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Tag: ressentimento

6 enganos psicológicos da pessoa raivosa

6 enganos psicológicos da pessoa raivosa

Pessoas que estão sempre com raiva.
Gostaria de falar um pouco sobre pessoas bravas, esquentadas e explosivas.
Ao contrário do que todo mundo diz a raiva começa muito antes da raiva aparecer.
Eu me arriscaria dizer que a raiva é um sentimento decorrente de uma visão limitada da vida.
Em outras palavras, toda pessoa nervosa é mimada. Mas não sem motivo. A raiva é sempre um sentimento reativo e, portanto, fruto de um desencontro de condições externas com um estado interno anterior à raiva.
A raiva é fruto de um descompasso de suas expectativas com a realidade concreta.
O hábito da raiva é formado ao longo de anos. Raiva qualquer um sente, mas a manifestação constante dela é resultado de uma postura de vida. Vou falar de 6 enganos psicológicos da pessoa raivosa:


1) Eu sei
Essa é uma visão muito particular da pessoa raivosa. Ela tem a impressão de que sabe exatamente o que ela é, o que quer e o que espera dos outros. Essa certeza se manifesta por pontos de vista aparentemente muito coerentes entre si. Pelo menos para a pessoa raivosa há uma clareza que os outros não enxergam. Essa é a palha onde a chama vai encontrar a oportunidade de incendiar. “Eu tenho razão!”, essa a visão da pessoa raivosa.
2) Eu paguei, você vai pagar também
É muito comum a pessoa raivosa ter passado por algumas experiências de muita dor (física, psicológica) na infância. Essa dor ao ser digerida precisou de argumentos para ser superada. Um deles é: devo ter merecido, ou seja, se sofri é porque fiz algo para isso. Se ela acredita que se a sua ação mereceu ser punida, a ação do outro merece o mesmo destino. De agredido ela passa a agressor, sob a pena de se sentir no direito de punir uma atitude do outro que considera injusta. A justiça é seu álibi. Olho por olho e dente por dente. Se ela foi castigada o outro deve passar pela mesma pena.
3) Do jeito que eu quero
Se a pessoa tem a sensação que está com a razão e que está fazendo justiça é natural que leve isso a sério.
Ela se torna a justiceira do mundo. Quer torcer as pessoas para ver o mundo da mesma maneira que ela vê. Mas essa lógica é tão personalista que sequer percebe que as pessoas são diferentes dela. Tudo deve ser medido à partir de sua régua. A rigidez é sua marca, ou teimosia, como preferimos dizer. Se as regras não funcionam como ela quer, não tem brincadeira.
4) Eu na frente
Se ela sofreu e tem razão surge um sentimento de que os outros devem recompensá-la pelo mal que fizeram a ela.
Esse traço inconsciente da pessoa raivosa é responsável por frases do tipo: “só respondi desse jeito (estúpido) porque você não estava me ouvindo.” A idéia implícita é que as pessoas deveriam ouvi-la: “como você ousa não me ouvir?”. Isso se chama falácia da reciprocidade. Devido nossa tradição judaico-cristã seguimos ou achamos que todos devem seguir a regra de ouro: “não faça para os outros o que não gostaria que os outros fizessem para você”.
Essa regra tem um princípio de humanidade, igualdade e amorosidade incríveis, sem dúvida. Só um detalhe, isso não se torna verdade porque aspiramos que deva ser assim. Na realidade ninguém é obrigado a retribuir nada.
Se você fez algo bom foi por escolha livre e desimpedida. Se eu empresto dinheiro para você hoje, você não tem que me emprestar amanhã. Emprestei porque achei que parecia ser o melhor a fazer, mas não para criar um crédito antecipado com você. Imagine se um pai ou mãe fosse cobrar dos filhos (isso acontece com quase 100% de casos) o retorno financeiro e psicológico dos anos de criação. Os filhos teriam que pagar com a própria vida e ainda ficariam em dívida. A lógica da reciprocidade é opcional e não impositiva. Pessoa raivosa, ouça bem, ninguém precisa entender e tolerar você. A não ser você!
5) Não te respeito
Como resultado final a bomba está prestes a explodir. Por que explode? Porque o raivoso acha que pode! Acredita que o outro terá que lidar com essa conseqüência “dane-se! Ele que agüente, afinal fez por merecer! Me provocou!”. Isso quer dizer que o raivoso cede ao seu sentimento de contrariedade por saber que ficará impune.
Isso explica por que as mães são o alvo preferido de toda pessoa raivosa. Até a pessoa normalmente calma se permite agredir sua mãe. Afinal, mãe agüenta tudo. Agredimos aquela pessoa que temos a garantia que irá suportar (por amor ingênuo ou fraqueza) a explosão. Lavamos a alma às custas dos outros.
6) Me desculpe
Como resultado final da explosão surge a culpa. No calor das emoções a pessoa fez e falou realidades duras. “Eu não quis dizer aquilo!” Aquele aparente arrependimento é terrível de se lidar, pois a pessoa possuída e aterrorizante de minutos atrás se mostra dócil e comprometida a nunca mais fazer algo parecido. Esse ciclo explosão-culpa-nova explosão é fatal. Porque baixada a poeira, a pessoa raivosa tentará se proteger da vergonha e humilhação se armando com novas justificativas. Tentará encontrar as razões pela qual explodiu e o gatilho estará pronto para novo ataque. A pessoa agredida já estará ciclo após ciclo com a autoestima tão abalada que terá cada vez menos forças para resistir às agressões. E o domínio da pessoa raivosa estará instalado: agressor e vítima estarão com a vida feita.
Feita de dor…
A raiva de fato não terá transformado nenhuma realidade. A pessoa será alvo de temor e não respeito. O amor que poderia obter será escasso e sua dor se perpetuará.
Com o tempo sua jovialidade, beleza, dinheiro e poder diminuirão e suas vítimas se afastarão uma a uma.
A solidão psicológica será o destino dos raivosos (e mimados) de plantão.
A velhice será muito penosa e um duro aprendizado estará disponível: até que ponto valeu a pena estar sempre com a razão? É necessário esperar tanto tempo?

Texto escrito por Kelly Dorneles – psicanalista, minha conterrânea!

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Oito fatores que impedem a sua prosperidade

Mas afinal, o que é prosperar? É comum associar prosperidade restringindo junto a aspectos materiais, como, por exemplo, o melhor salário, o carro do ano, entre outros. No entanto esta é uma percepção muito limitada do termo.

Prosperidade significa a conduta, o comportamento orientado para a execução (constante) de desenvolvimento e progresso diante de questões diversas e que abrange todas as áreas da vida, e não apenas junto a área financeira, visando construir resultados qualitativos. Recai sobre a estrutura (e também sobre a ausência de) psicológica do sujeito e o seu comportamento emocional.

A prosperidade traz, enquanto efeitos, felicidade, satisfação pessoal, sucesso de modo geral. Lembre-se que colhemos o que plantamos e dentro desta perspectiva, listei oito fatores que impedem a ocorrência da sua prosperidade:

1. Sentir pena de si mesmo: a autopiedade implica em um sentimento excessivo de compaixão, pena por si mesmo, onde o indivíduo se vê vítima de tudo e todos o tempo todo, assumindo uma postura sofredora diante da vida. Quem tem pena de si mesmo busca aliados que reforcem este padrão comportamental e não saem do mesmo lugar que já estão. Você pode ler mais sobre a autopiedade aqui.
2. Ser arrogante: a arrogância se manifesta para ofuscar a ausência da capacidade de assumir a responsabilidade pelos seus atos e a intolerância a frustrações. Um braço da birra onde prevalece somente os seus desejos, ‘primeiro eu, depois o resto’. Você pode ler mais sobre orgulho aqui.
3. Comodismo: a voz que fala mais alto é a da lei do menor esforço para tudo, e assim, existe a fuga de desafios, ausência de ousadia e até medo de assumir riscos. Carrega o preço da insatisfação generalizada ao invés de ter atitudes diferenciadas. Acredita que o universo, Deus, ou seja lá quem for lhe deve resultados. Você pode ler mais sobre o comodismo aqui.
4. O incrível desejo pelo controle alheio: é aquele que precisa que as pessoas e situações em geral funcionem de acordo com a sua ordem, a sua regra, por acreditar ser ‘o melhor caminho’, o ‘correto’, ignorando ao máximo opiniões e posicionamentos diferentes do seu. Apresentam grande dificuldade em delegar tarefas (centralizadores), de trabalhar em equipe, de relacionamentos e socialização em geral. Fecham-se cada vez mais em um mundo próprio ilusoriamente considerado ‘seguro’ e ‘livre de ‘ameaças’. Você pode ler mais sobre o controle aqui.
5. Dependência emocional: dependentes emocionais sugam o outro diante das suas necessidades de se sentirem amadas, acolhidas, reconhecidas, recebendo atenção, pautado em um ‘senso de justiça’ infantil onde só devem ‘receber’. É portador de sentimento de inferioridade e culpa, vazios (carência) afetivos, baixa autoestima, inseguro, muitas vezes solitário, incapaz de tomar decisões e fazer escolhas, descrente de si mesmo, altamente idealizadores. Você pode ler mais sobre dependência emocional aqui.
6. Ressentimento: implica na força de um grande grupo de amigos fiéis chamados raiva, mágoa, inveja, amargura, maldade, ciúme, desejo de vingança, atribuindo ao outro a responsabilidade pelo que o faz sofrer, resultante de um processo de autoenvenenamento psicológico. O ressentimento trata-se de uma queixa insistente, que não aceita nenhuma forma de ‘reparação do dano’ em função da sua principal característica: a persistência da mágoa e a repetição da queixa. Você pode ler mais sobre ressentimento aqui.
7. Inveja: atenção aqui, pois não existe ‘inveja branca’ ou ‘no bom sentido’. A inveja é a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais. Você pode ler mais sobre a inveja aqui.
8. Imediatismo: desejo de resultados imediatos, para agora. Muito amigo da ansiedade excessiva, leva o sujeito a atropelar etapas e processos buscando a gratificação do mérito. Engloba, muitas vezes, a impulsividade e comprometimento da capacidade de racionalização. É totalmente impaciente, comete (e repete) erros em abundância. Você pode ler mais sobre a ansiedade aqui.

Ultrapassar estas demandas e alcançar a prosperidade é possível. Porém é importante ressaltar que para isto é necessário no mínimo ter foco, disciplina e empenho. Só e tão somente um desejo de mudança não é capaz de nada, é preciso mais.

À propósito, você é uma pessoa próspera?

Grande abraço,
Ana Cruz – psicanalista