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THERAPIST ANA CRUZ

“O conhecimento de qualquer tipo causa uma mudança na consciência de onde é possível criar novas realidades." Deepak Chopra
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Uma história real: a vida de Rafael

“A sensação de culpa, e de frustração por não ter enxergado tudo isso antes de ter filho, antes de casar e até mesmo antes de namorar é gigante. Enfim, ainda estou na indecisão, e cada dia que passa isso me consome mais.

Olá Ana, meu nome é Rafael e tenho 39 anos de idade.
Parabéns pelo site. Adoro todos os seus comentários e dicas. Excelente!! Acompanho algumas das matérias do deu site, e resolvi escrever sobre a minha situação atual. Creio que outras pessoas estejam passando por situação parecida.
Bem, sou casado há 12 anos e tenho um filho de 3 anos e meio. Pra resumir a história, alguns anos atrás fui diagnosticado com depressão e Síndrome de Burnout. Vários foram os motivos. Trabalho, mudança de casa, filho pequeno e a vida de casado que eu já sentia que não ia bem. Não por ela… mas por mim. Não sentia vontade de procurá-la, não sentia vontade de beijá-la, de ficar com ela. Um parênteses: A primeira vista é possível acreditar que ocorreu comigo o mesmo que acontece com vários outros casais: o filho separa o casal. Tenho quase certeza absoluta que este não foi o caso. Enfim, depois de ter procurado um psiquiatra, tomo medicamentos até hoje, e faço acompanhamento com uma terapeuta desde então.
Esse fundo do poço me fez enxergar e questionar muitas coisas que fiz e, mais importante que isso, coisas que deixei de fazer.

Cheguei a triste conclusão (junto com minha terapeuta) que fui um dependente emocional. Carente, e que precisava de atenção. Isso, somado a baixa auto-estima, me faziam levar a vida como os outros queriam que eu levasse. Outra característica que tenho é de tentar sempre agradar aos outros. Sempre fazer os outros felizes. Tudo isso, fez com que eu raramente fizesse coisas para mim.
Cheguei a conclusão que nunca amei efetivamente minha esposa. Gosto dela, sim. Mas não consigo mais a ver como a pessoa que quero ao meu lado. Como sei que não a amo?
No trabalho, tenho uma amiga com quem converso muito. Temos muita afinidade e gostos em comum. Até que um dia minha amiga e eu não resistimos, e acabamos ficando juntos. Não houve sexo, mas os beijos e a companhia um do outro foi algo tão maravilhoso que é difícil de esquecer até hoje. Algum tempo depois minha esposa descobriu ao fuçar no meu celular. Minha amiga disse que não queria mais falar comigo, que queria distância. Alguns dias depois voltou atrás e disse que não conseguia ser só colega de trabalho e que sentia falta da amizade. Hoje, ela está namorando, parece feliz e eu estou com o coração dilacerado. Primeiro por saber que outra pessoa a está fazendo feliz. E depois por que eu não dei escolha para ela. Ainda estou casado. E ela deixa claro que não quer ser responsável pelo fim do meu casamento.
Hoje, minha esposa e eu estamos fazendo terapia de casal. A terapeuta sabe de tudo isso. Por ela, o casamento já acabou, mas os dois não têm coragem de tomar uma atitude.
Ela, por que ainda gosta muito de mim, tem uma vida tranquila, não trabalha fora, cuida de casa. E por que também é dependente emocional (além de financeira). Filha de um pai extremamente machista e centralizador. Ele fez com que todos os filhos trabalhassem com ele. A esposa dele só punha o pé para fora de casa para ir ao mercado com ele. Ao mesmo tempo, ele não fazia questão nenhuma de segurar xingamentos e acusações quando vinham notas baixas ou quando algum trabalho não era feito ao seu agrado.
Depois que ele faleceu, minha esposa transferiu essa dependência para mim. Tudo o que ela faz é em função do marido, da casa. Ela trouxe essa realidade para a vida dela. Do outro lado da moeda, estou eu. Que não tenho coragem de seguir em frente com o divórcio (ela já sabe dessa minha vontade) por vários motivos:
– no caso de uma separação, ela já deixou claro que se muda de cidade, para onde a mãe mora. Com isso, devo ver meu filho uma vez por semana ou a cada 15 dias. Sem contar, com o impacto para ele de mudança de cidade, de escola de realidade.
– minha terapeuta diz que eu posso ter sido a “mãe suficientemente boa” para o meu filho, já que tive muita proximidade com ele desde pequeno. Nos primeiros meses, desde a maternidade, eu que dava banho todos os dias, eu que tratei o umbigo, eu que trocava a maioria das fraldas. Essa separação pode ser bem complicada para ele. Ainda hoje, quando estamos os três juntos, ele praticamente ignora a mãe e só chama por mim. Exemplo: raramente quer que ela o faça dormir.. Sempre chama pelo papai.
– pela vida cômoda que levo. Moro em um lugar bacana, com meu filho por perto, uma pessoa que gosta de mim (apesar de eu não gostar de volta).
– moro em um apartamento dos sonhos, e que não queria me desfazer, não pelo valor (que não é nada absurdo), mas por que foi o primeiro que comprei com meu dinheiro. Parece mesquinho não querer fazer isso, mas não queria mesmo me desfazer daqui e, ao mesmo tempo, não queria que ela e meu filho morassem de aluguel.
– tenho certeza que um divórcio fará a família triste com toda essa situação (eu de novo me preocupando com os outros). Meus pais já sabem de tudo isso, e disseram que me apoiam independentemente da decisão que eu tomar.
– morro de medo de ela infernizar minha vida, caso eu venha a ficar novamente com minha amiga do trabalho. Quando tudo aconteceu, minha esposa mandou email bem mal educados para ela, e tenho receio que faça coisa pior.
Enfim, queria compartilhar essa história que estou passando, e essa bagunça que está a minha cabeça e coração. Se tiver alguma sugestão ou comentário, agradeço… Parabéns pelo site e pelas matérias.  Obrigado pela atenção de ao menos ler esse desabafo. Abraço.”
Querido Rafael, muito obrigada pelo teu e-mail e por autorizar a publicação! Bem, todo sujeito emocionalmente dependente é alguém, dentre outros aspectos, carregado de frustrações que não consegue ultrapassar. É também uma pessoa permeada de insegurança, e assim, rema mas não sai do lugar. Deseja incessantemente receber muito e doar pouco (um mecanismo infantil), se submetendo a migalhas. Olha para os outros em uma tentativa de fuga para não olhar para si. Diante do teu relato, concordo com a terapeuta, o casamento já acabou e ambos continuam escorados na máscara do ‘faz de conta que há casamento’, ‘faz de conta que é só uma fase e vai passar’. Ancorados no comodismo, com certa dose de arrogância. Duas pessoas construindo um ciclo vicioso de infelicidades, envolvendo terceiros que nada tem a ver – um filho e uma outra mulher. O ser humano tem tendência a valorizar o que é negativo, e inconscientemente ao tentar evitar a dor alimenta dores diversas (zona de conforto). Um filho necessita de pais emocionalmente equilibrados, estáveis, bem resolvidos e não de aparências. Ele acaba absorvendo tudo aquilo de bom e ruim que se encontra no meio em que vive, #pensenisso. A pergunta é: até quando?

2 thoughts on “Uma história real: a vida de Rafael

  1. Considerando a exposição, achei uma história rica. Como em tudo na vida existe uma parcela de ônus mas em compensação muitos bônus, entre eles, uma vida nova ou renovada. Ao sair da comodidade a sensação de liberdade será fantástica. Que tal pensarmos “depois da tempestade vem a calmaria”

    1. Oi Raquel! Particularmente eu admiro a coragem de todo aquele que expõe a sua história, final, é algo muito particular. E como diria o vô Freud: “quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.” Beijos!

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