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PSICOTERAPEUTA ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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O casamento real e os aprisionamentos da vida contemporânea

Li pelas redes sociais muitas críticas negativas em relação a noiva mais comentada mundialmente. Meghan Markle, agora Duquesa de Sussex, fez sua escolha e abriu mão da sua vida profissional, dentre outros aspectos, para integrar a família real britânica. E aqui está a questão.


Respeito perfeitamente todos os pontos de vista. Porém, convido os meus queridos leitores a refletir por um outro prisma.

Vi diversos apontamentos sobre a condição de vida restritiva da duquesa. Que a partir de agora ela deverá seguir tantas regras que é possível comparar a uma condição de clausura e que isto não é vida, não é felicidade. Será que é para tanto?

Em se tratando de relacionamentos, percebo os mais diversos confinamentos. Relações estas sustentadas pelas amarras das aparências, da dependência emocional, do prazer no poder sobre o outro, egoísmo, interesses financeiros, comodismo, carência excessiva, patologias, transtornos, perversões. E todos estes chamam de ‘amor’ e fazem as suas ‘fotos oficiais’ para as redes sociais.

Os aprisionamentos da vida contemporânea remetem o sujeito ao caminho contrário do amor real e da plenitude da felicidade. O sujeito de hoje ainda sofre das heranças culturais e sociais das idealizações acerca do romantismo. Para a psicanalista Regina Navarro Lins o amor romântico não é construído na relação com a pessoa real, mas sobre a imagem que se faz dela, trazendo a ilusão de amor verdadeiro.

E no fim o que há, de fato, é um adoecimento generalizado escorado em ‘fórmulas mágicas’ e máscaras, muitas máscaras. Poucos rostos. Um bombardeio por todos os lados que inflam as catástrofes relacionais. Comportamentos compulsivos em prol de uma busca incessante pelo preenchimento de vazios existenciais.

O amor e a felicidade em um casamento exige sim ousadia, atitude, investimento, concessão, construção e, acima de tudo, escolha. Afinal, escolher significa dar preferência a algo em meio a algumas alternativas. O que é completamente diferente desta concepção infantil da gratificação (e de preferência imediata).

Sim, amor verdadeiro existe e felicidade também. Mas não é para qualquer um.

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

4 thoughts on “O casamento real e os aprisionamentos da vida contemporânea

  1. Mais um excelente artigo, Ana Cruz! Gosto muito da forma inteligente, sensata, real e, ao mesmo tempo longânima, com que você expõe as tuas opiniões, sempre amparadas por embasamentos adquiridos em sua comprometida experiência profissional.Parabéns!

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