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Categoria: DICAS

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Mas afinal, o que é prosperar? É comum associar prosperidade restringindo junto a aspectos materiais, como, por exemplo, o melhor salário, o carro do ano, entre outros. No entanto esta é uma percepção muito limitada do termo.

Prosperidade significa a conduta, o comportamento orientado para a execução (constante) de desenvolvimento e progresso diante de questões diversas e que abrange todas as áreas da vida, e não apenas junto a área financeira, visando construir resultados qualitativos. Recai sobre a estrutura (e também sobre a ausência de) psicológica do sujeito e o seu comportamento emocional.

A prosperidade traz, enquanto efeitos, felicidade, satisfação pessoal, sucesso de modo geral. Lembre-se que colhemos o que plantamos e dentro desta perspectiva, listei oito fatores que impedem a ocorrência da sua prosperidade:

1. Sentir pena de si mesmo: a autopiedade implica em um sentimento excessivo de compaixão, pena por si mesmo, onde o indivíduo se vê vítima de tudo e todos o tempo todo, assumindo uma postura sofredora diante da vida. Quem tem pena de si mesmo busca aliados que reforcem este padrão comportamental e não saem do mesmo lugar que já estão. Você pode ler mais sobre a autopiedade aqui.
2. Ser arrogante: a arrogância se manifesta para ofuscar a ausência da capacidade de assumir a responsabilidade pelos seus atos e a intolerância a frustrações. Um braço da birra onde prevalece somente os seus desejos, ‘primeiro eu, depois o resto’. Você pode ler mais sobre orgulho aqui.
3. Comodismo: a voz que fala mais alto é a da lei do menor esforço para tudo, e assim, existe a fuga de desafios, ausência de ousadia e até medo de assumir riscos. Carrega o preço da insatisfação generalizada ao invés de ter atitudes diferenciadas. Acredita que o universo, Deus, ou seja lá quem for lhe deve resultados. Você pode ler mais sobre o comodismo aqui.
4. O incrível desejo pelo controle alheio: é aquele que precisa que as pessoas e situações em geral funcionem de acordo com a sua ordem, a sua regra, por acreditar ser ‘o melhor caminho’, o ‘correto’, ignorando ao máximo opiniões e posicionamentos diferentes do seu. Apresentam grande dificuldade em delegar tarefas (centralizadores), de trabalhar em equipe, de relacionamentos e socialização em geral. Fecham-se cada vez mais em um mundo próprio ilusoriamente considerado ‘seguro’ e ‘livre de ‘ameaças’. Você pode ler mais sobre o controle aqui.
5. Dependência emocional: dependentes emocionais sugam o outro diante das suas necessidades de se sentirem amadas, acolhidas, reconhecidas, recebendo atenção, pautado em um ‘senso de justiça’ infantil onde só devem ‘receber’. É portador de sentimento de inferioridade e culpa, vazios (carência) afetivos, baixa autoestima, inseguro, muitas vezes solitário, incapaz de tomar decisões e fazer escolhas, descrente de si mesmo, altamente idealizadores. Você pode ler mais sobre dependência emocional aqui.
6. Ressentimento: implica na força de um grande grupo de amigos fiéis chamados raiva, mágoa, inveja, amargura, maldade, ciúme, desejo de vingança, atribuindo ao outro a responsabilidade pelo que o faz sofrer, resultante de um processo de autoenvenenamento psicológico. O ressentimento trata-se de uma queixa insistente, que não aceita nenhuma forma de ‘reparação do dano’ em função da sua principal característica: a persistência da mágoa e a repetição da queixa. Você pode ler mais sobre ressentimento aqui.
7. Inveja: atenção aqui, pois não existe ‘inveja branca’ ou ‘no bom sentido’. A inveja é a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais. Você pode ler mais sobre a inveja aqui.
8. Imediatismo: desejo de resultados imediatos, para agora. Muito amigo da ansiedade excessiva, leva o sujeito a atropelar etapas e processos buscando a gratificação do mérito. Engloba, muitas vezes, a impulsividade e comprometimento da capacidade de racionalização. É totalmente impaciente, comete (e repete) erros em abundância. Você pode ler mais sobre a ansiedade aqui.

Ultrapassar estas demandas e alcançar a prosperidade é possível. Porém é importante ressaltar que para isto é necessário no mínimo ter foco, disciplina e empenho. Só e tão somente um desejo de mudança não é capaz de nada, é preciso mais.

À propósito, você é uma pessoa próspera?

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

A bela tarefa de consertar o amor próprio destruído

A bela tarefa de consertar o amor próprio destruído

Com certeza você já leu e ouviu várias pessoas dizerem que o amor próprio é um pilar fundamental para iniciar ou continuar qualquer projeto. E é verdade. Este conceito é uma espécie de chave mágica que abre todas as portas. Ele ajuda você a evitar ou superar a depressão, a dependência, os problemas conjugais, os conflitos de família, de trabalho e muitos outros.

O amor próprio é o rei no jardim infinito das emoções humanas. Quanto a isso não existem dúvidas. O pior é que se você for uma das pessoas que passou por experiências muito difíceis, como falta de amor na infância, maus-tratos, assédio e situações semelhantes, você nunca vai entender como fazer para que o amor próprio deixe de ser apenas uma bela expressão.


“Um homem não pode se sentir confortável sem sua própria aprovação”. Mark Twain

Estritamente falando, você tem um forte amor próprio se tiver vindo ao mundo como resultado do desejo de que você exista. Mas você também deve ter tido uma mãe emocionalmente sã, unida pelo amor a um pai também mentalmente saudável. Isso, naturalmente, deve manter qualquer pessoa estável, pelo menos durante o início da infância. É o seu caso?

Certamente muitos responderam que não. Que não entendem bem por que foram concebidos. Que seus pais podiam ser qualquer coisa, menos pessoas emocionalmente sãs. Que sua infância foi vivida repleta de momentos felizes, mas também com necessidades, maus-tratos e, às vezes, enormes traumas. Por isso o amor próprio lhes parece um pouco mais que uma utopia: bonita, mas inalcançável.

O amor próprio não é “culpa” ou “presente” de nada

É uma frase desagradável porque não deixa de nos devolver a responsabilidade que um dia depositamos em outro lugar, em outra pessoa. É muito tentador culpar os outros por aquilo que nos acontece. E a lista de possíveis culpados começa pelos nossos pais. Ah, se tivessem feito… ou se tivessem deixado de fazer… Seríamos tão diferentes se eles tivessem sido maravilhosos! Mas você já se perguntou como era a própria história deles? Como seus avós haviam sido com eles? Vale a pena rejeitar todas as gerações que nos precederam?

O habitual é que os pais com pouco amor próprio não o transmitam para os seus filhos. Eles queriam o contrário, mas não podiam dar aquilo que não tinham. Com certeza aconteceu o mesmo aos pais deles. A cadeia continua eternamente até que alguém, em alguma geração, decida colocar um fim na série, encerrando a ferida. O mais aconselhável é fazer isso através de terapia, mas também existem outras vias que contribuem.

Qualquer que seja o caminho a ser tomado é válido, desde que ele leve ao conserto de um amor próprio destruído. Porém, a melhor forma de iniciar essa tarefa é desistir de culpar os outros. É preciso coragem e grandeza para fazer isso. Gera um certo desconforto. No entanto, também é uma forma de romper o elo mais forte na cadeia, o que não te deixa avançar.

Dê valor aos pequenos detalhes

Talvez você tenha imaginado que se ganhasse um prêmio importante, como um Prêmio Nobel, seu amor próprio teria o nutriente de que necessita para ser forte. Ou se alguém descobrisse que você é um gênio incompreendido. Ou se você fosse amado, de forma que não fosse preciso qualquer prova. Ou se todos manifestassem sua gratidão e o mundo parasse quando você tivesse uma dificuldade.

As fantasias que incluem grandes exaltações a si mesmos são comuns em quem tem pouco amor próprio. De certa forma, eles não querem menos que isso, e às vezes pensam que as realizações mais discretas não valem nada. O que estão esquecendo é o que toda grande conquista é o fruto de esforços gigantescos, compostos de pequenas realizações. São esses pequenos avanços que dão a força suficiente para continuar.

As grandes obras do ser humano são feitas basicamente de perseverança. Por sua vez, a persistência é uma característica que só ocorre em um coração onde existe amor próprio. Os esforços de grandes dimensões exigem uma enorme força de vontade. E quando há uma baixa autoestima, a primeira vítima é a força de vontade. Está vendo? Tudo se torna um círculo vicioso.

Daí a importância de aprender a dar valor às pequenas conquistas. Por favor, não negligencie o que você faz bem a cada dia. Não desmereça seus esforços, sejam eles grandes ou pequenos. Às vezes, simplesmente continuar com o seu dia exige muito de você. Se conseguir terminá-lo, não deixe de reconhecer. Lute contra essa voz que se esforça para te culpar e criticar por tudo. Você é a primeira pessoa que tem a obrigação de dar valor a quem você é e ao que você faz. Pense nisso.

Fonte: A mente é maravilhosa

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

Entre segredos e mentiras

Entre segredos e mentiras

Vivemos a era, cada vez mais intrínseca, das aparências. Todos os dias as redes sociais são invadidas pela pobreza da superficialidade da imagem. Mas há um aspecto mais profundo. Juntamente com as histórias de ficção publicadas, há a fantasiosa sustentação argumentativa. Calma, eu explico.
É notável que no universo da web há habitantes essencialmente puros, iluminados, conhecedores e praticantes de ideologias superiores; símbolos do mais alto grau de exemplo do que é correto e idôneo. Portadores de tamanha propriedade para julgar e definir o outro (claro). Incrível não?


Minha profissão me proporciona conhecer os bastidores de tudo isso. Não falo aqui de nenhum caso específico, e sim, da experiência do conhecimento propriamente dita e também da percepção mais analítica, mais fria. Naturalmente sou muitas vezes o ‘confessionário’. Ao longo da minha prática clínica tive acesso a inúmeras verdades não expostas de modo público na internet pelos seus.
Assim, posso afirmar que por trás de todos aqueles posts obrigatórios que inundam as redes sociais tanto seguindo o calendário obrigatório (dia das mães, dia dos pais, natal, dia dos namorados, etc) bem como a enxurrada de fundamentações junto a cada nova polêmica, há o lado genuíno e original do ser humano muito bem ofuscado pelas tais histórias de ficção.
O genuíno a que me refiro consiste na vida como ela realmente é. Naquela mãe que viu e/ou soube que a sua filha foi abusada pelo seu companheiro e a obrigou a manter o silêncio porque estava preocupada com o que os outros iriam pensar, naquele casal com casamento falido onde ambos apenas se aturam porque precisam mostrar que está tudo lindo, naquele rapaz viciado em cocaína que bate em mulher e tem o papai para abafar os seus crimes, naquele irmão cínico que tenta falsificar a assinatura da irmã para tirar proveito financeiro, naquela amiga que fica de olho no marido da outra rezando para eles se separarem e dar o bote.
A lista é grande e eu poderia escrever um texto apenas abordando inúmeros exemplos reais. Situações estas que compreendem a existência de muitas destas criaturas que usufruem da máscara da bondade, felicidade, fórmulas mágicas para problemas diversos da sociedade e se postulam como exemplo a ser seguido. É prático e confortável abafar ao máximo seus aspectos podres, tirar o foco de si e objetivar o outro.
O resultado desta complexidade entre fantasia e realidade está aí, só não vê quem não quer. Índices mundialmente crescentes de depressão, suicídio, psicoses, entre outros, que confirmam esta incompatibilidade.
Meu amigo Freud já dizia que a maioria das pessoas não deseja realmente a liberdade porque isso envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas têm medo da responsabilidade. Não apenas concordo como percebo esta dinâmica nos dias de hoje. Engana-se quem acredita que atualmente há a tal liberdade, o que acontece de fato é um acorrentamento cada vez maior em falsidades concretizadas pelas redes sociais, afinal, ali não existe responsabilidade de nada, qualquer coisa, um delete ou bloqueio resolve.
A verdade, em resumo, é que vivemos a mais completa falência moral aprisionados entre segredos e mentiras onde a palavra de ordem é parecer o que de fato não é e sufocar o resto. Prefiro nem pensar onde tudo isto pode parar.

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista