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Autor: Ana Cruz psicanalista

Sou psicanalista clínica, blogueira, mãe de cachorro, mulher do Elijah e apaixonada pelo comportamento humano. Não vivo sem música e um bom café preto. #psicanálise #comportamento #análise #terapia

6 enganos psicológicos da pessoa raivosa

6 enganos psicológicos da pessoa raivosa

Pessoas que estão sempre com raiva.
Gostaria de falar um pouco sobre pessoas bravas, esquentadas e explosivas.
Ao contrário do que todo mundo diz a raiva começa muito antes da raiva aparecer.
Eu me arriscaria dizer que a raiva é um sentimento decorrente de uma visão limitada da vida.
Em outras palavras, toda pessoa nervosa é mimada. Mas não sem motivo. A raiva é sempre um sentimento reativo e, portanto, fruto de um desencontro de condições externas com um estado interno anterior à raiva.
A raiva é fruto de um descompasso de suas expectativas com a realidade concreta.
O hábito da raiva é formado ao longo de anos. Raiva qualquer um sente, mas a manifestação constante dela é resultado de uma postura de vida. Vou falar de 6 enganos psicológicos da pessoa raivosa:


1) Eu sei
Essa é uma visão muito particular da pessoa raivosa. Ela tem a impressão de que sabe exatamente o que ela é, o que quer e o que espera dos outros. Essa certeza se manifesta por pontos de vista aparentemente muito coerentes entre si. Pelo menos para a pessoa raivosa há uma clareza que os outros não enxergam. Essa é a palha onde a chama vai encontrar a oportunidade de incendiar. “Eu tenho razão!”, essa a visão da pessoa raivosa.
2) Eu paguei, você vai pagar também
É muito comum a pessoa raivosa ter passado por algumas experiências de muita dor (física, psicológica) na infância. Essa dor ao ser digerida precisou de argumentos para ser superada. Um deles é: devo ter merecido, ou seja, se sofri é porque fiz algo para isso. Se ela acredita que se a sua ação mereceu ser punida, a ação do outro merece o mesmo destino. De agredido ela passa a agressor, sob a pena de se sentir no direito de punir uma atitude do outro que considera injusta. A justiça é seu álibi. Olho por olho e dente por dente. Se ela foi castigada o outro deve passar pela mesma pena.
3) Do jeito que eu quero
Se a pessoa tem a sensação que está com a razão e que está fazendo justiça é natural que leve isso a sério.
Ela se torna a justiceira do mundo. Quer torcer as pessoas para ver o mundo da mesma maneira que ela vê. Mas essa lógica é tão personalista que sequer percebe que as pessoas são diferentes dela. Tudo deve ser medido à partir de sua régua. A rigidez é sua marca, ou teimosia, como preferimos dizer. Se as regras não funcionam como ela quer, não tem brincadeira.
4) Eu na frente
Se ela sofreu e tem razão surge um sentimento de que os outros devem recompensá-la pelo mal que fizeram a ela.
Esse traço inconsciente da pessoa raivosa é responsável por frases do tipo: “só respondi desse jeito (estúpido) porque você não estava me ouvindo.” A idéia implícita é que as pessoas deveriam ouvi-la: “como você ousa não me ouvir?”. Isso se chama falácia da reciprocidade. Devido nossa tradição judaico-cristã seguimos ou achamos que todos devem seguir a regra de ouro: “não faça para os outros o que não gostaria que os outros fizessem para você”.
Essa regra tem um princípio de humanidade, igualdade e amorosidade incríveis, sem dúvida. Só um detalhe, isso não se torna verdade porque aspiramos que deva ser assim. Na realidade ninguém é obrigado a retribuir nada.
Se você fez algo bom foi por escolha livre e desimpedida. Se eu empresto dinheiro para você hoje, você não tem que me emprestar amanhã. Emprestei porque achei que parecia ser o melhor a fazer, mas não para criar um crédito antecipado com você. Imagine se um pai ou mãe fosse cobrar dos filhos (isso acontece com quase 100% de casos) o retorno financeiro e psicológico dos anos de criação. Os filhos teriam que pagar com a própria vida e ainda ficariam em dívida. A lógica da reciprocidade é opcional e não impositiva. Pessoa raivosa, ouça bem, ninguém precisa entender e tolerar você. A não ser você!
5) Não te respeito
Como resultado final a bomba está prestes a explodir. Por que explode? Porque o raivoso acha que pode! Acredita que o outro terá que lidar com essa conseqüência “dane-se! Ele que agüente, afinal fez por merecer! Me provocou!”. Isso quer dizer que o raivoso cede ao seu sentimento de contrariedade por saber que ficará impune.
Isso explica por que as mães são o alvo preferido de toda pessoa raivosa. Até a pessoa normalmente calma se permite agredir sua mãe. Afinal, mãe agüenta tudo. Agredimos aquela pessoa que temos a garantia que irá suportar (por amor ingênuo ou fraqueza) a explosão. Lavamos a alma às custas dos outros.
6) Me desculpe
Como resultado final da explosão surge a culpa. No calor das emoções a pessoa fez e falou realidades duras. “Eu não quis dizer aquilo!” Aquele aparente arrependimento é terrível de se lidar, pois a pessoa possuída e aterrorizante de minutos atrás se mostra dócil e comprometida a nunca mais fazer algo parecido. Esse ciclo explosão-culpa-nova explosão é fatal. Porque baixada a poeira, a pessoa raivosa tentará se proteger da vergonha e humilhação se armando com novas justificativas. Tentará encontrar as razões pela qual explodiu e o gatilho estará pronto para novo ataque. A pessoa agredida já estará ciclo após ciclo com a autoestima tão abalada que terá cada vez menos forças para resistir às agressões. E o domínio da pessoa raivosa estará instalado: agressor e vítima estarão com a vida feita.
Feita de dor…
A raiva de fato não terá transformado nenhuma realidade. A pessoa será alvo de temor e não respeito. O amor que poderia obter será escasso e sua dor se perpetuará.
Com o tempo sua jovialidade, beleza, dinheiro e poder diminuirão e suas vítimas se afastarão uma a uma.
A solidão psicológica será o destino dos raivosos (e mimados) de plantão.
A velhice será muito penosa e um duro aprendizado estará disponível: até que ponto valeu a pena estar sempre com a razão? É necessário esperar tanto tempo?

Texto escrito por Kelly Dorneles – psicanalista, minha conterrânea!

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Mas afinal, o que é prosperar? É comum associar prosperidade restringindo junto a aspectos materiais, como, por exemplo, o melhor salário, o carro do ano, entre outros. No entanto esta é uma percepção muito limitada do termo.

Prosperidade significa a conduta, o comportamento orientado para a execução (constante) de desenvolvimento e progresso diante de questões diversas e que abrange todas as áreas da vida, e não apenas junto a área financeira, visando construir resultados qualitativos. Recai sobre a estrutura (e também sobre a ausência de) psicológica do sujeito e o seu comportamento emocional.

A prosperidade traz, enquanto efeitos, felicidade, satisfação pessoal, sucesso de modo geral. Lembre-se que colhemos o que plantamos e dentro desta perspectiva, listei oito fatores que impedem a ocorrência da sua prosperidade:

1. Sentir pena de si mesmo: a autopiedade implica em um sentimento excessivo de compaixão, pena por si mesmo, onde o indivíduo se vê vítima de tudo e todos o tempo todo, assumindo uma postura sofredora diante da vida. Quem tem pena de si mesmo busca aliados que reforcem este padrão comportamental e não saem do mesmo lugar que já estão. Você pode ler mais sobre a autopiedade aqui.
2. Ser arrogante: a arrogância se manifesta para ofuscar a ausência da capacidade de assumir a responsabilidade pelos seus atos e a intolerância a frustrações. Um braço da birra onde prevalece somente os seus desejos, ‘primeiro eu, depois o resto’. Você pode ler mais sobre orgulho aqui.
3. Comodismo: a voz que fala mais alto é a da lei do menor esforço para tudo, e assim, existe a fuga de desafios, ausência de ousadia e até medo de assumir riscos. Carrega o preço da insatisfação generalizada ao invés de ter atitudes diferenciadas. Acredita que o universo, Deus, ou seja lá quem for lhe deve resultados. Você pode ler mais sobre o comodismo aqui.
4. O incrível desejo pelo controle alheio: é aquele que precisa que as pessoas e situações em geral funcionem de acordo com a sua ordem, a sua regra, por acreditar ser ‘o melhor caminho’, o ‘correto’, ignorando ao máximo opiniões e posicionamentos diferentes do seu. Apresentam grande dificuldade em delegar tarefas (centralizadores), de trabalhar em equipe, de relacionamentos e socialização em geral. Fecham-se cada vez mais em um mundo próprio ilusoriamente considerado ‘seguro’ e ‘livre de ‘ameaças’. Você pode ler mais sobre o controle aqui.
5. Dependência emocional: dependentes emocionais sugam o outro diante das suas necessidades de se sentirem amadas, acolhidas, reconhecidas, recebendo atenção, pautado em um ‘senso de justiça’ infantil onde só devem ‘receber’. É portador de sentimento de inferioridade e culpa, vazios (carência) afetivos, baixa autoestima, inseguro, muitas vezes solitário, incapaz de tomar decisões e fazer escolhas, descrente de si mesmo, altamente idealizadores. Você pode ler mais sobre dependência emocional aqui.
6. Ressentimento: implica na força de um grande grupo de amigos fiéis chamados raiva, mágoa, inveja, amargura, maldade, ciúme, desejo de vingança, atribuindo ao outro a responsabilidade pelo que o faz sofrer, resultante de um processo de autoenvenenamento psicológico. O ressentimento trata-se de uma queixa insistente, que não aceita nenhuma forma de ‘reparação do dano’ em função da sua principal característica: a persistência da mágoa e a repetição da queixa. Você pode ler mais sobre ressentimento aqui.
7. Inveja: atenção aqui, pois não existe ‘inveja branca’ ou ‘no bom sentido’. A inveja é a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais. Você pode ler mais sobre a inveja aqui.
8. Imediatismo: desejo de resultados imediatos, para agora. Muito amigo da ansiedade excessiva, leva o sujeito a atropelar etapas e processos buscando a gratificação do mérito. Engloba, muitas vezes, a impulsividade e comprometimento da capacidade de racionalização. É totalmente impaciente, comete (e repete) erros em abundância. Você pode ler mais sobre a ansiedade aqui.

Ultrapassar estas demandas e alcançar a prosperidade é possível. Porém é importante ressaltar que para isto é necessário no mínimo ter foco, disciplina e empenho. Só e tão somente um desejo de mudança não é capaz de nada, é preciso mais.

À propósito, você é uma pessoa próspera?

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

A bela tarefa de consertar o amor próprio destruído

A bela tarefa de consertar o amor próprio destruído

Com certeza você já leu e ouviu várias pessoas dizerem que o amor próprio é um pilar fundamental para iniciar ou continuar qualquer projeto. E é verdade. Este conceito é uma espécie de chave mágica que abre todas as portas. Ele ajuda você a evitar ou superar a depressão, a dependência, os problemas conjugais, os conflitos de família, de trabalho e muitos outros.

O amor próprio é o rei no jardim infinito das emoções humanas. Quanto a isso não existem dúvidas. O pior é que se você for uma das pessoas que passou por experiências muito difíceis, como falta de amor na infância, maus-tratos, assédio e situações semelhantes, você nunca vai entender como fazer para que o amor próprio deixe de ser apenas uma bela expressão.


“Um homem não pode se sentir confortável sem sua própria aprovação”. Mark Twain

Estritamente falando, você tem um forte amor próprio se tiver vindo ao mundo como resultado do desejo de que você exista. Mas você também deve ter tido uma mãe emocionalmente sã, unida pelo amor a um pai também mentalmente saudável. Isso, naturalmente, deve manter qualquer pessoa estável, pelo menos durante o início da infância. É o seu caso?

Certamente muitos responderam que não. Que não entendem bem por que foram concebidos. Que seus pais podiam ser qualquer coisa, menos pessoas emocionalmente sãs. Que sua infância foi vivida repleta de momentos felizes, mas também com necessidades, maus-tratos e, às vezes, enormes traumas. Por isso o amor próprio lhes parece um pouco mais que uma utopia: bonita, mas inalcançável.

O amor próprio não é “culpa” ou “presente” de nada

É uma frase desagradável porque não deixa de nos devolver a responsabilidade que um dia depositamos em outro lugar, em outra pessoa. É muito tentador culpar os outros por aquilo que nos acontece. E a lista de possíveis culpados começa pelos nossos pais. Ah, se tivessem feito… ou se tivessem deixado de fazer… Seríamos tão diferentes se eles tivessem sido maravilhosos! Mas você já se perguntou como era a própria história deles? Como seus avós haviam sido com eles? Vale a pena rejeitar todas as gerações que nos precederam?

O habitual é que os pais com pouco amor próprio não o transmitam para os seus filhos. Eles queriam o contrário, mas não podiam dar aquilo que não tinham. Com certeza aconteceu o mesmo aos pais deles. A cadeia continua eternamente até que alguém, em alguma geração, decida colocar um fim na série, encerrando a ferida. O mais aconselhável é fazer isso através de terapia, mas também existem outras vias que contribuem.

Qualquer que seja o caminho a ser tomado é válido, desde que ele leve ao conserto de um amor próprio destruído. Porém, a melhor forma de iniciar essa tarefa é desistir de culpar os outros. É preciso coragem e grandeza para fazer isso. Gera um certo desconforto. No entanto, também é uma forma de romper o elo mais forte na cadeia, o que não te deixa avançar.

Dê valor aos pequenos detalhes

Talvez você tenha imaginado que se ganhasse um prêmio importante, como um Prêmio Nobel, seu amor próprio teria o nutriente de que necessita para ser forte. Ou se alguém descobrisse que você é um gênio incompreendido. Ou se você fosse amado, de forma que não fosse preciso qualquer prova. Ou se todos manifestassem sua gratidão e o mundo parasse quando você tivesse uma dificuldade.

As fantasias que incluem grandes exaltações a si mesmos são comuns em quem tem pouco amor próprio. De certa forma, eles não querem menos que isso, e às vezes pensam que as realizações mais discretas não valem nada. O que estão esquecendo é o que toda grande conquista é o fruto de esforços gigantescos, compostos de pequenas realizações. São esses pequenos avanços que dão a força suficiente para continuar.

As grandes obras do ser humano são feitas basicamente de perseverança. Por sua vez, a persistência é uma característica que só ocorre em um coração onde existe amor próprio. Os esforços de grandes dimensões exigem uma enorme força de vontade. E quando há uma baixa autoestima, a primeira vítima é a força de vontade. Está vendo? Tudo se torna um círculo vicioso.

Daí a importância de aprender a dar valor às pequenas conquistas. Por favor, não negligencie o que você faz bem a cada dia. Não desmereça seus esforços, sejam eles grandes ou pequenos. Às vezes, simplesmente continuar com o seu dia exige muito de você. Se conseguir terminá-lo, não deixe de reconhecer. Lute contra essa voz que se esforça para te culpar e criticar por tudo. Você é a primeira pessoa que tem a obrigação de dar valor a quem você é e ao que você faz. Pense nisso.

Fonte: A mente é maravilhosa

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista