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Perfil da mãe narcisista: perfil cognitivo e comportamental característico

Perfil da mãe narcisista: perfil cognitivo e comportamental característico

O perfil da mãe narcisista é bem característico. A seguir você encontrará uma lista completa das peculiaridades mais típicas da mãe narcisista:

É abusiva: por acreditar que o título de “Mãe” lhe confere imunidade e direitos especiais, a mãe narcisista abusa da filha psicológica, verbal e emocionalmente para se autovangloriar, pois é incapaz de amar e aceitar a si mesma. A filha de mãe narcisista por ser naturalmente dependente da aprovação e do amor da mãe representa a vítima ideal para servir aos interesses narcisistas, indiscriminadamente. A mãe narcisista manipula a filha por meio do amor incondicional desta e a adestra a acreditar em sua suposta inferioridade, assim como na suposta responsabilidade vitalícia pelo seu bem-estar, seja emocional, psicológico ou financeiro, independente da maneira como é tratada.

É a dona da verdade: tudo que a mãe narcisista alega a respeito de si mesma, dos outros e do mundo defende como verdade inquestionável. Mesmo quando expressa ideias infantis e incoerentes, é inflexível na interpretação que confere a sua mensagem, não permitindo que suas afirmações sejam contestadas e tampouco refutadas. Argumentar com a mãe narcisista transforma-se em uma tarefa inócua, pois ela não reconhece erros de julgamento ou discrepâncias em seu próprio discurso. A verdade não se baseia em dados racionais ou objetivos, mas oscila de acordo com o desejo da mãe narcisista.

Problemas de identidade: como o narcisista tem uma essência quebrada, é inautêntico em tudo o que diz respeito a si. Por possuir um senso de identidade defeituoso, está sempre atrás de estímulos externos para compensar pela falta de conteúdo. O(a) narcisista segue o que está em voga no momento como guia de autodireção pessoal. É prática comum da mãe narcisista se espelhar no estilo, atitude e o comportamento dos outros, como os da própria filha, principalmente quando refletem seus ideais narcisistas superficiais de forma acurada, como os referentes à beleza, admiração, status social e financeiro, popularidade etc.

Possui uma autoestima frágil: não há nada mais fácil do que magoar ou ferir os sentimentos de uma mãe narcisista. Isso se deve ao fato de que tem um senso deturpado do que consista valorizar-se e amar a si mesma. De acordo com o que o(a) narcisista acredita, o valor de um ser humano só existe quando reconhecido, isto é, ocorre de fora para dentro e exclusivamente através de conquistas, aparência física, talentos especiais, popularidade, admiração, elogios, status financeiro e social. Se você não aprovar algo relacionado à mãe narcisista, sejam suas posses, estilo ou seus atos, ela iguala a sua reprovação a um ataque a sua pessoa. Como seu “amor-próprio” é inteiramente suscetível, só consegue se aceitar quando aceita pelos outros, quando atinge sucesso total em tudo o que faz ou se destaca de alguma maneira.

Não tem empatia (característica mais marcante do perfil da mãe narcisista): narcisistas são incapazes de se identificarem com o sofrimento alheio de forma genuína e consistente com as necessidades dos outros. Como são egoístas e egocêntricos(as), recusam-se a reconhecer quando alguém precisa de ajuda ou apoio emocional. A mãe narcisista constantemente subestima e conscientemente ignora a dor de sua filha, enquanto insiste que esta se dedique incondicionalmente a atender suas próprias carências.

Distanciamento emocional: o(a) narcisista só reconhece a validade de seus próprios sentimentos. Por acreditar ser merecedora de tratamento e atenção especiais, a mãe narcisista se recusa a se envolver com as emoções dos outros. Devido a sua atitude egoísta e egocêntrica, é incapaz de estabelecer uma conexão afetiva genuína com quem quer que seja, incluindo sua própria filha, pois age de maneira fria, seca e distante quando o assunto não orbite ao redor de seu próprio estado ou necessidades emocionais.

É perfeccionista: tudo o que o(a) narcisista faz é a reprodução mais acurada dos parâmetros mais altos de excelência. Com problemas de identidade e de autoestima frágil, o (a) narcisista precisa ser bajulado constantemente. Ao contrário do que acredita, sua atitude perfeccionista não comunica um talento nato, mas uma insegurança profunda. Quando não consegue corresponder as suas regras e expectativas, ou quando não é reconhecido através de elogios, sofre com a autocrítica desabonadora. O perfeccionismo da mãe narcisista é desgastante, fazendo todos ao seu redor se sentirem pequenos e desvalorizados.

Famílias disfuncionais: narcisistas comumente provêm de famílias disfuncionais. A família criada pelo narcisista, invariavelmente, acaba se tornando uma. É praticamente impossível manter uma vida harmoniosa em família sob a influência direta de uma matriarca narcisista. Visto que manipula todos a sua volta para servir aos seus próprios interesses, a união entre os membros da família acaba ficando comprometida. A mãe narcisista usa de leilão emocional para favorecer o(a) filho(a) “do momento”, ou seja, aquele(a) que está mais disposto a corresponder as suas vontades e exigências descabidas sem grande protesto, estimulando o desentendimento entre irmãos(ãs) de forma sutil, insincera e amoral.

Trata os outros de forma superior: o narcisista é naturalmente arrogante, pois acredita ter sido colocado ao mundo para ser servido e admirado. Por ter uma autoestima frágil e que requer constante afirmação externa, usa das interações com as outras pessoas para se autovangloriar, é presunçoso(a) e está sempre subestimando a inteligência e a experiência alheia. Como resultado, a filha de mãe narcisista nunca tem nada de bom para oferecer ou contribuir em seu relacionamento com a mãe. Independente de sua idade, estágio de desenvolvimento, experiência ou know-how, seu intelecto é sistematicamente menosprezado, suas habilidades e talentos ignorados ou descartados e seus argumentos rejeitados sem ao menos serem devidamente considerados.

Relacionamentos disfuncionais: manter um relacionamento com um(a) narcisista significa se submeter à tirania de seu ego gigantesco, faminto e incansável. Seja com mãe, pai, “amigo”, colega de trabalho ou parceiro amoroso, insistir em um relacionamento com um(a) narcisista significa dizer sim a uma vida marcada pela autoanulação, segredos, chantagens emocionais, codependência, mentiras e abuso psicológico, entre outros. Como se recusa a aceitar e respeitar a individualidade e a autonomia alheias, assim como as preferências e necessidades dos outros, o relacionamento com a mãe narcisista só “funciona” quando a filha se submete de corpo e alma a seu controle e manipulação psicológica.

Vive de aparências: para indivíduos com transtorno de personalidade narcisista, what you see is not what you get. Para compensar a autoestima frágil, o desconforto emocional, a falta de identidade, autenticidade, naturalidade, autoconfiança e amor-próprio, o(a) narcisista tende a exibir um esmero e uma preocupação exagerados com a aparência física. A mãe narcisista capricha no visual a fim de distrair a atenção dos outros de sua alma em ruínas, pois tem verdadeiro pavor de que reconheçam seus defeitos. É grande entusiasta da cultura da imagem e investe nela para se autopromover, mesmo quando se sente perdida, deprimida, inadequada e insatisfeita por dentro, pois necessita de admiração e aprovação externas para se sentir inteira.

Provoca discussões e brigas: por estar constantemente insatisfeita, seja consigo mesma, com o que faz ou com os outros, a mãe narcisista está sempre provocando desentendimentos desnecessários para aliviar seu turbilhão emocional interno. Por ser incapaz de se centrar emocionalmente, lida com a raiva, por exemplo, descontando-a nos outros. Raramente opta pelo diálogo e o entendimento, mas mantém uma atitude intransigente e inflexível, propensa a perpetuar a discórdia e a desavença. Sua tendência comportamental ao se sentir inadequada consiste em extravasar sentimentos antagônicos até que todos a sua volta se tornem tão infelizes ou, preferivelmente, mais infelizes do que ela, para que, finalmente, sinta-se “em paz” consigo mesma.

Não admite responsabilidade: enquanto tudo que é bom na vida da mãe narcisista corresponde ao resultado direto de seus talentos e charme inquestionáveis, nada que seja ruim acontece por responsabilidade dela. Como é intolerante e não aceita erros, está sempre à procura de bodes expiatórios para carregar o ônus de suas falhas. Se não consegue corresponder a suas próprias expectativas perfeccionistas, idealistas e irracionais, arranja alguém para culpar por sua suposta falta de sorte.

Não admite culpabilidade: mesmo quando arruinando relacionamentos por meio de sua atitude antagônica e intransigente, ou com seus humores insuportáveis e exigências descabidas, a mãe narcisista nunca admite causar mal algum a quem quer que seja. Se sua família é disfuncional e seus relacionamentos marcados pelo abuso, brigas e desentendimentos, “certamente” não é por causa da influência maligna e egoísta dela.

Não pede desculpas: por ser a dona da verdade e acreditar que nada do que acontece de forma ruim é culpa sua, a mãe narcisista nunca admite quando trata os outros de maneira imprópria. Mesmo quando tem plena ciência de seu comportamento abusivo, não pede desculpas quando magoa quem quer que seja.

Não cumpre com o que promete: o que o(a) narcisista diz não se escreve. Como é manipulador(a), egoísta e desonesto(a), diz o que os outros querem ouvir somente com o intuito de se autopreservar. Apesar de não ter intenção alguma de se sacrificar pelo próximo, a mãe narcisista faz promessas que nunca se tornam realidade e, quando lembrada delas, nega tê-las feito com a maior cara de pau.

Monopoliza recursos financeiros: a mãe narcisista, ao lidar com bens que não pertençam exclusivamente a si, como os correspondentes à família, age como se fossem somente seus, recusando acesso ou participação nas decisões referentes a gastos e investimentos e, muitas vezes, apropriando-se totalmente dos recursos disponíveis.

Normaliza o sofrimento alheio: a vida do(a) narcisista é um grande drama. Ninguém sofre tanto quanto a sua mãe narcisista, que trata eventos negativos de sua vida como acontecimentos inéditos do catálogo Homo sapiens. Por ter zero empatia, no entanto, reage de forma blasé diante da agonia alheia. A discrepância é tão gritante, que como filha de mãe narcisista a pessoa questiona a própria sanidade mental e o mérito de sua miséria pessoal, como se não fosse digna de seus próprios sentimentos.

É incongruente: a ética, a moral e os valores do(a) narcisista são alardeados fervorosamente através de frases de impacto e comentários repletos de indignação àqueles que não os respeitam. Na prática, contanto, sua atitude é inconsistente, frequentemente divergindo ou descordando completamente de seus argumentos ou dos princípios que alega manter.

Tem opiniões extremas: como a percepção do(a) narcisista é baseada em crenças tendenciosas, irracionais e perfeccionistas, vê o mundo em preto e branco. A mãe narcisista julga a tudo e a todos de maneira exagerada e infantil. Seus gostos e preferências, embora baseados exclusivamente em motivações subjetivas e de caráter inconsistente e passageiro, são mantidos como correspondentes universais dos padrões mais altos de qualidade. Quando diz gostar de algo ou alguém, é devido a sua superioridade irrefutável. Se demonstra desaprovação, é pelo fato de que o objeto de seu desdém é, em sua totalidade e independente de perspectiva de avaliação, completamente inaceitável. Medida é um conceito que a mãe narcisista pode até entender em teoria, mas está longe de saber aplicá-lo na prática.

É deslumbrada: com valores superficiais e mania de grandeza, a mãe narcisista se vê facilmente encantada com o que seja caro, belo ou sofisticado. A beleza e a condição financeira privilegiada, de acordo com a atitude e mentalidade narcisistas, perdoa – e até mesmo erradica – qualquer atributo negativo de peso. Como não há nada de mais sedutor para a mãe narcisista do que ser elogiada, invejada e cobiçada, faz de seu objetivo se associar com objetos e pessoas que reflitam um status social elevado.

É egoísta: tudo o que é da mãe narcisista é para uso exclusivo seu. Mesmo que tenha o hábito de abusar das posses assim como da boa vontade dos outros, não compartilha de nada, principalmente dinheiro. A mãe narcisista nunca empresta ou dá dinheiro a ninguém, nem mesmo a parente próximo, parceiro amoroso ou amigo. Também sempre tem uma desculpa ou justificativa na ponta de sua língua para se esquivar de ter de ajudar os outros, seja essa ajuda de natureza física, psicológica, emocional ou monetária, enquanto desfruta do apoio e dedicação daqueles que ainda se encontram sob sua influência.

É egocêntrica (característica marcante do perfil da mãe narcisista): tudo que ocorre na vida da mãe narcisista, assim como na de quem depende ou convive diretamente com ela, gira ao redor de suas necessidades e perspectivas. Planos e decisões de família são fundamentados nas suas opiniões e vontades, pois somente os interesses e sentimentos dela tem validade. Como precisa da aprovação dos outros para se sentir segura de si mesma, quando seu ego não é servido, sente-se rejeitada ou desvalorizada.

Vergonha: narcisistas não aceitam defeitos ou fraquezas, sejam em si mesmos ou nas outras pessoas, sentem-se facilmente dominados pela vergonha. Como acreditam que a autoestima só é possível através de elogios, reconhecimento e admiração, frequentemente se sentem humilhados e diminuídos, sobretudo quando perante o risco de suas vulnerabilidades serem expostas. Como se recusam a explorar o efeito de seus sentimentos, baseiam seus comportamentos de maneira a proteger sua autoestima frágil a todo custo, independente das consequências a seus relacionamentos.

Lavagem cerebral: o que se recebe de uma mãe narcisista não é educação, mas uma lavagem cerebral. Para “aceitar” a atitude e o comportamento incongruente, irracional e intolerante do(a) narcisista, somente sob intensa e prolongada pressão. A mãe narcisista convence durante anos de persuasão e adestramento daqueles que se submetem – voluntariamente ou não – a seu controle e influência. Condiciona seus filhos(as) e parceiros amorosos a acreditarem em suas mentiras e no suposto mérito de seu comportamento abusivo com tanta persistência e determinação que, mesmo depois de morta ou de ser cortada de suas vidas, suas palavras continuam a reverberar nos ouvidos de suas vítimas.

Pratica bullying: o bullying – ou a intimidação por parte de agressão verbal ou física – é uma das táticas de abuso narcisista mais eficientes. A mãe narcisista vive fazendo comentários desagradáveis disfarçados de conselhos de mãe dedicada para envergonhar e humilhar a filha. Por se ressentir de sua jovialidade e liberdade, ou de tudo aquilo que lhe concede vantagem ou favorecimento em face dela, reage de maneira amarga e vingativa quando se sente ameaçada. Mesmo sem razão aparente para agir de forma melindrada e rancorosa, provoca brigas, dando ferroadas gratuitas para acabar com o bom humor e a joie de vivre de quem inveja.

Exibe comportamento infantil: narcisistas não evoluem com a passagem do tempo, por isso, seguidamente se comportam como crianças teimosas ou adolescentes inseguros. Em vez de defenderem seus argumentos de forma racional, adulta e centrada, usam da intimidação, de discussões, brigas e chantagens emocionais para convencer os outros a servirem seus interesses, desejos e vontades.

Tem um senso de direito dilatado: o(a) narcisista, por julgar-se especial, faz uso de títulos como “pai”, “mãe”, “chefe”, “marido”, “esposa” etc., para exercer influência direta sobre os outros, bem como pela imposição de suas opiniões próprias e de bullying. Os direitos da mãe narcisistas vão além da tutela. Acredita ser dona não somente da aparência de sua filha, mas de seu comportamento, atitude e escolhas pessoais. Tem o hábito de rejeitar a identidade, individualidade e autonomia desta como se fossem totalmente descartáveis, ou não tivessem valor real algum.

Não respeita limites pessoais (característica marcante do perfil da mãe narcisista): a mãe narcisista não registra o “não”. Está sempre ignorando a vontade dos outros ou os compelindo a seguir o que ela deseja. Recusa-se a reconhecer os direitos dos outros, como se nada fosse mais importante do que seus próprios problemas, planos e desejos. Como resultado, trata a filha como acessório ou criança rebelde quando esta tenta impor seus próprios limites.

Foge da verdade: a verdade, para os(as) narcisistas, é cruel. Por viver mascarando suas próprias vulnerabilidades a fim de emanar uma aparência de permanente superioridade e perfeição, evita avaliar sua condição de forma genuína “como o diabo foge da cruz”. Quando se sente acuada por perguntas e observações que visam analisar a razão por trás de tantas desavenças familiares e problemas de relacionamento, a mãe narcisista se isenta de toda e qualquer culpa ou remove a atenção de seu próprio comportamento, ou se recusa a considerar argumentos e sem dar satisfações, pura e simplesmente.

Negligência emocional: a mãe narcisista ignora conscientemente os sentimentos dos outros por total falta de interesse. Como somente o que sente merece consideração, reage de maneira fria e indiferente ao sofrimento ou alegria alheios. Não reconhece que as outras pessoas também passam por momentos difíceis e chega a incentivar que se reprimam sentimentos antagônicos para não ter de se sacrificar pelo próximo. Da mesma forma, não demonstra entusiasmo algum pela felicidade dos outros em momentos de celebração, pois quando a atenção está voltada para fora de si mesma o evento perde totalmente a utilidade.

Sofre de depressão (característica marcante do perfil da mãe narcisista): mesmo quando emanando uma aura de superioridade e controle por fora, por dentro o(a) narcisista carrega uma ferida aberta em sua autoestima. Tudo o que diz respeito à verdadeira face do(a) narcisista o(a) coloca como grande candidato(a) à depressão, como sua tendência à autocritica e ao autodesprezo, assim como sua permanente recusa de lidar com sentimentos antagônicos de forma saudável e eficiente. Além disso, sua incapacidade de amar e tratar a si mesmo com complacência perpetua sentimentos de autorrejeição. Como nega suas próprias vulnerabilidades ou a existência de problemas de ordem psicológica e emocional, vive uma vida marcada pela insatisfação. Quando seu descontentamento se torna generalizado e afeta seus relacionamentos de forma dramática e, muitas vezes, irreparável, finalmente se vê tomado(a) por um episódio depressivo.

Mente descaradamente: para que consiga se manter como o centro das atenções e fazer somente o que quer, o(a) narcisista mente, sem vergonha nenhuma. Mente para se esquivar de responsabilidades, para se proteger e se autopreservar. A mãe narcisista usa da mentira principalmente para perpetuar o abuso emocional e psicológico, como o de sua filha. Nega ataques verbais e demais atitudes e comportamentos impróprios como se fossem produto de uma imaginação fértil.

Vive se comparando com os outros: porque o amor-próprio de mentira do(a) narcisista é mantido de fora para dentro, precisa de estímulos externos negativos para se sentir bem consigo mesmo(a). Para manter a “autoestima”, a mãe narcisista está sempre à procura de alguém mais acima do peso, mal-apessoado, pobre, velho, desarrumado ou infeliz do que ela. Tem verdadeira paixão em alardear seus supostos atributos e vive ostentado sua superioridade quando a chance aparece.

Negligência afetiva: a mãe narcisista não é nem um pouco carinhosa. Por ter zero empatia, raramente trata a filha de forma afetuosa quando esta se sente triste ou descontente. Não gosta de intimidade e da aproximação física ou emocional, mas insiste em manter uma certa distância ou “ser deixada em paz”, para se concentrar exclusivamente no que considera de fato relevante: suas próprias vontades.

Dá presentes esquisitos: receber presentes de uma mãe narcisista é uma atividade surreal. Como não reconhece a individualidade, tampouco demonstra o mínimo de interesse nos outros, a sua percepção dos gostos e preferências da filha é completamente desconectada da realidade. A mãe narcisista compra presentes para a filha pensando em si mesma ou na imagem destorcida que mantém desta em sua mente. Como resultado, seus presentes são comumente do tamanho, estilo ou cor erradas, ou não correspondem de forma alguma a algo que a filha desejaria para si.

Flutuação de humor: narcisistas são facilmente influenciados por sentimentos antagônicos. Como quase tudo tem o potencial de afetar a mãe narcisista de forma negativa, um minuto está super para cima e no outro, lá embaixo. Por não saber trabalhar suas emoções de forma adulta e madura, está sempre extravasando a insatisfação nos outros para não implodir.

É invejosa (característica marcante do perfil da mãe narcisista): como o(a) narcisista está sempre se comparando com os outros para se sentir bem a respeito de si mesmo(a), morre de raiva quando se destacam mais do que ele(a), principalmente quando se identifica com o que os projeta para o topo do pódio, como beleza, melhora de condição financeira e popularidade. A mãe narcisista tem inveja até da própria filha e não tolera quando esta recebe mais atenção do que ela, ou quando se torna mais bem-sucedida. Na eventualidade de se sentir ameaçada por ela, reage com sua língua venenosa e não perde tempo em desmoralizá-la, seja indiretamente através da agressividade passiva ou com ataques abertos de crítica destrutiva gratuita.

É interesseira: quando o(a) narcisista precisa de alguma coisa, trata os outros de maneira atípica, isto é, com consideração e respeito. Quando a mãe narcisista quer que a filha empreste ou faça algo para ela, é carinhosa a afetuosa, come se estivesse tomada por um espírito benevolente. Também demonstra curiosidade e atenção inéditos em relação à filha quando reconhece uma oportunidade de autobenefício, como quando esta se encontra envolvida com pessoas de status econômico privilegiado.

Sabota a felicidade alheia: a mãe narcisista vive minando o entusiasmo e alegria dos outros, pois não tolera não ser o centro das atenções. Como é invejosa, também não atura ver a alegria e o entusiasmo da filha pela vida quando nunca está satisfeita com quem é e com o que tem. Para que não seja relembrada de sua miséria pessoal, acaba com a animação das outras pessoas as nivelando ao seu patamar. Quando em companhia da mãe narcisista, sempre ao lado ou inferior a ela, nunca acima.

Guarda rancor: quando você magoa o(a) narcisista, esse “erro” fica registrado em sua memória. A mãe narcisista não deixa nenhum deslize passar em branco, inclusive mantém um banco de dados das falhas de comportamento daqueles com quem se relaciona. Cada vez que a filha se recusa a atender suas vontades ou a acusa de agir de forma imprópria, ela acessa a memória para exemplos passados de “mau comportamento” e fornece uma longa lista das inúmeras vezes em que a filha a desapontou. Como seu objetivo é provar que está sempre certa, usa de todo o seu poder cognitivo para assegurar seus argumentos. Por outro lado, tem uma memória fraquíssima referente aos sucessos, conquistas e qualidades dos outros, principalmente quando são pessoas pelas quais se sente ameaçada, como a própria filha.

Tem problemas de intimidade (característica marcante do perfil da mãe narcisista): como o(a) narcisista é intolerante e se recusa a aceitar a própria humanidade, cria uma barreira entre seus sentimentos e quem realmente é. Está sempre agindo em total dissonância com o que pensa e sente, comportando-se de forma falsa e pretensiosa, mascarando suas verdadeiras emoções. Essa tendência à autorrejeição pessoal e emocional torna impossível criar uma conexão genuína e saudável consigo mesmo(a) ou com as outras pessoas, seja o relacionamento da natureza que for.

Se odeia: o maior mito a respeito dos narcisistas é de que “se amam” de forma exagerada. A realidade é o inverso disso. O(a) narcisista é incapaz de se aceitar e chega até a nutrir um ódio profundo contra si por não ser capaz de corresponder, de todas as formas e em todas as circunstâncias, à imagem idealizada de perfeição e sucesso absoluto que se esmera tanto em reproduzir.

Tem problemas de relacionamento no trabalho: ter um colega, ou o que é pior, um(a) chefe narcisista resulta em um verdadeiro pesadelo. Como é arrogante na décima potência, trata os outros como se lhe fossem inferiores enquanto se recusa a aceitar qualquer tipo de responsabilidade tanto por desentendimentos como quando algo com que esteja envolvido não dá certo. É um péssimo colega, pois não tem nenhum espírito de equipe. Como chefe é explorador, insensível, nunca dá crédito ao trabalho de ninguém e até rouba as ideias dos outros, além de tratar empregados como serviçais. A mãe narcisista está sempre reclamando de um ou outro problema no trabalho, visto que ninguém consegue aturá-la.

Tem problemas de relacionamento amoroso: relacionamento amoroso com narcisista é uma das maiores decepções na vida de alguém. Como são mestres do disfarce e possuem dotes artísticos de primeira classe, escondem-se atrás de uma cortina de fumaça de aparente perfeição. O charme e a suposta autoconfiança do(a) narcisista são, em princípio, atraentes, mas quando a máscara cai, ou seja, quando o(a) narcisista consegue o que quer (o outro), ele(a) revela a pessoa manipulativa e egoísta que realmente é. Por essa razão, relacionamentos com narcisistas tendem a não se estender por muito tempo, ou se duram é porque seus parceiros se anulam completamente para preservar a união, provavelmente por serem tão inseguros e de autoestima tão frágil quanto as do narcisista. A rotação de parceiros amorosos da mãe narcisista é normalmente numerosa. Quando consegue manter um relacionamento por um período razoavelmente prolongado é graças ao perfil psicológico e emocional de seu parceiro, que pela razão que seja, concorda em abdicar de sua individualidade para servir ao ego gigantesco da narcisista.

É agressiva passiva (característica mais marcante do perfil da mãe narcisista): a mãe narcisista usa de comentários indiretos maliciosos, como a ironia e o sarcasmo, para destilar seu veneno. Seu discurso é repleto de significados duplos intencionados a desmoralizar e desarmar a filha ao mesmo tempo. É uma de suas ferramentas de abuso psicológico mais eficientes, pois mascara suas verdadeiras motivações malignas com sofisticação.

Leva tudo pessoalmente: por ser incapaz de refletir objetivamente sobre si mesmo(a) e se identificar como entidade independente, o(a) narcisista julga a tudo e a todos em relação a si mesmo. É muito difícil fazer a mãe narcisista entender que o mundo não gira em torno dela, mas que contém indivíduos que possuem livre-arbítrio e visões de mundo próprias. Não aceita crítica, pois discordar com ela é rejeitá-la e considera a autonomia de pensamento como uma ofensa pessoal.

Não tem escrúpulo: a mãe narcisista mente descaradamente, explora a boa vontade dos outros enquanto abusa psicologicamente sem pensar duas vezes. Quando confrontada, não exibe consciência alguma ou remorso genuíno pela sua atitude, tampouco admite culpabilidade, mas usa das táticas mais baixas para reiterar a sua posição de superioridade, como através da manipulação e chantagem emocionais.

Abusa de entorpecentes: por se recusar a lidar com seus problemas psicológicos e emocionais de forma aberta e honesta, o(a) narcisista seguidamente se automedica com o álcool e as drogas. Como tem o hábito de negar ter qualquer tipo de problema, opta pelo escapismo com a finalidade de proporcionar um alívio rápido e imediato ao seu caos interno.

Exibe momentos de lucidez: como a mãe narcisista é humana e não uma máquina, não é ininterruptamente insuportável, mas passa por momentos de “lucidez” em que consegue, de modo breve, conter sua atitude abusiva. Esses momentos de relativa paz e harmonia, no entanto, são – infelizmente – exceção. A norma narcisista é o oposto disso. A triste realidade é que estes curtos intervalos de aparente calmaria doméstica são seguidos de longos períodos de tristeza e conflito.

É vingativa: quem contraria o narcisista, paga. Paga com sua reputação e também com seus relacionamentos, pois o(a) narcisista não tolera ser questionado(a), esquecido(a) ou abandonado(a). A filha de mãe narcisista, que “se atreve” a recusar o papel de atriz coadjuvante e acessório da própria mãe, acaba tendo de lidar com as consequências de uma campanha maliciosa contra seu nome. Por ser dissimulada e possuir dotes artísticos de primeira qualidade, se ignorada pela filha, coloca a máscara de mãe-coitada e usa de todos os recursos disponíveis para denegrir a sua imagem. Protegida pela instituição “Mãe” e com a ajuda de chavões do tipo “Eu fiz o melhor que eu pude”, projeta uma imagem de mártir para convencer a todos de suas supostas boas intenções e total inocência.

Texto escrito por Michele Engelke: formada em psicologia, escritora, terapeuta cognitivo-comportamental e fundadora do Liberty Counselling Luxembourg. Uma brasileira que mora e trabalha na Europa há mais de dez anos e que se especializou em narcisismo materno e se dedica a ajudar filhas de mães com transtorno de personalidade narcisista. Conheça o seu blog (de onde este texto foi extraído): filhas de mães narcisistas.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

Educar sem gritar, com base no coração e na responsabilidade

Educar sem gritar, com base no coração e na responsabilidade

Educar sem gritar é a melhor opção que podemos assumir como pais e educadores. Gritar não é pedagógico nem saudável para o cérebro da criança, porque longe de resolver algo, o que se consegue com isso é ativar dois tipos de respostas emocionais: o medo e/ou a raiva. Aprendamos portanto a educar, disciplinar com base no coração, na empatia e na responsabilidade.

Aqueles que são pais ou que trabalham diariamente no mundo da educação e do ensino se verão tentados em várias ocasiões a levantar a voz para, em determinado momento, deter um comportamento perturbador ou desafiador, uma birra que desafia toda a nossa moderação. Não podemos negar, existem muitos momentos como esse, são momentos em que o cansaço se combina com o estresse e o nível do nosso desespero transborda.

Os gritos não educam, educar com gritos ensurdece o coração e fecha o pensamento.

Ceder, recorrer aos gritos, é algo que muitas pessoas fazem. Não é um tabu parental. Na verdade, há quem afirme que os gritos, assim como as “palmadas bem dadas” funcionam, são úteis. Agora, não se engane, porque quem escolhe educar com os gritos e vê com bons olhos esses recursos tem tais comportamentos normalizados: talvez tenha sido aplicado com eles sendo crianças. Agora, sendo adultos, eles são incapazes de usar outras ferramentas, outras alternativas mais úteis e respeitosas.

Educar sem gritar não é apenas possível, mas sim necessário. Disciplinar, corrigir, orientar e ensinar sem recorrer ao grito tem um impacto positivo no desenvolvimento da personalidade da criança. É uma maneira eficaz de cuidar do seu mundo emocional, de cuidar da sua autoestima, dar exemplo e fazer ver que existe outro tipo de comunicação, que não prejudica, que sabe entender e se conectar com as necessidades reais.
O impacto neurológico no cérebro das crianças

Algo que, como pais e educadores, percebemos em mais de uma ocasião é que, às vezes, nos faltam recursos, estratégias e alternativas. Sabemos que o grito não é útil e que com ele nunca se obtém o resultado esperado. O que conseguimos é que no olhar da criança apareça o brilho do medo, da raiva contida… É necessário, portanto, que aprendamos as chaves apropriadas para educar sem gritar, para moldar uma educação positiva capaz de resolver com inteligência este tipo de situação.

Assim, um primeiro aspecto que não podemos perder de vista é o impacto que os gritos têm por si mesmos no cérebro humano e no próprio desenvolvimento neurológico da criança. O ato de “gritar” tem uma finalidade muito específica em nossa espécie e em qualquer outra: alertar sobre um perigo, um risco. Nosso sistema de alarme é ativado e o cortisol é liberado, esse hormônio do estresse tem como finalidade colocar as condições físicas e biológicas necessárias para fugir ou lutar.

Desta forma, a criança que vive em um ambiente onde o grito é usado e abusado como uma estratégia educacional sofrerá alterações neurológicas muito específicas. O hipocampo, a estrutura cerebral relacionada com as emoções e a memória, terá um tamanho reduzido. Também o corpo caloso, ponto de união entre os dois hemisférios, recebe menos fluxo sanguíneo, afetando assim seu equilíbrio emocional, a sua capacidade de atenção e outros processos cognitivos.

O grito é uma forma de abuso, uma arma invisível que não pode ser vista, que não pode ser tocada, mas seu impacto é simplesmente devastador no cérebro da criança. Esta liberação excessiva e permanente de cortisol coloca a criança em estado de estresse e alarme constante, em uma situação de angústia que ninguém merece e que ninguém deveria experimentar.

Educar sem gritar, educar sem lágrimas

Pedro tem 12 anos e não vai muito bem na escola. Seus pais agora o levam a uma instituição onde lhe dão aulas extras para reforçar várias matérias, especialmente as práticas. Ele se levanta todos os dias às 8 e chega em casa às 9 da noite. Neste trimestre, Pedro foi reprovado em duas matérias: matemática e inglês, duas a menos que no último trimestre.

Quando ele chega em casa com as notas, seu pai não consegue evitar gritar com ele. Ele não consegue manter a passividade e joga na cara todo o dinheiro que investem nele “por nada”. Também não falta a típica frase “você não será ninguém nesta vida”. Após a repreensão, Pedro se fecha no quarto dizendo a si mesmo que o mundo não vale a pena, que quer sair da escola e ir embora de casa o mais rápido possível, longe de tudo e de todos, especialmente seus pais.

Esta situação, certamente conhecida em muitos lares, é um pequeno exemplo do que é causado pelos gritos e por infelizes palavras expressadas em determinado momento. No entanto, vejamos com mais detalhes o que algo assim pode causar caso este tipo de reação seja algo habitual e repetido em um ambiente familiar.

As crianças e adolescentes interpretam o grito como reflexo do ódio; se seus pais falam com eles desta forma irão se sentir rejeitados, não amados e desprezados.

A mente não processa adequadamente a informação que é emitida através de uma mensagem falada com um tom de voz elevado. Assim, tudo o que é dito entre gritos não tem utilidade.

Todo grito provoca uma emoção, e geralmente o que aparece é raiva e necessidade de fuga. Assim, longe de resolvermos algo, complicamos muito mais.

Como posso educar sem gritar?

Como dissemos no início, há muitas alternativas antes de recorrer ao grito, várias estratégias que podem nos ajudar a construir um diálogo mais reflexivo, uma educação positiva com base nesses pilares onde podemos construir um vínculo mais saudável com nossos filhos. Veremos agora algumas chaves básicas.

Devemos entender, em primeiro lugar, que gritar é perder o controle. Simples assim. Portanto, no momento em que percebemos que essa necessidade aparece, devemos respirar e refletir. Se o nosso primeiro impulso para acabar com a birra da criança de 3 anos, ou para nos comunicarmos com o adolescente de 12, é recorrer ao grito, devemos parar e entender que se levantamos a voz perdemos tudo.

Sempre há um motivo por trás de um comportamento ou de uma determinada situação. Compreender, ter empatia com a criança, é progredir, e para isso são necessárias duas dimensões: paciência e proximidade. A criança que explode em uma birra precisa que a ensinemos a gerenciar seu complexo mundo emocional. O adolescente acostumado a ouvir o que deve fazer em todos os momentos precisa que lhe perguntemos o que ele pensa, o que sente, o que acontece… Ser ouvido de vez em quando pode ser agradável nesta e em qualquer idade.

Para concluir, educar sem gritar é antes de tudo uma escolha pessoal que requer vontade e trabalho diário por parte de toda a família. Cabe dizer também que não há nenhuma chave mágica que nos sirva em todas as situações e com todas as crianças. No entanto, existem algumas que são úteis com a maioria: compartilhar tempo de qualidade, dar ordens coerentes, nos identificarmos como figuras de apoio incondicional ou incentivá-los a assumir as responsabilidades que estejam ao seu alcance para o seu nível de desenvolvimento.

Fonte: texto originalmente publicado no A mente é maravilhosa 

Grande braço,

Ana Cruz – psicanalista