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“Não consigo emagrecer”

“Não consigo emagrecer”

Uma pessoa me procurou com uma dúvida bem interessante quanto ao emagrecimento.  Disse que há tempos faz dietas para emagrecer, mas não consegue mantê-las. Até começa bem, mas em determinado estágio, a coisa desanda e ela voltar a comer pra caramba.

Geralmente o ato de comer está associado ao prazer, no entanto, comer em excesso de modo frequente pode representar outras questões não aparentes na instância racional. Através da psicanálise é possível identificar e analisar fatores inconscientes que impactam, de um jeito ou outro, no comportamento do ser humano. Afinal, é lá no ‘estoque infinito de espaço’, o inconsciente, que se alocam experiências, referências, emoções, desejos, necessidades, complexos, traumas e uma gama de material recalcado (afastado e preso) que você nem percebe, mas que existe e influencia na sua vida como um todo.

Sendo assim, a pergunta é: o que o seu psiquismo está mostrando? Facilmente, transferimos para pessoas e situações nossos elementos emocionais internalizados. Quando você acaba se alimentando em excesso, dentre inúmeras possibilidades, basicamente, a comida em si pode funcionar como:

dieta

  1. a tentativa de suprir uma carência de afeto que você registrou no seu inconsciente que não teve (real ou imaginária);
  2. a tentativa de suprir a ausência de pais ou de um dos seus pais (real ou imaginária);
  3. a referência que você teve na infância de compensação de amor e acolhimento;
  4. o elemento principal de um ciclo vicioso: ingestão alimentar excessiva, sentimentos de culpa e arrependimento;
  5. o elemento principal de um mecanismo de auto-sabotagem;
  6. o elemento principal de um processo de auto-piedade;
  7. um mecanismo de defesa diante da falta de gerenciamento de conflitos emocionais e frustrações latentes;
  8. o ‘socorro’ junto a alta carga de ansiedade;
  9. um sinônimo de segurança e autoconfiança;
  10. um sinal de um quadro depressivo.

Um belo dia o indivíduo até começa uma dieta, sente a necessidade de mudar seus hábitos alimentares, por diversos motivos, porém, em algum momento, o inconsciente ativa uma espécie de “alerta” avisando que há “algo errado”, pois a quantidade de comida ingerida (reduzida e adaptada em uma dieta) não é suficiente para a sua real necessidade. Aí se inicia uma série de pequenas justificativas para não se manter nesta nova rotina alimentar, buscando elementos diversos para sabotar a condição atual (a dieta) e voltar para a condição anterior (comer em excesso).

Portanto, se você pensa em fazer ou está fazendo pela milésima vez uma dieta, em paralelo, busque também ajuda profissional que não se restrinja a reeducação alimentar. Trate a origem e terá consequências positivas, afinal, se você quer resultados diferentes, com certeza não será agindo da mesma forma que conseguirá.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

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