saiba que 13 milhões é o número de mulheres na União Europeia que já sofreram violência física. Nos EUA a cada dois minutos uma mulher sofre algum tipo de assédio. Na Dinamarca a violência doméstica é uma realidade para 4% da população feminina do país. No Japão as mulheres representam mais de 50% dos casos de violência.
Neste 8 de março as redes sociais serão inundadas de florzinhas, recados bonitos, o whatsapp ficará tonto por tantas mensagens redondinhas circulando, mas enquanto isso a cada 3 minutos uma mulher sofrerá algum tipo de violência ao redor do planeta. E assim será todos os dias. Volte duas casas e inicie este artigo novamente.

Respeito, onde você anda?

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

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