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A dor do arrependimento

A dor do arrependimento

Meus queridos leitores, atire a primeira pedra quem nunca se arrependeu de algo na sua vida, independente do que seja. Dói né?!

O arrependimento é uma resposta emocional diante da consciência dos prejuízos causados para si e/ou para outrem a partir das suas decisões e é ‘mui’ amigo de um sujeito chamado sentimento de culpa. Sua intensidade está diretamente relacionada a capacidade do indivíduo de tolerar (ou não) erros e frustrações de modo geral, incluindo os seus. E quanto mais rígido e inflexível no mundo exterior, maior a dor do arrependimento impulsionada pela culpa no mundo interior, pois a rigidez e inflexibilidade funcionam muito bem como artifícios de defesa.

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Lembram?! “aquilo que não consigo controlar dentro de mim, desejo controlar fora de mim”. Leia e entenda aqui.

Já o sentimento de culpa, de acordo com o Dicionário Internacional de Psicanálise, é uma sensação de tensão intrapsíquica que pode se manifestar sob a forma da humildade, sofrimento, necessidade de punição, remorso e sentimento de não estar à altura. Particularmente aprecio mais a definição do meu amigo Jean Laplanche: designa um estado afetivo, consequência de um ato considerado repreensível pelo sujeito, um sentimento difuso de indignidade pessoal.

Dica: certas vezes um cara chamado orgulho não permite a eclosão do sentimento de culpa, pois reconhecer um erro é reconhecer-se inferiorizado. Leia e entenda sobre o orgulho aqui.

Pois bem, frente à responsabilidade por um erro – a culpa sinalizada pelo Superego, a dor do arrependimento é preenchida por larga angústia pelo medo da penalidade.  E quando esta não é bem elaborada, compreendida e ‘arquivada’ como uma experiência de aprendizado, pode gerar resultados negativos bem expressivos como a autopunição – psicológica e/ou física, e ciclos repetitivos de fracassos (a regra é clara: toda culpa pede punição!), dando origem até a quadros depressivos que, se não são bem administrados em tempo, podem levar sim ao suicídio.

Dica 2: entenda porque certas pessoas que erram não conseguem se desculpar aqui.

Nobre é o sujeito que se arrepende de verdade, aprende e esforça-se ao máximo para não repetir o seu erro. Pobre é o sujeito que se arrepende somente por um momento de euforia ou de grande desespero e na primeira sensação de alívio do seu sofrimento torna a errar novamente ‘crente que está tudo resolvido’. Não se esqueça que a vida com a sua sabedoria singular funciona como uma espécie de bumerangue: tudo o que vai, volta. E dói pra caramba.

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista

8 Replies to “A dor do arrependimento”

  1. Arrependimento, culpa, dor, medo, enfim… tudo que nos acompanha e não deve evoluir. Ainda bem que existe análise para minimizar essas questões. Como sempre um bom tema! Grande abraço,

  2. Olá dra Ana! Gostei muito do texto. Estou procurando algumas fontes para tentar ajudar uma amiga (que é tipo irmã), que está muito arrependida do erro que cometeu e que infelizmente magoou muito outras pessoas. Embora não concorde com esse erro, estou ao seu lado para tentar resolver junto com ela da melhor maneira possível. Se tiver alguma dica de como posso agir para ajudá-la, agradeço. Ela é uma pessoa que já teve depressão e embora já tenha feito tratamento, fico com receio de que possa “voltar”… Obrigada!

    1. Oi Lina! Primeiramente tome cuidado para não puxar para si algo que não te pertence. Ajudar um amigo é nobre e importante, porém, há limites. A melhor forma de ajudar a tua amiga é orientá-la a expor a verdade e que ela deve arcar com as consequências dos seus erros, aprender (realmente) com os seus erros e tocar a vida adiante. Não há atos sem consequências. 😉 Abraço!

  3. Olá Ana Cruz, tudo bem ? Olha, particularmente gostei de mais de seu texto, principalmente da dica que você deu clicando em “aqui”_debaixo da Foto ” Arrependimento”
    Sobre este outro texto, que diz sobre “O incrivel desejo pelo controle alheio”
    Então, sou Matheus , gosto muito de natacao* , de teatro, desenho, gosto de fazer amizade, dancar*, de ver o bem das pessoas , matéria de espanhol e português , sou alegre, também claro.. Amo conversar .. sem excecao* !! Kk
    Realmentede um tempo pra cá estou assim como diz o texto acima que citei me identifiquei pois tenho me sentido muito inseguro autoritário(até minha irmã que é minha amigona percebeu), só que isto obviamente me tem trazido nervozismo pois, tento “controlar” as coisas dentro de min e fora, isto gera..dúvida, desconforto.
    Não me sinto bem quando me deito pra dormir.. Tento fazer as coisas fluirem no dia-à-dia, só que demoro pra cada coisa(para conferir se estão certas) e a oportunidade (acaba). Sei que na maioria das vezes tenho que ter atitude de dar um basta na situacao* e ser mais ágiu .. Preciso de ajuda Ana Cruz, olha eu sou um ser humano normal gracas* a Deus, tenho que procurar ajuda e tenho em mente que isto é um ótimo passo ( meu objetivo é voltar a ser mais alegre deixando a preocupacao* excessiva no lixo do NUNCA e “recuperar” minha personalidade e autoestima)
    Caso leu, obrigado pela generozidade e atencao* que você propôs pra mim.
    Fica na paz .

    1. Oi Matheus! Bem, de acordo com o teu relato, acredito que o mais assertivo no momento é buscar ajuda profissional para se descobrir o que de fato está provocando este comportamento, e assim, retomar a alegria, equilíbrio e bem-estar. Grande abraço!

    1. Oi Raquel! Muito obrigada! Fico super feliz em saber que agrego de alguma forma. Sou da filosofia de que conhecimento é para ser compartilhado, e não retido. Grande abraço!

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