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A pergunta que não quer calar

A pergunta que não quer calar

Um texto diferente. Quatro psicanalistas toparam um desafio que propus. Confira!

Começo agradecendo imensamente aos meus grandes colegas psicanalistas Arnaldo Domínguez, Henrique Trejgier, Olivan Liger e Renato Dias Martino  que, sem pestanejar, aceitaram participar.

Este texto se distingue dos demais pela singularidade do seu desafio. Uma pergunta aparentemente simples, mas que, no entanto, pontua a complexidade do ser humano atual. Dentre tantos colegas que admiro, escolhi cinco deles (que em nenhum momento souberam quem participaria) e propus que respondessem em até cinco linhas uma única pergunta:

 

Para você, quem é o sujeito de hoje e o que ele busca no seu consultório?

Arnaldo Domínguez: a subjetividade do tempo em que vivemos mudou e empurra os falantes ao paraíso do engodo (do puro gozo). O sujeito enquanto efeito da linguagem adoecida desta época muitas vezes está à deriva do campo Ideal e conservador da civilização. O sujeito não mudou, mas se apresenta – na clínica e na sociedade – em seu exílio. Por isso tantas vezes nós pensamos em psicose ou perversão. Contudo, o exilado poderá regressar!

Henrique Trejgier : o Sujeito de hoje traz a angústia das perguntas que faz para si, mas não pode responder. Isso demonstra a ilusão de que se souber a causa de sua castração, poderá superá-la. Mas, saber a causa não resolve. É preciso decidir o que fazer com este conhecimento. Alguns aprendem com a análise, que através da sublimação, a dedicação ao desenvolvimento possibilita a realização. O Sujeito de hoje vem ao analista buscando muletas, e eu faço de tudo para ele ir embora andando sozinho.

Renato Dias Martino: aquele que vem em busca de psicoterapia é um sujeito com um grande medo de seus desejos, deseja mas teme aquilo que deseja. Esse sujeito que em sua maioria nunca teve muita chance de viver experiências afetivas saudáveis, quando pode ter isso, não foi o suficiente para trazer recursos para lidar com o vazio que existe em cada um de nós. Dessa forma, ele busca na psicoterapia uma maneira de reconhecer-se a si mesmo e assim aprender a respeitar-se.

Olivan Liger: o sujeito da contemporaneidade é um sujeito inseguro do seu estar no mundo, porta queixas de mal estar emocional difuso e na maioria das vezes não consegue nomear seus sentimentos. Portador de um vazio crônico que tende a ser preenchido com consumo, alimentos, drogas ou sexo. É um sujeito cuja a constituição parece ter sido fixada em etapas anteriores, que carece de crescimento. Tem baixa tolerância à frustração e busca ajuda como se o analista tivesse uma solução mágica para seus desconfortos.

Na verdade, a pergunta que não quer calar é: e você, quem é hoje e o que realmente busca no nosso consultório? Reflita.

seta psicanalistas

 

Arnaldo Domíngues é psicanalista clínico. Conheça o seu trabalho aqui: www.arnaldodominguez.wordpress.com

Henrique Trejgier é psicanalista, advogado, mestre em coaching, mestre em PNL, terapeuta EFT, filósofo autodidata, engenheiro de áudio, músico e diretor do Centro de Desenvolvimento da Psiquê.  Acesse e saiba mais aqui: www.cdpsi.com.br

Renato Dias Martino é psicanalista, professor e escritor. Acesse e saiba mais aqui: www.pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br

Olivan Liger é psicanalista, professor e presidente do Instituto Latino Americano de Psicanálise Contemporânea. Acesse e saiba mais aqui: www.ilpc.com.br

Grande abraço a todos.

Ana Cruz – psicanalista

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