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Os dissabores da culpa

Os dissabores da culpa

A culpa é o cara que bate na sua porta e entra mesmo que você acredite que não o convidou para a festa da vida.

Já falei brevemente sobre o sentimento de culpa em A dor do arrependimento. Porém, é interessante salientar o amargo que este sentimento traz consigo, pois há na culpa um custo emocional nocivo ao próprio indivíduo. A culpa é um sentimento resultante da ‘briga’ entre o Ego e o Superego, seja este sentimento consciente ou inconsciente. Sim meus caros leitores, existe a culpa inconsciente.

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De acordo com o psicólogo Frederico Mattos, a culpa que muitos sentem costuma ser reflexo da imagem de transgressão do conjunto de regras absorvidas de uma cultura pelo ciclo de pessoas significativas que influenciaram sua formação. Seu pai aprendeu com o pai dele, reformulou ao seu modo e repassou a você que vai absorver ao seu modo e repassar aos demais e assim por diante. É um grande telefone sem fio de gente “cagando regras” para o bem viver.

O estabelecimento de padrões limitados só e tão somente à dupla ‘certo e errado’, funcionam como grandes geradores do sentimento de culpa. No entanto, há muito mais variantes no trajeto de ligação desta dupla que acabam por ser desconsiderados pelo caminho.

Quando a experiência emocional da culpa não é devidamente questionada, compreendida e eliminada, ela continuará latente e irá refletir em diversas áreas da vida do sujeito de modo autodestrutivo, chamando o seu grande amigo: punição. E assim, se inicia a trajetória do ciclo vicioso da culpa que se estenderá por período indeterminado. Titia explica:

Ciclo da culpa: falta/erro-frustração-culpa-reparação/punição.

“A vergonha precede a culpa, que é um sentimento de ruindade que o indivíduo tem sozinho quando ninguém observa e quando tudo está quieto, exceto a voz do superego. A vergonha é passageira, a culpa é duradoura.” Erick Homburger Erickson – psicanalista alemão.

Nota: sentir-se culpado não implica necessariamente no reconhecimento daquilo que foi registrado pelo sujeito como um erro praticado. Prepotência, arrogância e orgulho, por exemplo, são mestres na arte de sufocar o tão simples “eu errei”.

Agora, vale lembrar também das sábias do meu querido amigo Carl Jung: quem sempre culpa “o outro” por seus problemas não conhece a própria sombra. #pensenisso

Grande abraço,

Ana Cruz – psicanalista[:]

2 Replies to “Os dissabores da culpa”

    1. Oi Raquel! Concordo, é um tema bem delicado, e acredito que diante da sociedade atual onde brotam cada vez mais padrões diversos, há um grande estímulo para a produção deste medonho sentimento de culpa. Refletir é preciso! Bjs querida!

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