ArabicEnglishFrenchPortugueseSpanish
A obsessão por futebol

A obsessão por futebol

Viver e ‘respirar’ futebol: qual é o limite entre o amor pelo esporte e a obsessão?

Meu querido Dicionário Internacional de Psicanálise (por Alain de Mijolla) diz que se dá o nome de “obsessão” às imagens, ideias ou palavras que se impõem à consciência de um sujeito, contra a sua vontade e que o privam de sua liberdade de pensar e até de agir, tornando-o incapaz de lhe pôr fim. E completa com uma citação de Freud de 1896: “defini as ideias obsessivas como autocensuras transformadas que ressurgiram da repressão e que invariavelmente se referem a algum ato praticado com prazer na infância.”

Enquanto isso, o futebol… se vê milhares de pessoas pelo mundo afora que, mesmo sem perceber, fazem do esporte mais do que um amor, uma obsessão, comprometendo até a sua própria vida em diversas áreas bem como os seus relacionamentos interpessoais. Algumas características comportamentais: alto grau de irritabilidade ao ser contrariado; inflexibilidade e intolerância à opinião alheia; comprometimento financeiro em prol do futebol e/ou do seu time; comprometimento de relacionamentos sociais em geral (amoroso, familiar, pessoal, etc); entre outros.

Camisa-do-Brasil-2014-2015-Copa-do-Mundo-3

Para o psicólogo e psicanalista José Araújo, o fanatismo pelo futebol é saudável enquanto é tratado como lazer, prazer ou uma simples crença. E afirma que: “quando a pessoa só acredita naquilo que ela pensa, não escuta nem aceita o outro e não dá valor a opinião do outro, já é um transtorno obsessivo. Então, isso faz a própria pessoa e os outros sofrerem. É um comportamento doentio, no qual o mundo gira apenas em torno do futebol e de determinado time. As pessoas que têm esse comportamento nunca aceitam que o time dela perdeu porque jogou mal, por exemplo. Essa ‘culpa’ dói muito, então, ele prefere justificar jogando a culpa em outro fator como dizer que o juiz roubou para o adversário ou que fulano estava machucado.”

E aí, tem cura? Basicamente, o momento mais delicado é o sujeito obsessivo entender e aceitar que precisa de ajuda profissional, e este é o primeiro grande passo a dar. Afinal, o sujeito que não visualiza a sua condição problemática atual, simplesmente não sai do lugar. E ‘morre’ agarrado no tal futebol.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

2 Replies to “A obsessão por futebol”

  1. Ana, tem uma possível solução para o resgate do equilíbrio, TERAPIA. Esse pessoal precisa de orientação, é muita gente perdida. Abs,

Deixe o seu comentário